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1223 Words
Ao chegarem à igreja, as portas já estavam abertas, revelando um salão completamente lotado. As duas amigas de Olivia entraram discretamente e ocuparam seus lugares. Do lado de fora, Leonardo Johnson posicionou-se entre as filhas. Segurou o braço de cada uma. À sua direita estava Helena, a primogênita. Aos vinte e sete anos, exibia seus longos cabelos ruivos, os olhos verdes e um sorriso cheio de confiança. Era a filha preferida do pai, e todos sabiam disso. À esquerda estava Olivia, a caçula. Com vinte e quatro anos, cabelos loiros, olhos verdes e uma beleza delicada, mantinha a expressão serena, embora o coração estivesse acelerado. A música começou a tocar. As grandes portas da igreja se abriram. Todos os convidados se levantaram. Os fotógrafos apontaram suas câmeras, enquanto os cinegrafistas registravam cada segundo daquele momento. Os três começaram a caminhar lentamente pelo corredor central. Para quem observava de fora, parecia a cena perfeita: o poderoso empresário Leonardo Johnson conduzindo suas duas filhas ao altar no mesmo dia. Os convidados comentavam em voz baixa, admirados. — Que homem de sorte... — Casando as duas filhas no mesmo dia... — Deve ter escolhido os melhores partidos possíveis. Mas havia uma diferença gritante entre aqueles dois casamentos. No altar da direita estava André Lopes. Alto, loiro, usando um terno de grife impecável, postura arrogante e um olhar de quem se julgava superior a todos. Era rico, influente e exatamente o genro que Leonardo sempre sonhara para sua filha favorita. No altar da esquerda estava Leon Martins. Pouco mais de dois metros de altura, cabelos negros cuidadosamente penteados, barba perfeitamente feita e um olhar intenso. Vestia um terno elegante, embora simples quando comparado ao do outro noivo. Todos conheciam sua história. Um ex-presidiário. Um homem que havia perdido sua fortuna. Um nome que ainda carregava o peso dos escândalos do passado. Mesmo assim, Leon permanecia ereto, esperando Olivia com uma serenidade inesperada. Leonardo parou diante de André. Sorriu orgulhoso. Beijou a testa de Helena. — Seja feliz, minha princesa. Em seguida, colocou delicadamente a mão da filha sobre a de André. Os dois sorriram um para o outro. Depois, Leonardo caminhou até Leon. Olhou rapidamente para Olivia. Também beijou sua testa. — Faça sua parte como esposa. Sem demonstrar qualquer emoção, entregou a mão dela a Leon. Os olhos de Leon encontraram os de Olivia por um breve instante. Nenhum dos dois sorriu. A cerimônia começou. Após alguns minutos, chegou o momento da troca das alianças. André abriu uma pequena caixa de veludo. Lá dentro brilhava um enorme anel de diamante. Os convidados soltaram murmúrios de admiração. Helena abriu um largo sorriso enquanto André colocava o anel em seu dedo. Logo depois, ela colocou a aliança nele, radiante de felicidade. Em seguida, foi a vez de Olivia e Leon. Leon abriu sua caixa. O anel também era bonito e delicado, com um brilho elegante, mas muito mais discreto do que o de Helena. Sem qualquer reclamação, Olivia estendeu a mão. Leon colocou a aliança em seu dedo com cuidado. Depois, ela fez o mesmo com ele. O juiz observou os dois casais e sorriu. — Pelo poder a mim concedido, eu os declaro marido e mulher. Um aplauso tomou conta da igreja. — Os noivos podem beijar suas esposas. André segurou Helena pela cintura e lhe deu um beijo apaixonado, arrancando novos aplausos dos convidados. Ao lado deles, Leon olhou para Olivia por um instante, como se quisesse lhe dar a oportunidade de recuar. Ela apenas fez um discreto sinal de concordância. Então ele aproximou o rosto com delicadeza e depositou um beijo respeitoso em seus lábios. As câmeras registraram os dois casais, marcando o início de dois