Luna / Maya narrando Enquanto eu finalizava a tatuagem nas costas do menino da boca, senti o clima do estúdio mudar de uma hora pra outra. O que antes era leve, descontraído, entre risadas e trocas de ideia, virou uma tensão densa, um silêncio incômodo. O motivo? Ele. Cobra. Encostado ali, com aquele olhar sombrio, tempestuoso, fixo em cada movimento que eu fazia com a máquina. Parecia que ele conseguia sentir cada traço, cada agulhada, como se fosse nele. Ele não disfarçava. Observava com um peso nos olhos que atravessava o ambiente e deixava até o moleque mais calado do que o normal. A tensão que ele carregava grudou nas paredes. O menino, antes animado, tava visivelmente incomodado, todo duro, travado. Tentou me apressar, perguntar quanto faltava, mas eu já tava nos detalhes finais.

