Capítulo 103

1290 Words

Vera narrando Eu não ia ficar chorando por homem nenhum. Ainda mais por aquele traste. Já chorei demais, já me calei demais, já engoli sapo até entupir o estômago. Agora chega. Chega de ser a mulher que suporta. Eu sou é mulher que reage. Fiquei ali na sala, sentada na pontinha do sofá com o corpo ainda meio tenso, mas a alma… a alma tava em erupção. Era um vulcão que passou anos adormecido, agora cuspindo lava pra tudo que é lado. Porque não é que doeu. Doeu sim. Mas passou da hora. Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que a dor não mata. O que mata é o silêncio, a acomodação, o medo de mudar. E eu mudei. E não vai ter volta. Levantei com força, batendo o pé no chão como quem marca território. Fui até o espelho da estante, olhei bem dentro do reflexo e soltei, com gosto: —

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