Vera narrando Eu entrei naquele carro ainda com o gosto amargo da humilhação entalado na garganta. O corpo tremia, o coração doía, a alma sangrava. Tantos anos engolindo esse desgraçado, tantas noites em claro ouvindo desculpas, ouvindo justificativas, ouvindo ele dizer que “foi só uma vez”, “foi sem querer”, “não significa nada”. Hoje… hoje significou tudo. — Te levo pra minha casa, mãe? Fica lá comigo e com a Amanda essa noite… — Thiago perguntou, com a voz cautelosa, igual de quem lida com um animal ferido. Virei o rosto pra ele devagar, ainda tentando conter a avalanche de lágrima que ameaçava me destruir. — Não. Me leva pra minha casa. — Mas mãe… — Pra minha casa, Thiago. E se ele aparecer lá, ele que venha com o inferno junto. Porque eu tenho um filho macho. E eu também sei m

