Cobra narrando Eu olhei pra ela ali, alisei o cabelo dela e beijei o ombro dela — Bora entrar. — falei, me levantando da cadeira e batendo a palma da mão na coxa, tentando quebrar aquele silêncio denso que se formou depois da nossa conversa. Ela continuou sentada, meio imóvel, olhando pro copo, como se tivesse pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Eu conheço esse olhar. É o mesmo que eu carrego quando o mundo parece desabar dentro do peito e ninguém vê. — Maya… — chamei, num tom mais baixo, quase calmo. — Eu acho melhor eu ir embora… — ela soltou, desviando o olhar, mas com a voz embargada. — Já tá tarde, tu tá cansado… a gente já falou demais por hoje… Eu fui me aproximando devagar. Sem pressa. Sem pressão. — Tu tá achando que eu vou fazer o quê contigo lá dentro, p***a? — pergun

