capítulo 3

739 Words
Depois do café da manhã, Téo a levou até em casa. O caminho foi silencioso… mas diferente do anterior. Agora havia algo ali. Quando o carro parou, Laura hesitou por um segundo antes de sair. — Obrigada… — disse, olhando pra ele. — Eu te vejo em breve — ele respondeu, com calma. Ela apenas assentiu… e desceu. Assim que entrou em casa, a realidade voltou. O silêncio. O apartamento simples. A vida que ainda estava desmoronando. Ela se jogou na cama, encarando o teto. Um mês… Um mês com aquele homem. Ela soltou um leve riso, passando a mão pelo rosto. — Eu tô ficando maluca… Virou de lado, olhando pro nada. — Mas que ele é lindo… isso é. Um sorriso pequeno escapou. — Muito lindo… A lembrança dele vinha fácil: alto, forte, músculos marcados… o olhar intenso que parecia enxergar tudo. Ela respirou fundo… e, instintivamente, levou a mão até a barriga. Ainda não dava pra ver nada. Dois meses. Mas estava ali. Seu bebê. Seu único ponto de certeza no meio do caos. Ela acariciou de leve, mais séria agora. Levantou, pegou a vitamina da gestação e tomou com um pouco de água. — Eu preciso pensar em você agora… murmurou baixinho. Mas, mesmo dizendo isso… Ele ainda ocupava seus pensamentos. Enquanto isso… No hospital. Téo caminhava pelos corredores durante o plantão, com a postura firme de sempre. Respeitado. Focado. Médico. Responsável por vidas. Mas, naquela manhã… Sua mente não estava totalmente ali. Ela voltava. Pra ela. Laura. Ele passou a mão pelo rosto, pensativo. — Uma menina tão frágil… — murmurou pra si mesmo. A imagem dela vinha clara: O jeito tímido. O olhar assustado. Mas também… A forma como ela tentou ser forte. — E, ao mesmo tempo… tão intensa… Ele soltou um leve suspiro. Fazia tempo. Muito tempo que ninguém chamava sua atenção daquele jeito. — Um mês… — pensou — Vamos ver até onde isso vai. Mas, no fundo… Ele já sabia. Aquilo não ia ser só um contrato. E, pela primeira vez em muito tempo… Ele queria alguém por perto. De verdade. A noite chegou mais rápido do que Laura gostaria. Ela passou o dia inteiro tentando não pensar. Mas era impossível. Téo. O contrato.Um mês. E aquele sentimento estranho… que não fazia parte do plano. Ela se arrumou novamente, dessa vez com menos hesitação… mas não menos nervosa. Escolheu um vestido mais simples, ainda elegante, mas menos chamativo que o da noite anterior. O cabelo loiro curto estava levemente ondulado, dando um ar mais suave. Maquiagem leve… só o suficiente. Ela se olhou no espelho. Ainda era estranho. Mas… dessa vez, não parecia tão errado. A mensagem chegou. “Estou te esperando.” O coração acelerou. Minutos depois, o mesmo carro parava em frente. Ela entrou. E, dessa vez… não havia surpresa. Só um leve sorriso. — Boa noite, Téo. Ele a olhou por alguns segundos… como se estivesse absorvendo cada detalhe. — Boa noite, Laura. O tom dele estava diferente. Mais… próximo. Na casa dele, o clima já não era o mesmo da primeira noite. Não era só tensão. Era i********e começando a nascer. Eles conversaram mais. Riram em alguns momentos. Ela começou a se soltar. E ele… a observar ainda mais. No quarto, quando o silêncio voltou… Não era pesado. Era confortável. Téo se aproximou devagar, como da primeira vez… mas agora havia algo a mais. Cuidado… e interesse. Ele tocou o rosto dela novamente. Mas dessa vez, Laura não hesitou. Se aproximou primeiro. O beijo veio natural. Mais firme. Menos inseguro. Ainda assim… cheio de cuidado. — Você ainda tá nervosa? ele perguntou baixo. — Um pouco… ela admitiu — Mas menos que ontem. Um canto do lábio dele subiu. — Melhor assim. A proximidade aumentou… Mas o ritmo continuava o mesmo: Sem pressa.Sem imposição. Como se ele quisesse mostrar… que ela estava segura. E isso mexia com ela. Mais do que deveria. Mais tarde, deitados… O silêncio foi quebrado por ela. — Por que você escolheu um contrato… comigo? Ele ficou alguns segundos em silêncio. — Porque eu não queria que fosse só uma noite. Ela virou o rosto, olhando pra ele. — E agora? Ele sustentou o olhar dela. — Agora eu tenho certeza. O coração dela apertou… de um jeito estranho. Perigoso. E naquela noite… Laura percebeu que o problema não era mais o contrato. Era o que ela estava começando a sentir.
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