IV – Gabriela e Diana

1641 Words
- Vocês poderiam fazer menos barulho, isso é vergonhoso, Gui.             O rapaz sorri com a fala da irmã, estavam a caminho da obra, apesar de Guilherme estar ajudando Diana, ele ainda estava ali a negócios, tinha que fazer o seu papel. - Achei que você estivesse fazendo a mesma coisa. _ A loira revira os olhos e volta a olhar através do vidro da janela do carro. - Você é um péssimo irmão, sabia? - Eu não te entendo, quando pego no pé das meninas que querem você, eu sou um péssimo irmão, se eu deixo você livre para aproveitar, ainda sou um péssimo irmão, decida-se, Di, estou ficando confuso. - Chato. _ Guilherme volta a gargalhar, gostava de “torrar a paciência” da irmã mais nova, ainda mais agora que ela se mostrava completamente apaixonada. - Mas sério, como vocês ficarão? Digo, nós voltamos em dois dias. - Ainda... Ainda não falamos sobre isso. _ A menor suspirou. - Entendi.             Guilherme não falou mais nada, sabe que seria uma situação difícil, elas moram relativamente longe e não havia condições de ficarem juntas o tempo todo, era complicado, mas a loira estava tão decidida a seguir com aquilo, que se prometeu no encontro dessa noite conversar seriamente com a mais velha. Eles ficaram o resto do caminho calados, cada um com seus problemas pessoais. Diana queria resolver aqueles problemas e Guilherme tentava arranjar um jeito de conseguir falar para as mães do seu relacionamento, um jeito que elas entendam a real situação, mas seu maior medo se chama Camila Belfort. O dia para os dois foi diferente, enquanto o rapaz cuidava de algumas decisões sobre o hotel, as vezes se comunicando com a mãe Paola, pois ela era a responsável por toda aquela obra como vice-presidente do grupo Belfort, porém grande parte de tudo ele resolvia, foi uma decisão das duas mães para efetivar o rapaz no mercado de trabalho, andar com suas próprias pernas. Já Diana colocou o capacete de p******o da obra, pegou o crachá e junto com Xavier passou a andar por todo o lugar, analisava, admirava, de longe seria uma das grandes obras da empresa, a rede de hotéis crescia mundialmente e já era uma das melhores, do Brasil era a maior, todos conheciam os Belfort, alguns nunca viram Diana, mas era exatamente isso que ela queria. - Isso é muito grande. - Sim, senhorita. - Xavier, me chame de Diana, eu já disse.              O homem já de idade, porém ainda em forma física impecável, sorri e assente, viu aqueles dois crescerem e tinha um carinho especial pelos herdeiros Belfort, assim como Camila e Paola tinha por ele. - Xavier, o que fazemos quando a gente ama alguém, mas não se acha suficiente para ela? _ O homem olha para cima, onde homens trabalhavam concentrados. - Bom, quando isso acontece, se você ama de verdade, o que se pode fazer é ser o suficiente para o outro, porém, ao mesmo tempo, é necessário ser o seu melhor sem depender de outra pessoa. - Você está me confundindo. _ Diana fala e ele sorri. - O que quero dizer, senhorita Diana, é que independente de outra pessoa, sempre temos que ser o nosso melhor, não é por causa de outra pessoa que devemos ser o nosso melhor, mas sim para sermos melhores cada vez mais para nós mesmos. - Então mesmo percebendo que a outra pessoa é tão boa, ainda assim, temos que ser melhores? - Diana, eu entendo o que você está pensando, eu a conheci, de fato, Gabriela é uma linda mulher, mas olha para você, é tão linda quanto ela. E mais, aquela garota está louca por você, como você é, linda, delicada, atraente, com o perdão da palavra. - Tudo bem. _ Diana sorri. – Mas... Olha para mim, eu sou... gor... - Nem ouse dizer isso, não se atreva a mencionar tamanha idiotice. Você é linda, essa palavra além de ser f**a, com certeza não te define, você está fora dos padrões impostos pela sociedade hipócrita, das mulheres serem tão magras que posso ver através delas. _ A menor sorri. – Isso é h******l, existe gosto para tudo. Mas ainda assim, mesmo com sua saída de padrão, és linda, Diana, quem não ver é cego, por isso eu digo que tem que se valorizar por si mesma e não por outras pessoas. Você só poderá amar alguém de verdade quando se amar.             A loira não disse mais nada, olhou para baixo e observou seu corpo coberto pelo vestido colado. Ela se sentia f**a quando vestia aquelas roupas, mas ao mesmo tempo sabia que era necessário, a aceitação era um processo pelo qual a pequena Belfort iria passar, mas ela teria pessoas ao seu lado lhe ajudando. - Obrigada, Xavier. - Seja feliz, senhorita, isso já o suficiente.             