Cara esperava em sua bicicleta em frente ao ponto de ônibus e logo avistou Gael, sorrindo ao vê-lo com a mochila pendurada de um lado e o cabelo bagunçado pelo vento. Ele caminhou até ela animado, falando sem parar sobre o dia na escola.
Enquanto voltavam para casa, ela observou um anúncio enorme em um outdoor: “A empresa Vasquez está contratando com urgência uma assistente pessoal. Entrevistas ainda hoje!”
Cara arregalou os olhos; o seu coração disparou.
— Você viu isso, Gael? — perguntou, animada.
— O anúncio, mãe? — perguntou ele, observando o outdoor à frente deles. Ele ainda era pequeno, mas já tinha aprendido a ler e sabia o que aquelas palavras enormes significavam.
— Uma vaga de emprego! — Ela mordeu o lábio, já decidida. — Vamos rápido para casa.
Assim que chegaram, Cara praticamente arrastou o filho para dentro e o deixou com Lucia, que estava na sala dobrando roupas.
— Lucia! Você não vai acreditar! — Cara falou, quase sem fôlego. — Acabei de ver um anúncio: a empresa Vasquez está com vaga de assistente pessoal. Preciso ir à entrevista!
Lucia arqueou uma sobrancelha, surpresa com a empolgação da amiga.
— Hoje? Você tem certeza? — Ela já tinha cansado de dizer a Cara que não precisava se preocupar com emprego por enquanto, mas ao ver os olhos dela brilhando daquela forma, apenas se conteve.
— Absoluta! Não posso perder essa chance. — Cara falou, determinada.
Vendo que a amiga não desistiria, Lucia suspirou, pegou as suas chaves e entregou a Cara.
— Então leve o meu carro e vá logo. Mas, por favor, volte com boas notícias. Boa sorte, querida. — disse, dando um tapinha em seu ombro.
Cara a abraçou rapidamente, correu para trocar de roupa, vestindo algo simples, mas elegante, e saiu apressada rumo à empresa.
A recepção da Vasquez Corp. era impecável, com mármore no chão e paredes envidraçadas. Cara respirou fundo antes de ser chamada por Lana, a responsável pela seleção.
— Sente-se, por favor. — Lana sorriu calorosamente. — Vejo aqui que você veio para a vaga de assistente pessoal. Pode me falar sobre a sua experiência?
Cara engoliu em seco. Aquela era a pergunta que ela temia, porque era justamente o que não poderia oferecer à empresa.
— Na verdade… eu não tenho experiência como assistente.
O sorriso de Lana vacilou por um instante. Ela havia gostado da mulher à sua frente, mas como a vaga era urgente, precisava de alguém com alguma experiência na função.
— Entendo. — Ela fechou a pasta diante dela. — Cara, você parece muito dedicada e gostei de você, mas infelizmente precisamos de alguém com experiência imediata.
As palavras bateram como um balde de água fria. Cara agradeceu educadamente e saiu cabisbaixa. Mais uma porta tinha se fechado para ela por não ter experiência, e aquilo a estava matando por dentro.
Ao sair do prédio, com os olhos marejados, ela esbarrou em alguém. Quando ergueu o rosto, encontrou César, que estava entrando.
— Cara? — Os olhos dele brilharam ao vê-la. — Que surpresa boa!
Ela tentou sorrir, mas as lágrimas começaram a descer. Ele franziu a testa, preocupado ao ver a mulher tão simpática que o tinha ajudado da outra vez.
— Ei… o que aconteceu? — perguntou, observando-a limpar os olhos.
— Nada… é bobeira. — Ela limpava o rosto com pressa, com medo de que outras pessoas a vissem chorando daquela forma.
— Não parece bobeira. Vem, vamos tomar um café. — disse ele, oferecendo o braço com aquele jeito protetor. Ela hesitou, mas aceitou.
No café em frente à empresa, César a ouviu atentamente.
— Então você não passou? — perguntou.
— Não… era para a vaga de assistente pessoal. Eles disseram que eu não tenho experiência. — respondeu ela, desapontada.
César inclinou a cabeça, pensativo.
— Para a empresa à nossa frente? — perguntou ele, querendo confirmar se era a vaga que ele havia pedido para divulgar.
— Sim. — confirmou ela.
— Você tem carteira de motorista? — perguntou ele.
— Tenho, claro. — respondeu ela, sem entender o que ele queria com aquelas perguntas.
Um sorriso surgiu no rosto dele. Afinal, poderia fazer algo pela mulher que o tinha ajudado de forma tão amável da outra vez.
— Ótimo. Então está resolvido.
Cara o olhou, confusa.
— Como assim, resolvido? — perguntou, sem entender o que ele queria dizer.
— Porque a vaga era para mim, Cara. — disse ele, com simplicidade. — Eu precisava de uma assistente pessoal… e acabei de encontrar a pessoa certa.
Ela piscou, surpresa.
— Você está falando sério? — perguntou ela.
Ele assentiu.
— Muito. Vamos. — disse ele, pegando a mão dela e saindo do café rapidamente.
César a levou de volta à empresa e entrou diretamente na sala de Lana.
— Lana, já escolhi a minha assistente. — disse ele, entrando com Cara ao seu lado.
Quando Lana viu Cara, abriu um sorriso satisfeito. Ela não entendia por que César tinha escolhido Cara, mas estava contente com a decisão. Sabia que a mulher à sua frente não lhe daria trabalho na empresa.
— Sabia que você ia gostar dela, César. Bem-vinda, Cara.
O coração de Cara disparou. Em poucas horas, sua vida tinha dado uma reviravolta completa.
— Está falando sério? — perguntou ela, olhando para eles.
— Sim, querida, você me ajudou quando eu precisei e estou retribuindo o favor. Sei que vai gostar de trabalhar aqui. — respondeu ele com tranquilidade.
— Sim, temos ótimos planos de carreira, Cara. — disse Lana, sorrindo. — Oferecemos alimentação na empresa, vale-transporte e, se você quiser fazer faculdade, a empresa oferece bolsa de estudos também.
Os olhos de Cara brilharam com aquelas palavras.
— Sério? — perguntou animada.
— Sim, e como minha assistente você terá outros benefícios, já que terá que ficar disponível mais horas. — disse César.
Os olhos de Cara escureceram e o sorriso que tinha em seus lábios sumiu por completo.
— O que foi, querida? Tem algum problema? — perguntou Lana.
— Eu tenho um filho pequeno que chega de tarde da escola. — disse ela, constrangida.
— Posso resolver isso. Se ele for tranquilo, você pode trazê-lo para a empresa nos dias em que ficarmos até mais tarde. — disse César. Ele não se importava com a presença de uma criança na empresa, desde que ela se comportasse.
— Faria mesmo isso por mim, César? — perguntou ela, emocionada.
— Farei, querida. Quero ser o responsável por treinar a melhor assistente pessoal desta cidade. — respondeu ele, sorrindo.
— Então eu vou adorar trabalhar para o senhor. — disse ela, sorrindo.
— Ótimo. A Lana te explicará tudo e lhe dirá o horário em que deve estar aqui. Vejo você amanhã. — disse ele, despedindo-se e saindo.
— O senhor César é uma pessoa maravilhosa, Cara. Espero que você tenha sucesso por aqui. — disse Lana, apontando uma cadeira. Ela tinha uma boa sensação sobre a jovem à sua frente.