capítulo 7

643 Words
A porta se fechou. O som ecoou pela casa inteira. E Téo… continuou parado. Exatamente onde estava. Sem se mexer.Sem respirar direito. Grávida. A palavra ecoava na cabeça dele. Uma… duas… dez vezes. Como se o cérebro ainda tentasse aceitar. Ele passou a mão pelo rosto devagar. Andou alguns passos pelo quarto. Parou.Virou. Andou de novo. Sem rumo. — Grávida… murmurou, quase sem voz. A imagem dela veio. O jeito frágil. A tontura naquela manhã. A mão dela na barriga… várias vezes. Tudo começou a fazer sentido. Tudo. Ele fechou os olhos com força. — E eu não percebi… Aquilo irritou. Mas não com ela. Com ele mesmo. Ela estava passando por tudo aquilo… Sozinha. Desde o começo. E mesmo assim… Sorriu.Se entregou. Ficou ali com ele. Ele apoiou as mãos na bancada, abaixando a cabeça. Respiração pesada. — i****a… Mas então… Outra coisa veio. Mais forte.Mais intensa. Ela queria ir embora. Apagar tudo. Como se não tivesse importância. O olhar dele mudou. Devagar. A confusão deu lugar a algo mais firme. Mais claro. — Não… ele murmurou. Endireitou o corpo. O maxilar travou. Ela não ia passar por isso sozinha. Não mesmo. Grávida. Abandonada. Sem apoio. E ainda achando que ele ia simplesmente… deixar? Um riso curto, sem humor, escapou. — Ela não me conhece… Ele pegou a chave do carro com firmeza. O olhar agora era outro. Decidido.Intenso. — Um mês? ele murmurou — Agora você não vai embora nunca mais… E, naquele momento… Não era mais sobre contrato. Nem desejo. Nem curiosidade. Era decisão. Téo saiu de casa sem olhar pra trás. Porque uma coisa já estava definida dentro dele: Laura podia até tentar fugir… Mas ele não ia deixar ela enfrentar aquilo sozinha. De jeito nenhum. O caminho até a casa dela foi rápido. Rápido demais. Téo m*l lembrava dos sinais, das ruas… só dirigia. A mente a mil. O peito apertado. Quando chegou, saiu do carro praticamente correndo. Bateu na porta. Uma vez.Duas.Três. — Laura! Nada. O silêncio respondeu. O coração dele disparou. Ele tentou a maçaneta. Destrancada. Entrou. — Laura?! A voz ecoou pela casa pequena. E então…Ele viu. Ela estava no chão. Pálida.Imóvel. — Laura! Ele correu até ela, se ajoelhando no chão. Segurou o rosto dela. Frio. — Ei… ei, olha pra mim… Nada. O desespero bateu de verdade. Ele a pegou no colo sem pensar duas vezes. — Fica comigo… fica comigo… Minutos depois… Hospital. Téo andava de um lado pro outro no corredor. Mãos na cabeça. Respiração pesada.Impaciente.Tenso. Pela primeira vez… completamente fora de controle. — Como eu deixei isso acontecer… murmurava. A imagem dela no chão não saía da cabeça. A porta do consultório abriu. Ele parou na hora. — Doutora? A médica tirou a máscara, olhando pra ele com seriedade. — Você é o acompanhante dela? — Sou. — Ela teve uma queda de pressão muito forte. Está extremamente fraca. O coração dele afundou. — E o bebê? A médica respirou fundo. — Tanto ela quanto o bebê estiveram em risco. Silêncio. Pesado. — — Mas conseguimos estabilizar continuou — Agora, o mais importante é que ela precisa de repouso absoluto por um tempo. Ele assentiu, atento a cada palavra. — Alimentação adequada, vitaminas… acompanhamento. O corpo dela está debilitado. Ele fechou os olhos por um segundo. Alívio. Mas misturado com culpa. — Posso ver ela? — Pode. Mas sem estresse. Ela precisa de tranquilidade. Ele entrou no quarto devagar. E lá estava ela. Na cama.Pálida.Frágil. Téo se aproximou lentamente. Sentou ao lado. A mão dele foi até a dela. Segurou.Com cuidado. Como se tivesse medo de quebrar. — Você não vai mais passar por isso sozinha… murmurou, baixo. O olhar firme. Decidido. — Nem você… nem esse bebê. E ali… Naquele momento… Ele tomou uma decisão silenciosa. Mas definitiva:Laura não ia embora. E aquela criança…Já não era indiferente pra ele.
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