A Escolhida De César

1170 Words
Cara esperava em sua bicicleta em frente ao ponto de ônibus e logo avistou Gael, sorrindo ao vê-lo com a mochila pendurada de um lado e o cabelo bagunçado pelo vento. Ele caminhou até ela animado, falando sem parar sobre o dia na escola. Enquanto voltavam para casa, ela observou um anúncio enorme em um outdoor: “A empresa Vasquez está contratando com urgência uma assistente pessoal. Entrevistas ainda hoje!” Cara arregalou os olhos; o seu coração disparou. — Você viu isso, Gael? — perguntou, animada. — O anúncio, mãe? — perguntou ele, observando o outdoor à frente deles. Ele ainda era pequeno, mas já tinha aprendido a ler e sabia o que aquelas palavras enormes significavam. — Uma vaga de emprego! — Ela mordeu o lábio, já decidida. — Vamos rápido para casa. Assim que chegaram, Cara praticamente arrastou o filho para dentro e o deixou com Lucia, que estava na sala dobrando roupas. — Lucia! Você não vai acreditar! — Cara falou, quase sem fôlego. — Acabei de ver um anúncio: a empresa Vasquez está com vaga de assistente pessoal. Preciso ir à entrevista! Lucia arqueou uma sobrancelha, surpresa com a empolgação da amiga. — Hoje? Você tem certeza? — Ela já tinha cansado de dizer a Cara que não precisava se preocupar com emprego por enquanto, mas ao ver os olhos dela brilhando daquela forma, apenas se conteve. — Absoluta! Não posso perder essa chance. — Cara falou, determinada. Vendo que a amiga não desistiria, Lucia suspirou, pegou as suas chaves e entregou a Cara. — Então leve o meu carro e vá logo. Mas, por favor, volte com boas notícias. Boa sorte, querida. — disse, dando um tapinha em seu ombro. Cara a abraçou rapidamente, correu para trocar de roupa, vestindo algo simples, mas elegante, e saiu apressada rumo à empresa. A recepção da Vasquez Corp. era impecável, com mármore no chão e paredes envidraçadas. Cara respirou fundo antes de ser chamada por Lana, a responsável pela seleção. — Sente-se, por favor. — Lana sorriu calorosamente. — Vejo aqui que você veio para a vaga de assistente pessoal. Pode me falar sobre a sua experiência? Cara engoliu em seco. Aquela era a pergunta que ela temia, porque era justamente o que não poderia oferecer à empresa. — Na verdade… eu não tenho experiência como assistente. O sorriso de Lana vacilou por um instante. Ela havia gostado da mulher à sua frente, mas como a vaga era urgente, precisava de alguém com alguma experiência na função. — Entendo. — Ela fechou a pasta diante dela. — Cara, você parece muito dedicada e gostei de você, mas infelizmente precisamos de alguém com experiência imediata. As palavras bateram como um balde de água fria. Cara agradeceu educadamente e saiu cabisbaixa. Mais uma porta tinha se fechado para ela por não ter experiência, e aquilo a estava matando por dentro. Ao sair do prédio, com os olhos marejados, ela esbarrou em alguém. Quando ergueu o rosto, encontrou César, que estava entrando. — Cara? — Os olhos dele brilharam ao vê-la. — Que surpresa boa! Ela tentou sorrir, mas as lágrimas começaram a descer. Ele franziu a testa, preocupado ao ver a mulher tão simpática que o tinha ajudado da outra vez. — Ei… o que aconteceu? — perguntou, observando-a limpar os olhos. — Nada… é bobeira. — Ela limpava o rosto com pressa, com medo de que outras pessoas a vissem chorando daquela forma. — Não parece bobeira. Vem, vamos tomar um café. — disse ele, oferecendo o braço com aquele jeito protetor. Ela hesitou, mas aceitou. No café em frente à empresa, César a ouviu atentamente. — Então você não passou? — perguntou. — Não… era para a vaga de assistente pessoal. Eles disseram que eu não tenho experiência. — respondeu ela, desapontada. César inclinou a cabeça, pensativo. — Para a empresa à nossa frente? — perguntou ele, querendo confirmar se era a vaga que ele havia pedido para divulgar. — Sim. — confirmou ela. — Você tem carteira de motorista? — perguntou ele. — Tenho, claro. — respondeu ela, sem entender o que ele queria com aquelas perguntas. Um sorriso surgiu no rosto dele. Afinal, poderia fazer algo pela mulher que o tinha ajudado de forma tão amável da outra vez. — Ótimo. Então está resolvido. Cara o olhou, confusa. — Como assim, resolvido? — perguntou, sem entender o que ele queria dizer. — Porque a vaga era para mim, Cara. — disse ele, com simplicidade. — Eu precisava de uma assistente pessoal… e acabei de encontrar a pessoa certa. Ela piscou, surpresa. — Você está falando sério? — perguntou ela. Ele assentiu. — Muito. Vamos. — disse ele, pegando a mão dela e saindo do café rapidamente. César a levou de volta à empresa e entrou diretamente na sala de Lana. — Lana, já escolhi a minha assistente. — disse ele, entrando com Cara ao seu lado. Quando Lana viu Cara, abriu um sorriso satisfeito. Ela não entendia por que César tinha escolhido Cara, mas estava contente com a decisão. Sabia que a mulher à sua frente não lhe daria trabalho na empresa. — Sabia que você ia gostar dela, César. Bem-vinda, Cara. O coração de Cara disparou. Em poucas horas, sua vida tinha dado uma reviravolta completa. — Está falando sério? — perguntou ela, olhando para eles. — Sim, querida, você me ajudou quando eu precisei e estou retribuindo o favor. Sei que vai gostar de trabalhar aqui. — respondeu ele com tranquilidade. — Sim, temos ótimos planos de carreira, Cara. — disse Lana, sorrindo. — Oferecemos alimentação na empresa, vale-transporte e, se você quiser fazer faculdade, a empresa oferece bolsa de estudos também. Os olhos de Cara brilharam com aquelas palavras. — Sério? — perguntou animada. — Sim, e como minha assistente você terá outros benefícios, já que terá que ficar disponível mais horas. — disse César. Os olhos de Cara escureceram e o sorriso que tinha em seus lábios sumiu por completo. — O que foi, querida? Tem algum problema? — perguntou Lana. — Eu tenho um filho pequeno que chega de tarde da escola. — disse ela, constrangida. — Posso resolver isso. Se ele for tranquilo, você pode trazê-lo para a empresa nos dias em que ficarmos até mais tarde. — disse César. Ele não se importava com a presença de uma criança na empresa, desde que ela se comportasse. — Faria mesmo isso por mim, César? — perguntou ela, emocionada. — Farei, querida. Quero ser o responsável por treinar a melhor assistente pessoal desta cidade. — respondeu ele, sorrindo. — Então eu vou adorar trabalhar para o senhor. — disse ela, sorrindo. — Ótimo. A Lana te explicará tudo e lhe dirá o horário em que deve estar aqui. Vejo você amanhã. — disse ele, despedindo-se e saindo. — O senhor César é uma pessoa maravilhosa, Cara. Espero que você tenha sucesso por aqui. — disse Lana, apontando uma cadeira. Ela tinha uma boa sensação sobre a jovem à sua frente.
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