Depois de algumas horas de festa, Leon olhou discretamente para Olivia.
— Vamos?
Ela sorriu de leve.
— Sim, vamos.
Os dois se levantaram.
Olivia fez um gesto discreto para o pai, que logo caminhou até eles.
— Já vão? — perguntou Leonardo.
Leon respondeu educadamente:
— Sim, senhor. Muito obrigado pela festa, mas nós vamos nos retirar.
Leonardo assentiu.
— Tudo bem. Tomem cuidado.
Em seguida, abraçou Olivia.
No ouvido da filha, falou em voz baixa:
— Lembre-se de tudo o que conversamos, filha.
Ela apenas respondeu:
— Sim, pai.
Na mesa ao lado, Helena e André também se levantaram.
— Irmã! — chamou Helena. — Para onde vocês vão viajar?
Olivia permaneceu em silêncio.
Helena abriu um sorriso debochado.
— Ah... desculpa. Esqueci que vocês não vão ter lua de mel.
André soltou uma risada discreta.
— Eu, por outro lado, vou levar a minha princesa para as Maldivas.
Helena sorriu satisfeita, entrelaçando o braço ao do marido.
— Desejo uma ótima viagem para vocês... seja lá para onde forem.
Olivia apenas respondeu com educação.
— Obrigada.
Leon segurou delicadamente a mão dela.
— Com licença. Nós já vamos.
Os dois deixaram o salão.
Assim que chegaram à saída, Vitória e Beatriz correram para alcançá-los.
Leon, percebendo que elas queriam se despedir de Olivia, afastou-se alguns passos para lhes dar privacidade.
As três amigas se abraçaram demoradamente.
— Promete que vai manter contato com a gente? — perguntou Beatriz, emocionada.
Olivia sorriu.
— Prometo, meninas. Podem ficar tranquilas. Eu vou ficar bem.
Vitória sorriu.
— Vocês vão voltar para a festa?
As duas balançaram a cabeça.
— Claro que não. A gente só ficou até agora esperando você ir embora.
— Nós também já vamos.
Olivia abraçou as duas novamente.
— Obrigada... por tudo.
— Nós te amamos.
— Eu também amo vocês.
Depois da despedida, Leon voltou a se aproximar.
Sem dizer nada, pegou uma das malas maiores e caminhou até o carro.
Era um sedã elegante.
Ele apertou o controle.
As luzes piscaram e as portas destravaram.
Ao abrir o porta-malas e olhar para o banco traseiro, arqueou as sobrancelhas.
— Nossa... você trouxe bastante coisa.
Olivia sorriu, um pouco sem graça.
— É... eu fiz uns estoques.
— Estoques de quê?
Os dois entraram no carro.
Leon assumiu o volante e ligou o motor.
Enquanto saíam da propriedade, ela respondeu:
— Algumas coisas que eu vou precisar... produtos de higiene, coisas para cuidar do cabelo, da pele... e algumas bebidas. De vez em quando gosto de ouvir uma música MPB tomando uma taça de vinho, então resolvi comprar algumas garrafas para levar.
Leon lançou um olhar rápido para ela antes de voltar a atenção para a estrada.
— Só achei estranho.
Ela esperou que ele continuasse.
— Mas, por outro lado, eu até entendo. Você está se casando comigo. Sabe que eu sou pobre, que perdi minha fortuna... e ainda sou um ex-presidiário.
Olivia virou o rosto para ele.
— Isso não define nada.
Ele soltou uma pequena risada incrédula.
— Como não?
— Porque não define quem você é. Não é porque foi preso ou perdeu sua fortuna que deixou de ser o homem que sempre foi.
Leon permaneceu alguns segundos em silêncio.
Depois perguntou:
— Você nem me conhece, Olivia. Como consegue dizer uma coisa dessas?
Ela deu um sorriso sereno.
— Posso estar errada. Afinal, realmente não conheço você. Mas também sei que aquilo que a sociedade fala sobre alguém nem sempre é a verdade.
Ele apertou levemente o volante.
— Então você realmente não se importa por eu ser um ex-presidiário? Nem pela aliança simples que consegui comprar? Nem pelo fato de eu não poder te levar para uma viagem como a da sua irmã?
Ela balançou a cabeça.
— Nada disso é importante para mim.
Leon a encarou por um instante, parado em um semáforo.
— Então... o que é importante?
Olivia respondeu sem hesitar.
— O importante é que agora eu sou sua esposa.
Ela respirou fundo antes de continuar.
— Eu fiz uma promessa para minha mãe, antes de ela morrer, há dez anos. Ela me pediu que, quando meu pai decidisse me casar, eu aceitasse, não importasse quem fosse o homem ou qual fosse a condição dele. Ela dizia que seria mais fácil sobreviver a um casamento do que continuar enfrentando meu pai.
Leon voltou os olhos para a estrada.
— Então eu sou sua carta de alforria?
Ela sorriu de leve.
— Eu não usaria essas palavras... mas, se você prefere pensar assim...
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
Então fez uma pergunta em tom sério.
— E se eu for um homem mau?
Olivia baixou os olhos.
Demorou alguns segundos para responder.
— Isso... já não importa mais.
Ela olhou para a aliança em seu dedo.
— Eu já sou sua esposa.
Aquelas palavras fizeram Leon apertar o volante com mais força.
Pela primeira vez desde que saíram da igreja, ele percebeu que a mulher ao seu lado não estava entrando naquele casamento por interesse, conforto ou paixão.
Ela havia entrado por sobrevivência.
E aquilo despertou nele um sentimento inesperado: a vontade de descobrir tudo o que Olivia havia suportado para considerar aquele casamento uma forma de liberdade.