Vera narrando Eu não ia ficar chorando por homem nenhum. Ainda mais por aquele traste. Já chorei demais, já me calei demais, já engoli sapo até entupir o estômago. Agora chega. Chega de ser a mulher que suporta. Eu sou é mulher que reage. Fiquei ali na sala, sentada na pontinha do sofá com o corpo ainda meio tenso, mas a alma… a alma tava em erupção. Era um vulcão que passou anos adormecido, agora cuspindo lava pra tudo que é lado. Porque não é que doeu. Doeu sim. Mas passou da hora. Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que a dor não mata. O que mata é o silêncio, a acomodação, o medo de mudar. E eu mudei. E não vai ter volta. Levantei com força, batendo o pé no chão como quem marca território. Fui até o espelho da estante, olhei bem dentro do reflexo e soltei, com gosto: —