casamentos que, apesar de acontecerem no mesmo altar, prometiam seguir caminhos completamente diferentes. Na recepção preparada por Leonardo Johnson, tudo refletia luxo. Lustres enormes iluminavam o salão, garçons circulavam com taças de champanhe e uma banda tocava músicas suaves enquanto os convidados conversavam. No centro do salão, duas mesas estavam reservadas exclusivamente para os recém-casados. Em uma delas estavam Helena e André. Na outra, Leon e Olivia. Os dois permaneciam em silêncio. Comiam tranquilamente, sem trocar muitas palavras. O silêncio não era desconfortável, apenas... desconhecido. Depois de alguns minutos, Leon apoiou os talheres sobre o prato e olhou discretamente para Olivia. — Eu não gostaria de ficar até o final da festa. Ela levantou os olhos imediatamente. — Tudo bem. A hora que você quiser ir, nós iremos. Ele assentiu. — E as suas coisas? — Estão no carro reservado ali fora. Foi o carro que meu pai me deu de presente de casamento. Coloquei todas as minhas malas lá dentro. — Então é só entrarmos no carro e irmos. — Sim. Olivia olhou para o outro lado do salão e fez um pequeno gesto com a mão. As duas amigas entenderam imediatamente. Vitória e Beatriz caminharam até a mesa. Olivia sorriu. — Leon, essas são minhas melhores amigas. Vitória e Beatriz. As duas sorriram educadamente. — Muito prazer. Leon levantou-se por educação e estendeu a mão. — O prazer é meu. Depois de uma breve conversa, Olivia olhou para Vitória. — Vi... minha chave. — Claro. Vitória retirou uma chave da pequena bolsa e a entregou. — Sua carteira também. — Obrigada. As duas amigas desejaram felicidades ao casal e voltaram para seus lugares. Olivia então colocou a chave e a carteira na frente de Leon. — Aqui. Ele olhou para os objetos. — A chave do carro... e minha carteira. Você guarda para mim, por favor? Leon arqueou discretamente uma sobrancelha. — Por que está escolhendo fazer isso? Ela pareceu confusa. — Como assim? — Me entregar a chave do seu carro e a sua carteira. Olivia respondeu com a maior naturalidade do mundo. — Você é meu esposo. Só estou pedindo que guarde minhas coisas. Eu não estou usando bolsa, não tenho onde colocar. Leon permaneceu alguns segundos em silêncio. Pegou a chave. Depois a carteira. Guardou ambos no bolso interno do paletó. — Certo. Ela apenas sorriu em agradecimento. Mas, por dentro, Leon estava intrigado. Aquilo não fazia sentido. Pela imagem que Leonardo Johnson construía diante da sociedade, Olivia era a filha caçula mimada, protegida, acostumada a ter tudo nas mãos. Ele havia se preparado para conviver com uma mulher arrogante, fútil e impossível de agradar. Esperava reclamações. Exigências. Caprichos. No entanto... Desde que a conhecera naquele altar, encontrara apenas uma mulher educada, discreta e surpreendentemente humilde. Ela não reclamou do casamento. Não reclamou da aliança mais simples. Não reclamou dele. E agora lhe entregava espontaneamente a chave do carro e a própria carteira, como um gesto de confiança. Aquilo despertou sua curiosidade. "Quem é você de verdade, Olivia?", pensou. Sem que ela soubesse, Leon também escondia seus próprios segredos. Era verdade que havia sido preso. Mas nunca fora culpado. Tudo havia sido uma armadilha cuidadosamente planejada para destruir seu nome, tomar sua fortuna e afastá-lo de tudo o que construíra. Parte de seu patrimônio já havia sido recuperada silenciosamente. Ninguém sabia. Ele fazia questão de manter a imagem do ex-presidiário falido. Era a forma mais segura de descobrir quem realmente estava ao seu lado. E, a partir daquele casamento, ele também começaria a testar Olivia. Queria descobrir se aquela mulher gentil era realmente quem aparentava ser... ou se apenas representava muito bem um papel.
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