A menor sorri e sente os lábios do homem em sua testa, como dito, tinham pessoas ao seu redor que fariam esse processo de aceitação ser mais fácil. ................................................. - Cinema? _ A mais nova pergunta. - O que? Você não gosta? Podemos ir para outro lugar. _ Gabriela falou rápido, estavam de mãos dadas a caminho da entrada do cinema no shopping. - Tudo bem, não sendo filme de terror.             A mais velha sorri e puxa a outra para mais perto, beijando perto do seu lábio. Escolheram uma comédia romântica, entraram na sala escura com um copo grande de pipoca e dois de refrigerante, se sentaram nos seus lugares e logo o filme começou. Elas olhavam e sorriam dos personagens. Então Gabriela levou sua mão até a perna da loira e apertou com firmeza a pele da coxa exposta pelo vestido, Diana estremeceu e suspirou. - Tudo bem?             Diana concorda, estava paralisada, então Gabriela se aproxima e beija seu pescoço de leve, queria controlar seus atos, no entanto desde que viu a garota de lingerie e agora a vendo naquele vestido que seria tão fácil o acesso, estava enlouquecendo, mas de uma forma boa. - Você está tão cheirosa. - Gaby... _ A voz da menor sai como um gemido. - Tão linda.             A menor olha para o lado e tem os lábios da mais velha muito próximos. Suspira e não resiste, se aproxima e toca-os com os seus, Gabriela coloca sua outra mão na nuca da loira e segura firme nos fios dourados, ela se impressionava em como a mais nova era boa naquilo, evitou pensar em como ou com quem aprendeu, até então pensou que a garota tinha dezenove anos, mas tem quinze, com certeza aquilo fazia muita diferente, ao lembrar disso a maranhense se afastou rápido, se perdesse o controle não se perdoaria. - Você está me deixando louca, Diana, você... _ Disse, fechando os olhos com força ao se afastar um pouco. - Você sempre se contém, você não me quer, não é? Claro que não, você é tão linda, tão mulher, como poderia querer uma pessoa como eu? Nova, inexperiente e gorda. _ As palavras pegaram a mais velha de surpresa. Aquilo era doloroso de ouvir, principalmente vindo de uma garota tão linda como Diana. - O que? De onde você tirou isso? - Shi.             Elas escutaram alguém reclamar, então Gabriela olhou para os lados e se levantou, puxando a garota pela mão, logo estavam fora da sala, em um pequeno corredor que dava para fora da ala de cinema. - Que m***a você está falando? - Sejamos sinceras, Gabriela, você está arrependida. Eu era algo para você, peço desculpas, mas você se apaixonou por alguém que não sou de verdade. Eu tenho quinze anos, sou tão rica que poderia não trabalhar pelo resto da vida e mais umas quatro gerações seguintes, uma gorda virgem que... - Para, para de falar isso, pelo amor de Deus, o que você está falando? - Você... _ Diana lutava contra as lágrimas. – Você m*l me toca, claro que está arrependida, mas o que eu poderia esperar? Uma mulher linda como você e... - Pare! Você acha que... m***a! Acha que não te toco por sua aparência? Que d***a. Diana, eu a vi hoje apenas de lingerie e só pensava em tocar em você, eu penso em você das piores maneiras possíveis, eu desejo você tanto que poderia tê-la agora, contra essa parede, você é incrível e pelo amor de Deus, para de dizer que é gorda, que se dane os padrões, que se dane isso. Você é linda, mais que qualquer mulher magra sem curvas, você é linda. Perfeita. _ Gabriela diz, se aproximando, quase colando os lábios, pressionando a outra contra a parede com o seu corpo. - Por que você para? - Di, você só tem quinze anos, é virgem, eu nunca me perdoaria se fizesse isso de qualquer forma, apesar do meu corpo clamar por seu toque. _ Ela suspira. – Seu cheiro. _ Coloca o nariz no pescoço da menor, roçando lentamente. – Seu beijo. _ Volta a encostar os lábios. – Eu desejo você mais que qualquer outra.             Diana m*l respirou, pois sentiu lábios contra os seus, deliciosos e macios, porém também voraz, firme e sedutor. A loira menor gemeu, fazendo o corpo da maior estremecer. - Você sente isso? Porque eu sinto, Di, eu sinto cada fibra do meu corpo desejar o seu, nunca duvide disso, eu só não posso fazer de qualquer jeito, você é especial, entenda isso. - Desculpa. - Nunca mais repita essas besteiras, você é linda, maravilhosa, você não é gorda, mesmo que fosse fora dos padrões, seria linda do mesmo jeito. _ A mão direita da mais velha acaricia a lateral do rosto de Diana que acaba sorrindo fraco. - Vamos para o meu hotel. _ Apesar de precisar dizer não, Gabriela não era de ferro, só rezaria para que seu desejo permanecesse controlado. - Vamos para o seu hotel. 
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