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RENDIDA PELO CAPITÃO

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Blurb

Ela só queria sobreviver.

Ele fazia questão de dominar.

Manuela sempre viveu na sombra do próprio medo, tentando reconstruir a vida após um passado que insiste em persegui-la. O que ela não esperava era ser jogada diretamente nos braços do homem mais perigoso - e mais irresistível - que já cruzou seu caminho.

O Capitão Alex Buarque, linha de frente contra o crime, não é conhecido por ser gentil. Frio, disciplinado e letal, ele não tem paciência para distrações. Mas quando precisa proteger Manuela em uma operação que foge do controle, o que deveria ser apenas dever torna-se obsessão.

Ela desperta nele algo que ele jurou nunca sentir novamente.

Ele desperta nela tudo o que ela sempre evitou: entrega, confiança… e desejo.

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1. Manuela
O despertador do meu celular toca com aquele chiado irritante que parece vir de dentro da cabeça, não da tela. Ainda é escuro, cinco e pouco da manhã e o barulho do morro já começa a nascer junto comigo. O som das motos subindo, o funk baixo vindo de alguma casa que não dormiu, e o grito de alguém chamando o filho pra escola lá do outro lado. Me viro devagar, tentando não acordar o Ítalo. Ele dorme espalhado no colchão fino, a boquinha entreaberta, o cabelo em caracóis grudado na testa suada. Aquele sono pesado de criança que não tem culpa de nada. Fico olhando por uns segundos, com o peito apertando do jeito que sempre aperta. Ele é bonito demais pra esse lugar. Pra essa vida. Levanto, lavo o rosto com a água gelada que desce da torneira torta, amarro o cabelo e visto a calça jeans que já perdeu a cor. A camisa da escola tem um furo pequeno na barra, mas ainda serve. Pego a mochila dele, a minha, e o resto do dinheiro que sobrou do último bico que fiz, m*l dá pra um pão e um suco. — Vamo, meu amor — sussurro, cutucando ele com cuidado. — Tá cedo, mãe... — ele resmunga, enfiando o rosto no travesseiro. — Eu sei. Mas se a gente se atrasar, a creche fecha o portão. Ele levanta com aquele humor azedo de criança sonolenta e me olha como se eu fosse o problema do mundo. Rio baixinho, tentando fingir que tá tudo bem. A gente sai de casa com o sol ainda nascendo, e o ar fresco carrega cheiro de fumaça, pão e barro molhado. A rua é um ziguezague de casas coladas, roupa pendurada, cachorro latindo e gente com pressa. A mulher do bar me dá um bom dia sem levantar o rosto do copo de café, o rapaz do depósito já tá descarregando cerveja. Cada um na sua correria. Deixo o Ítalo na creche. Ele entra correndo, já gritando o nome de um amiguinho. Fica fácil quando ele sorri, mas o vazio que sobra depois que fecho o portão é o que me quebra. Pego o caminho pra escola. É uma caminhada longa, com o sol esquentando rápido demais e o estômago vazio fazendo barulho. A mochila pesa, o corpo reclama, mas é o que me resta: estudar, tentar, insistir. (…) Na hora do intervalo na escola, o cheiro da comida invade o corredor. Aquele feijão com arroz que parece luxo, e a maçã que vem de sobremesa. Eu como devagar, saboreando mais o descanso do que o gosto. A maçã é vermelha, lisa, bonita demais. Mas eu não poderia comer sabendo que meu filho ama maça, e não tem nada em casa pra comer. Enrolo num guardanapo e guardo na bolsa. — Vai guardar pra quê, Manu? — pergunta a Amanda, minha colega, rindo. — Pro Ítalo. Ele gosta. — dou um sorriso rápido, mas não explico que é porque às vezes ele dorme sem jantar. O resto da manhã passa arrastado. As palavras do professor entram e saem como vento, e tudo que eu penso é no que falta em casa: gás, leite, sabão, tempo. Às vezes me pergunto como eu aguentei tanto. Como ainda aguento. Saí de casa aos treze, fugindo da minha mãe que achava que grito era conversa. Achei que a rua fosse liberdade. Mas liberdade virou medo rápido, e medo virou sobrevivência. O cara que me ajudou a "sair de casa" foi o mesmo que me fez voltar pra dentro de um cativeiro sem parede. O pai do Ítalo. Tinha vinte e poucos, era do movimento. Bonito, envolvente, e cheio de promessa vazia. E eu... eu só queria ser vista. Quando percebi, já tava grávida, morando num barraco emprestado e rezando pra polícia não subir. Ele morreu quando o menino ainda mamava, e eu fiquei com um bebê e nenhuma moeda no bolso. Agora vivo entre b***s: às vezes faxina, às vezes unha. O dinheiro é curto, mas é limpo. Ou pelo menos tento que seja. Quando o sinal da escola toca, pego minhas coisas e subo o morro de volta pra creche. O sol já tá caindo, dourando o mar lá embaixo. O Vidigal é bonito nessa hora, parece até que o mundo tem perdão. Ítalo corre até mim, pulando no meu colo. — Mãe! Hoje teve bolo! — ele grita, e eu rio, apertando ele forte. — Que sorte a tua, hein? — beijo a testa suada e ajeito a mochila dele nas costas. A gente segue pra casa da mulher do chefe. Ela mora numa parte boa, já quase no asfalto. Um apartamento bonito, com cheiro de perfume caro e chão que brilha. Ela me recebe com um sorriso de quem sabe o poder que tem. — Faz as unhas caprichadas hoje, viu, Manu? Meu marido vai levar uns convidados lá em casa amanhã. — Pode deixar, dona Patrícia. Ela fala do marido, do carro novo, da bolsa importada. Eu só escuto e aceno. Penso no gás acabando, na luz que pode cortar se eu atrasar de novo. E na maçã que ainda tá dentro da bolsa, esperando o Ítalo. Enquanto passo o esmalte vermelho nas unhas dela, sinto o peso do mundo em silêncio. Todo mundo tem um preço, ela diz, e eu penso se é verdade. O meu, talvez, seja a paz. Mas ninguém paga por isso aqui no morro.

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