Maya/Luna narrando O carro subiu o morro com os faróis cortando a madrugada. A Rocinha acordada era um mundo à parte. Gente na rua, criança correndo descalça mesmo de noite, som batendo ao longe em alguma laje mais animada, moto passando com garupa colada, e o cheiro — aquele cheiro de favela que mistura comida, maconha e sobrevivência. Eu não falava nada. Tava calada desde que a gente saiu do baile. Segurava o volante com as duas mãos, os dedos marcando de tanta força que eu fazia pra não tremer. E mesmo assim, por dentro, eu era só caos. Só desespero tentando parecer coragem. A Rayane do meu lado fungava baixinho, com o rosto voltado pra janela, tentando esconder o choro como se fosse possível me poupar de mais alguma dor. Mas eu sabia. Eu sentia. Ela tava se destruindo por dentro, ig

