Capítulo 5

1433 Words
Sábado chegou, e Cristina praticamente invadiu minha casa para se arrumar comigo, como se tivesse medo de eu desistir de sair no último minuto. Enquanto ela espalhava maquiagem pela cama e experimentava brincos na frente do espelho, eu terminava de fechar o zíper do meu vestido justo, tentando ignorar o nervosismo estranho que sentia. — Espero que esses seus amigos não sejam uns safadinhos achando que vão me levar pra cama — falei, cruzando os braços. — Eu só quero me divertir. Cristina soltou uma gargalhada alta. — Pois eu quero me divertir na cama também. Revirei os olhos. — Você é louca. — Amiga, o que é uma boa noite de farra sem uma super transa? Não teria graça nenhuma. Balancei a cabeça rindo, mesmo tentando parecer séria. Quando terminamos de nos arrumar, quase me assustei ao me olhar no espelho. O vestido marcava cada curva do meu corpo, deixando minhas pernas e cintura ainda mais destacadas. Cristina também estava linda com uma calça justa e uma blusa brilhante que combinava perfeitamente com o jeito atrevido dela. Pouco tempo depois chegamos ao bar onde os rapazes esperavam. O lugar estava cheio, música alta, cheiro de bebida e perfume misturados no ar. Assim que nos aproximamos da mesa, Cristina abriu um sorriso enorme. — Oi! Tudo bem? A gente foi pontual? Antes que alguém respondesse, um homem alto se levantou rapidamente. Ele veio diretamente até mim e estendeu a mão. — Meu nome é Fabrício… e você deve ser a Maria. Apertei sua mão, mas ele segurou firme demais, mantendo os olhos presos nos meus. — Sim… pelo jeito você já ouviu falar de mim. Ele sorriu de lado. — Ouvi, e muito bem. Confesso que fiquei curioso. Cristina já percebeu o clima e abriu um sorriso malicioso. — Estou vendo que vocês já estão se dando super bem. Então vamos beber e dançar porque a noite só está começando. Fabrício se aproximou um pouco mais. — Ótima ideia. Vamos dançar essa música, Maria? Aceitei. Naquele momento pensei que talvez tivesse sido mesmo uma boa ideia sair. Eu precisava esquecer um pouco Tenório… aquele homem bruto, mandão… e irresistível. Passei boa parte da noite dançando, bebendo e rindo das histórias absurdas de Cristina. Ela fazia todos da mesa gargalharem sem esforço. Até que, de repente, ela ficou em silêncio. Estranhei na mesma hora. Olhei para ela e depois virei discretamente para trás tentando descobrir o motivo daquela mudança. E então eu vi. Tenório. Ele estava parado no balcão pedindo bebida. Tirou o chapéu devagar e passou os dedos pelos cabelos, ajeitando-os com calma. Meu coração acelerou na mesma hora. Voltei o rosto rapidamente para frente tentando fingir naturalidade, mas meu corpo inteiro ficou tenso. — Será que hoje vai ter barraco também? — Cristina cochichou perto do meu ouvido. — Mulher, cala essa boca — respondi imediatamente. — Nem fala isso. Vou ficar quieta na minha. E de qualquer forma… a gente não tem nada. Faz dias que nem nos falamos. Cristina arqueou a sobrancelha. — Ele já me viu… e acabou de perceber você também. Disfarça e nem olha pra trás. Meu estômago virou. Mesmo sem olhar diretamente, eu conseguia sentir Tenório me encarando. Poucos segundos depois percebi que ele mudou de lugar no balcão só para ficar de frente para mim. Tentei evitar, mas nossos olhos acabaram se cruzando. Foi inevitável. Cristina suspirou dramaticamente. — Sempre lindo… tudo combina naquele homem. Amiga, não fica com ciúme não, mas eu no seu lugar já tava lá. — Deixa de loucura. Ela riu. — Eu digo o mesmo pra você. Tenório então fez um sinal discreto com a mão me chamando para dançar. E eu aceitei. Claro que aceitei. Assim que me aproximei, ele pousou a mão firme na minha cintura. — Você está muito bonita — disse com aquela voz grave que mexia comigo inteira. — E seu namorado ali? Olhei rapidamente para Fabrício sentado na mesa. — Não é meu namorado. Só amigo da Cristina. Os olhos dele pareceram mais tranquilos. — Então você pode tomar um copo de uísque comigo? Balancei a cabeça negativamente. — Melhor não. Mas Tenório ignorou minha resistência. Ele se aproximou ainda mais, colando o corpo no meu enquanto deslizava os lábios devagar pelo meu pescoço. Meu corpo arrepiou inteiro. Tentei me