O CEO Sem Coração

1056 Words
César ria da cara do filho ao sair do elevador. Ele não havia gostado de sua piada, mas aquilo não o incomodava; já estava acostumado com o jeito do filho. — Senhor, bem-vindo de volta. — disse a secretária, levantando-se assim que viu César. — Olá, Ivy. É bom saber que ainda está por aqui. — disse César, encarando o filho com a sobrancelha arqueada. — Me recuso a responder isso. — disse Rycon, entrando em seu escritório sem olhar novamente para o pai. César apenas acompanhou o filho e sentou-se no sofá de sua sala. — Vou pedir para que divulguem a vaga para minha assistente. Pretendo contratar alguém ainda hoje. — disse ele, decidido. César podia ter um humor ácido às vezes, mas reconhecia a sua importância para o bom andamento da empresa e não deixaria mais trabalhos pesados sobre as costas do filho. Rycon já tinha muito com o que lidar. — Faça isso. Vou revisar alguns documentos. — disse ele, sentando-se à sua mesa e pegando a pilha de papéis no canto. Infelizmente, Rycon era um homem muito desconfiado e fazia questão de verificar tudo antes de assinar qualquer documento. César deixou a sala e foi até o RH da empresa. Queria resolver logo aquilo e esperava encontrar alguém de confiança para estar ao seu lado. — Olá, Lana. — disse César ao entrar no setor de RH. — Graças aos céus que o senhor está aqui, senhor César. — disse a mulher de meia-idade, retirando os óculos do rosto e massageando os olhos. — O que houve? — perguntou ele, preocupado. — Tem sido difícil nos últimos dias com o senhor Rycon. — disse ela com um olhar sugestivo. César olhou para a mulher e começou a rir. Ele sabia que seu filho era difícil, mas não imaginava que estivesse provocando tanto caos em sua ausência. — Não se preocupe, querida. Vou resolver tudo. — disse ele de forma tranquila. — Espero que sim, senhor César. Mas o que posso fazer por você hoje? — Preciso que divulgue uma nota urgente. — disse ele, prendendo a atenção da mulher. — Preciso de uma assistente pessoal, ainda para hoje. — Será difícil encontrar alguém assim tão rápido. — disse ela, pensativa. — Se isso não acontecer, vocês vão passar mais tempo com meu filho. — disse ele com a sobrancelha arqueada. O rosto da mulher empalideceu com as palavras de César. — Farei imediatamente uma divulgação em todas as mídias disponíveis, senhor. Até de tarde o senhor terá sua assistente pessoal. — disse ela com um olhar determinado. Lana tremia apenas ao pensar em passar mais um dia lidando com os problemas que Rycon causava com a sua presença na empresa. Ela preferia mil vezes lidar com César, que era mais tranquilo e compreensivo, do que com o filho de pavio curto. — Isso é bom. Vou ficar por aqui até de tarde. Quando encontrar a pessoa ideal, mande-a para minha sala para ver se serve para mim. — Farei isso, senhor. — disse ela, já se virando para o computador. César sorriu. Ele entendia o motivo de seu filho ter pulso firme na empresa. Se ele não tivesse um bom controle sobre o que acontecia, as coisas poderiam virar uma bagunça, e não era isso que eles queriam. — César! Preciso falar com você. — disse um acionista, marchando em sua direção. César praguejou ao ver o homem. — Olha, Roberto, estou um pouco ocupado agora. — disse, tentando se desvencilhar dele. — Vai ser rápido. — disse Roberto, puxando César para o refeitório. César pegou o seu café e sentou-se a uma das mesas. Já imaginava o que viria a seguir e sua paciência estava curta. — Assuma a presidência. — disse Roberto de uma só vez, fazendo César quase engasgar com o café. — Você ficou louco! — disse, em voz baixa. — Não. Estou com a mente bem sã. Com todo respeito, seu filho não serve para isso. A última reunião foi um fracasso e ele ainda nos ameaçou como se não fôssemos nada. — disse o homem, trincando os dentes de raiva. — Meu filho pode ter alguns problemas de personalidade, Roberto, mas você não pode negar que a empresa cresceu bem mais depois que ele assumiu. — respondeu César, sério. Odiava que falassem assim de seu filho. — Isso é irrelevante. Ele não serve para esse cargo. Roberto levou um susto quando uma mão segurou com força seus ombros, apertando-os. À sua frente, César tentava segurar o riso com o que via. — Então eu não sirvo para o que faço. — disse Rycon, apertando ainda mais os ombros do homem, fazendo-o encolher na cadeira. — Não foi isso que eu... — Vai voltar atrás no que disse, Roberto? — perguntou Rycon, soltando-o e colocando-se à sua frente. Roberto queria desaparecer ao ver a forma como Rycon o olhava. Ele estava além do ódio. — Me desculpe, senhor Rycon, mas é apenas a verdade. — disse o homem. — Vocês! — gritou Rycon no refeitório, chamando a atenção de todos. — Eu sou incompetente? As pessoas olharam com os olhos arregalados, sem ousar responder. — RESPONDAM! — A empresa cresceu com o seu gerenciamento, senhor. Isso prova sua competência. — disse Geovani, entrando no refeitório com um tablet nas mãos. — Obrigado por esclarecer, Geovani. — disse Rycon. — Providencie a compra das ações de Roberto. — Você não pode fazer isso! — disse Roberto, desesperado. — Em primeiro lugar, fale baixo, você não está na sua casa. Em segundo, as ações são do seu pai, e duvido que ele não venda pelo valor que vou oferecer. — disse Rycon com um sorriso de canto. — Senhor, o senhor Souza aceitou vender as ações. — disse Geovani ao telefone. — Feche pelo valor que ele pedir. — respondeu Rycon tranquilamente. — E chamem a segurança para escoltar o senhor Roberto para fora da minha empresa. — Claro, senhor. — disse Geovani, tranquilo. — Você não pode fazer isso! Eu trabalho nesta empresa há anos! — Não trabalha mais. — disse Rycon, virando as costas quando os seguranças entraram no refeitório. Rycon saiu com um sorriso no rosto. Se as pessoas pensavam que o manipulá-lo seria tão fácil quanto haviam feito com seu pai, estavam redondamente enganadas.
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