Manhã de Novos Ares

1031 Words
O despertador tocou ainda antes do sol nascer. Rycon abriu os olhos lentamente, espreguiçando-se com preguiça antes de se levantar, ele se arruma e desce para a academia que tinham na sua casa, depois de uma hora de exercícios ele volta para o quarto, suado e satisfeito. Entrando no chuveiro e deixou que a água quente caísse sobre ele, lavando não apenas o cansaço, mas também os resquícios do dia anterior. Quando saiu do banho, vestiu-se com um terno impecável, o cabelo perfeitamente alinhado e a barba bem aparada. Ao se olhar no espelho, quase não se reconheceu. Quem o visse agora jamais imaginaria que no dia anterior ele havia entrado na empresa de botas empoeiradas e chapéu de couro, com aquele ar despreocupado que tanto irritava os executivos. Descendo para a cozinha, sentiu o cheiro familiar de café fresco. Para sua surpresa, César estava sentado à mesa, vestindo um elegante terno de trabalho. — Pai? — Rycon arqueou as sobrancelhas, pegando uma caneca de café. — Isso é sério? César ergueu os olhos do jornal e deu um leve sorriso. — Resolvi aceitar a tua sugestão. Vou voltar para a empresa mais cedo. — Rycon quase suspirou de alívio. — Finalmente! — Mas... — César levantou o braço engessado. — Como ainda não posso usar isto aqui, vou contratar uma secretária para me ajudar enquanto me recupero. Rycon soltou uma risada curta, aliviado. — Que bom que gostou da minha ideia. Isso vai ajudar muito. César inclinou-se para a frente, com um sorriso malandro. — Ou eu podia simplesmente te deixar lá mais uns dias... sofrendo com os executivos no meu lugar. — Rycon bufou, revirando os olhos, mas não conteve o riso. — Não brinca com isso, pai.— Diz ele sentindo o seu corpo se arrepiar só de imaginar mais uma reunião com os executivos. Rycon e César tinha uma dinâmica que dava certo na empresa. Rycon lidava com a parte burocrática e prática, resolvendo tudo o que precisasse, e César cuidava das reuniões e dos encontros com novos investidores. Rycon só aparecia naqueles eventos quando era realmente necessário, ele odiava aquele ambiente de aparências que as pessoas construiam a sua volta. — E a mãe? Quando ela volta do exterior? O semblante de César mudou para um misto de frustração e derrota. A sua esposa era um assunto delicado, ainda amais depois do que tinha acontecido. — Enquanto aquela mulher tiver dinheiro no cartão, esquece. Não volta nunca. Rycon caiu na gargalhada, encostando-se na cadeira, algo que era dificil de sse ver. — Pai, você sabe que ela só foi viajar porque pegou uma funcionária dando em cima de você, não se lembra? César levantou as mãos em defesa, meio indignado, meio constrangido. A sua esposa era extremamente ciumenta e possessiva, e para sua infelicidade tinha o mesmo temperamento do filho, o que lhe dava muita dor de cabeça. Mas César sentia saudades, ele amava a mãe do seu filho mais que tudo no mundo, e por ela ele moveria céus e terra. — Ei! Eu não fiz nada! — Depois do ocorrido a esposa de César havia arrastado a pobre mulher pelos cabelos enquanto todos olhavam, ela havia a jogado na rua e a demitido pelo que tinha feito. E é claro a mulher havia processado a empresa e a sua esposa e ele havia tido que pagar um bom dinheiro de indenização para a mulher. Mas sua esposa estava satisfeita e isso era o que importava para ele. — Pois é, mas tenta convencer a mãe disso. — Rycon riu mais ainda, enquanto César resmungava qualquer coisa incompreensível. O ambiente da cozinha encheu-se com aquele riso leve, quebrando dias de tensão. Pela primeira vez em muito tempo, Rycon sentiu que as coisas estavam começando a voltar aos eixos. — Ela vai voltar, vou bloquear o cartão dela. — Diz César com um sorriso travesso no rosto. — Não é mais fácil apenas ligar para ela? — Pergunta Rycon achando um tanto dramático o comportamento do seu pai. — Ela me bloqueou. — Diz ele carrancudo. Rycon tentou não rir com as palavras de seu pai, mas não conseguiu. Era engraçado ver a forma que seus pais se comportava, mas apesar de toda a brincadeira ele sabia que os dois se amavam muito, e para ele aquilo era o suficiente. — Então vamos, porque quando ela descobrir que você bloqueou o cartão dela eu não quero nem estar perto. — Diz ele se levantando. — Nada, eu sei aclamar a fera. — Diz ele sorrindo como se aquilo não fosse nada de mais. — Já encomendei antecipadamente a nova coleção daquela grife de joias que ela gosta. Rycon apenas caminha para fora sem acreditar nas palavras de seu pai, mas ele tinha que admitir que ele era esperto, sua mãe jamais ficaria brava com ele depois que recebesse os seus presentes. Quando chegam a empresa, Rycon percebe que a menina que tinha o atendido no dia anterior não estava mais na recepção da empresa, ele caminha até o balcão e vê a forma que a outra atendente fica agitada. — Onde está a menina de ontem? — Pergunta de forma dura. A mulher olha para o chefe e engole em seco. Ela tremia diante de sua olhar de aço. — O RH a dispensou senhor. — Diz a mulher. — Mandem a recontar, e lhe dar um treinamento adequado para a função. Espero ver ela aqui até o fim da tarde. — A mulher se encolhe com as palavras dele. — Sim... sim senhor. — Diz ela. Rycon caminha em direção ao elevador com seu pai ao lado, César tinha um olhar curioso sobre o filho. — Achei que não gostasse de erros. — Diz ele. — E não gosto, mas todos precisam trabalhar. Rycon não tinha paciência com algumas coisas, mas no caso do dia anterior ele entendia que a menina não o conhecia e que estava apenas tentando fazer o seu trabalho, então não seria justo que a dispensassem por uma falha que era da empresa e não dela. — Cuidado, ou vão pensar que você tem coração. — diz César segurando o riso.
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