afastar. — É melhor a gente deixar as coisas como estão. Só que ele me segurou com mais força pela cintura. Meu coração parecia completamente fora de controle. Quando a música terminou, aproveitei a chance para voltar rapidamente para a mesa. Cristina continuava contando histórias e fazendo todos rirem, mas eu já não conseguia prestar atenção em mais nada. Tenório voltou para o salão e começou a dançar com outra mulher. Eu sabia que ele estava fazendo aquilo para me provocar. E pior que estava funcionando. Fabrício ainda tentava me chamar para dançar, mas comecei a recusar todas as vezes. Tenório não parava de olhar para mim e parecia já ter bebido quase uma garrafa inteira de uísque sozinho. Aquilo começou a me incomodar. Muito. Me aproximei de Cristina. — Vou embora. Vou esperar o Fabrício ir no banheiro para ele não insistir em me acompanhar. Depois você inventa alguma desculpa por mim. Ela ficou séria. — É melhor mesmo… mas já está tarde pra você sair sozinha. — Não tem problema. Vou rápido. Esperei o momento certo e saí discretamente do bar. A noite estava silenciosa e as ruas quase vazias. Eu já tinha atravessado duas ruas quando percebi um carro vindo devagar ao meu lado. Quando olhei, reconheci Tenório imediatamente atrás do volante. — Entra. Eu te deixo em casa. — Não precisa. Ele parou o carro bruscamente, desceu e segurou meu braço. — Para de ser orgulhosa e cabeça dura. É perigoso você andar sozinha uma hora dessas. Entra logo antes que eu coloque você aí à força. Bufei irritada. Mas no fundo sabia que ele não desistiria. Acabei entrando no carro. Depois de alguns minutos percebi que ele estava indo para outro caminho. — Minha casa não é por aqui. — Vou passar na fazenda primeiro. Esqueci meu celular no escritório. Tudo bem? Suspirei. — Sim. Quando chegamos, ele desligou o carro e olhou ao redor da escuridão. — Prefiro que você venha comigo. Está muito escuro aqui fora. Desci sem discutir. Entramos no escritório em silêncio. Tenório encontrou o celular rapidamente em cima da mesa. Então ele se virou para mim. Os olhos intensos. Perigosos. — Acho que agora que estamos sozinhos podemos conversar sobre tudo que aconteceu. Cruzei os braços tentando manter o controle. — Acho que já está um pouco tarde pra isso. Ele deu um passo na minha direção. — Por que você sempre se faz de difícil? Minha presença é tão r**m assim? Meus beijos… meus abraços? Meu coração disparou. Comecei a recuar até sentir minhas costas encostarem na mesa. Tenório aproximou o rosto do meu lentamente e beijou meu pescoço devagar, subindo até minha boca. Fechei os olhos imediatamente. Era impossível resistir. Ele me ergueu com facilidade, sentando-me sobre a mesa enquanto seus beijos ficavam cada vez mais intensos. Minhas mãos puxaram sua camisa sem perceber. Tudo entre nós parecia incêndio. Desejo acumulado. Saudade m*l resolvida. Tenório me abraçava forte, como se tivesse medo de eu escapar outra vez. — Isso era tudo o que eu queria — ele murmurou contra minha boca. — Não consigo parar de pensar em você. Passei os dedos pelo rosto dele sentindo meu corpo inteiro estremecer. — Eu também só consigo pensar em você. O resto da noite desapareceu ao nosso redor. O escritório silencioso, a luz fraca, o mundo inteiro parecia distante enquanto ficávamos ali abraçados, perdidos um no outro. Horas depois, os primeiros sinais do amanhecer começaram a clarear a sala. Tenório beijou minha testa demoradamente antes de se levantar. — Isso está bom demais… mas é melhor eu te deixar em casa antes que alguém encontre nós dois aqui. Me vesti em silêncio, ainda tentando entender tudo que tinha acontecido. No caminho até minha casa, o clima entre nós continuava intenso. Quando ele estacionou em frente ao portão, segurou meu rosto antes que eu descesse. — Não esquece de uma coisa. Olhei diretamente para ele. — O quê? Os olhos dele prenderam os meus. — Agora você é minha. E eu não quero mais você em bares com os amigos da Cristina sem que eu esteja por perto. Senti meu rosto esquentar imediatamente. Sorri sem conseguir evitar. Então abri a porta do carro e desci, ainda sentindo o gosto do beijo dele nos meus lábios.
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