Capítulo 5 - Mortal
Sentamos no jantar. Comi em silêncio enquanto os três conversavam, mas sabia que queria perguntar sobre meus irmãos. Eu nunca vivi sem eles e nunca quero também.
— Eu poderia ter permissão para ver meus irmãos? - eu finalmente perguntei, criando coragem, considerando que a última vez que tentei falar no jantar, quase caí em uma merda séria.
O olhar mortal de Ace disparou em minha direção. Eu congelei quando seus olhos encontraram os meus, eu era incapaz de falar.
— Não. - sua voz profunda respondeu rapidamente com um leve resmungo de irritação. Senti meu coração cair no estômago. Eu amava meus irmãos, não poder vê-los era uma tortura.
— Por favor? - quase implorei na mesa com um tom suave para não parecer exigente.
O pai de Ace começou a rir maldosamente. A expressão no rosto de Ace ficou mais irritada.
— Como você ousa? - a voz do pai de Ace ecoou pela sala de jantar vazia de repente, me enchendo de medo.
Eu vi a expressão sem vida no rosto de Ace enquanto ele observava seu pai.
— Me desculpe. - eu murmurei preocupado enquanto eu colocava minha faca e garfo para baixo.
— É isso, ela está indo para o porão. - Kai exigiu, gritando com sua família enquanto sua voz ecoava pela casa silenciosa. Meus olhos se arregalaram quando Kai se levantou da mesa e se aproximou de onde eu estava sentada.
— Não, por favor. - eu choraminguei de terror, lembrando do meu pai. Eu sabia muito bem o que acontecia no porão; Espancamentos. Kai agarrou meu pulso apenas para ser distraído por Ace de pé.
Os passos pesados de Ace se aproximaram de nós. Eu prefiro que o pai dele me bata do que ele. Mas ele fez algo que eu não esperava. Ace agarrou o pulso de seu pai com força, forçando seu pai a me soltar. Os olhos de seu pai se arregalaram para ele.
— Ela vai ser minha esposa, se você encostar um dedo nela de novo, não hesitarei em te queimar vivo. - Ace rosnou furiosamente para seu pai. Kai gemeu de dor por Ace esmagar seu pulso com seu aperto. — Você acha que é o di*abo, mas eu sou um com o apelido. - Ace sussurrou no ouvido de seu pai com um olhar de fogo em seus olhos.
— Vou levá-la para vê-los amanhã depois da escola. - Ace se virou para mim. Eu balancei a cabeça freneticamente antes de sair da cozinha e me esforçar para subir as escadas. Estou com medo constante de ser abusada novamente devido ao fato de que o pai dele parece ser muito parecido com o meu.
Eu podia ouvir gritos abafados do andar de baixo. Deitei na cama e puxei o travesseiro sobre as orelhas. Eu queria... não morrer... mas desaparecer ultimamente. É muito mais difícil quando você está se casando em uma família violenta e já teve uma violenta anteriormente. Acabei saindo da cama e fazendo minha lição de casa antes de dormir. Meus olhos se abriram para ver Ace parado no corredor.
— Você vai deixá-la ver seus irmãos ou eu prometo, eu vou te matar. - Ace sibilou com raiva no telefone. — Eu sempre cumpro minhas promessas. - ele ameaçou antes de desligar.
Segurei os cobertores até o rosto para que apenas meus olhos ficassem visíveis. Ace virou-se para o meu quarto.
— Eu não queria te acordar. - ele disse, olhando para mim. Havia uma certa frieza em seu olhar.
— Está tudo bem… - eu respondi rapidamente, ainda segurando os cobertores.
— Esse era o seu pai... se você estava se perguntando. - Ace suspirou enquanto entrava no meu quarto. Percebi que ele fechou a porta atrás dele. — Se meu pai fizer alguma coisa com você, você me diz, você está me ouvindo?!" - ele me avisou, sussurrando para que seu pai não pudesse ouvir. Eu balancei a cabeça ligeiramente. Eu sinto que ele estava exigindo que eu dissesse a ele porque ele queria ajudar, mas sabia que se alguma coisa acontecesse eu não falaria de bom grado. Houve um silêncio constrangedor enchendo o ar enquanto eu evitava contato visual com ele.
— Seu pai... deixa pra lá. - eu rapidamente fechei minha boca depois de chamar a atenção de Ace e soltar eu não queria. Eu sou tão estúpida, por que eu mencionaria isso? Seu pai provavelmente nem quis dizer isso.
— Meu pai o quê? - ele me encarou com cautela. Eu sabia que ele não iria deixá-lo ir até que eu dissesse.
— .... Foi e******o, não importa. - eu murmurei baixinho, ficando tímida enquanto puxava os cobertores até o meu rosto. Ele agarrou os cobertores longe de mim.
— Sofia... me diga. - Ace tinha um leve grunhido em sua voz. Engoli em seco enquanto ele olhava para mim com suas sobrancelhas franzidas.
— Ele disse que substituiria meu pai. - eu disse baixinho enquanto olhava para os cobertores que estavam apertados em sua mão.
— O que isso significa? - Ace me questionou rapidamente.
— N....Nada, só que ele queria ser como um pai para mim. - eu gaguejei nervosamente.
— Se eu descobrir que você está mentindo, você será punida, entendeu? - Ace fez uma careta para mim enquanto se levantava.
— Punida?! - eu gorjeio, ficando um pouco corajosa demais.
— Você tem algum problema com isso? - Ace rosnou com raiva.
— Não. - falei.
— Prepare-se para a escola, eu vou te deixar e te buscar. - ele finalmente saiu do meu quarto. Um peso enche meu peito toda vez que ele está perto de mim, torna difícil respirar.
Vesti-me devagar, tomando meu tempo para chegar atrasada. Eu não queria que ninguém visse Ace; Mesmo que ele fosse meu marido. Eu finalmente entrei no carro com Ace.
— Você sempre trabalha? - eu perguntei curiosamente, criando coragem para falar com ele.
— Na maioria das vezes". - sua voz profunda e rouca resmungou.
— Não fica chato? - eu questionei.
— Se fosse chato, eu não faria, eu faço o que eu quiser. - Ace se virou para mim. Era como se ele estivesse me avisando.
— Então... você poderia largar o trabalho agora? - eu o questionei enquanto jogava com minhas mãos.
— Não, hoje não. - disse.
— Por que o que é importante hoje?
— Nada… - ele suspirou, ficando irritado com as minhas perguntas.
— Você vai matar alguém? - eu murmurei como uma piada.
— Eu mato pessoas, é o que eu faço. - Ace murmurou admitidamente.
— Eu não culpo você. - eu respondi, minha voz ficando mais alta conforme eu ficava mais confortável perto dele. Acho que ele ficou chocado porque vi uma de suas sobrancelhas se erguer. — Você está esquecendo que eu também fui criada na máfia, matar pessoas é algo que você tem que fazer. - suspirei hesitante.
Ele parecia confuso. Sorri levemente para ele, observei as feições sérias em seu rosto suavizarem. Finalmente chegamos à escola.
— Você está atrasada. - ele murmurou sem se impressionar.
— Eu sei, eu fiz isso de propósito. - eu sorri enquanto saía do carro.
— Estarei aqui às 4, não se atrase. - ele ergueu a sobrancelha em advertência.