Cobra narrando Eu tava sentado na minha sala quando abri a gaveta e vi aquele monte de pino de pó me olhando, como se me chamasse. Peguei dois pinos na mão e fiquei encarando eles. Foi aí que a voz dela me veio à cabeça, pedindo, quase implorando: “Promete pra mim que tu não vai mais usar isso… que eu não quero te ver destruído, que eu não quero te ver morto…” Lembrei da Lari também, do quanto ela odiava me ver cheirando, do jeito que brigava comigo. Apertei o pino na mão, senti o plástico quase estourar, e num impulso joguei aquilo de volta dentro da gaveta com força. Fechei o compartimento num estrondo. Me levantei puto, com o peito fervendo, subi na minha moto e saí acelerado dali. Eu precisava sair. Precisava respirar. Precisava me arrumar pra p***a do baile do Tiago, mesmo sem cabeç

