preciso encontrá-la

912 Words
Cristiano estava sentado na poltrona da sala, os ombros largos relaxados, mas a mente inquieta. A casa silenciosa ao seu redor parecia amplificar cada pensamento. Ele olhou para o travesseiro, e por um instante, o perfume dela ainda pairava ali — uma mistura delicada, doce, impossível de esquecer. Ele fechou os olhos, respirou fundo e falou sozinho, a voz rouca: — Parece até um sonho… Era inacreditável para ele. Podia ter qualquer mulher que quisesse. Poder, influência, dinheiro… nada lhe faltava. Mas fazia dois anos que não saía com ninguém. Desde a morte da esposa, três anos atrás, ele se fechou. A dor tinha ensinado que qualquer laço podia ser tirado da forma mais c***l. Depois do luto, tentara se distrair. Teve uma mulher, talvez mais por impulso, para tentar esquecer a solidão, mas não durou. Outra tentativa, outro fracasso. Depois disso, desistiu. Não queria mais. — Nunca… — murmurou, com os olhos fixos no travesseiro — nunca fiz algo assim… abordar uma mulher no baile… levá-la para minha casa… ficar com ela. Nunca. E ainda assim, Patrícia. O nome parecia ecoar no silêncio da casa, queimando na mente dele. Não era só beleza, não era só desejo. Era algo mais profundo. Havia algo nela que mexeu com algo dentro dele que ele achava estar morto há anos. Ele se recostou, os dedos tocando levemente o travesseiro, ainda sentindo a memória do toque dela. — Por que ela? — murmurou, quase para si mesmo. — Por que você chamou minha atenção? Cristiano nunca tinha sentido algo assim desde a morte da esposa. A intensidade era inesperada, desconcertante. Ele podia controlar o morro inteiro, mas não conseguia controlar a própria mente agora. Cada detalhe da noite voltava com clareza: o sorriso dela, o jeito que falava, a risada leve que ecoava, o toque suave das mãos, a entrega do beijo… Tudo gravado como se tivesse sido esculpido na memória dele. Ele olhou pela janela, o morro silencioso sob a luz da lua, mas nada conseguia tirar Patrícia dali. Não era só desejo físico — era fascínio, era curiosidade, era algo que ele não sabia nomear. E ele sabia que aquele encontro tinha mudado tudo. — E vai ser só ela… — disse baixo, firme, para si mesmo. — Só ela vai me tirar do que eu achava que era impossível. Na manha seguinte Cristiano acordou tarde , mas não com a rotina fria e calculada de sempre. A lembrança de Patrícia ainda queimava na sua mente, como se cada gesto, cada palavra, cada sorriso estivesse gravado em sua memória. Ele se levantou, vestiu-se rapidamente, mas não por pressa; era mais um reflexo de inquietação. Na cozinha, pegou café, mas m*l tocou. A imagem dela dançando no baile não saía da mente. Ele revivia mentalmente cada momento: o sorriso aberto, a conversa leve e natural, a forma como ela se entregava à música sem medo, o jeito de olhar para ele sem suspeitar do poder que ele carregava. — Que droga… — murmurou, jogando o olhar na parede da sala. — Eu nunca fiz nada parecido. Nunca. Ele podia ter qualquer mulher que quisesse. Já tentou distrair a cabeça com outras, mas nada tinha se comparado a isso. Nada chegava perto da sensação que ela provocara. E agora, ele sabia que não era apenas desejo físico; era fascínio, era curiosidade, era algo perigoso que poderia desestabilizar até o homem mais temido do morro. Cristiano caminhou pela casa, passando as mãos pelos móveis, mas nenhum gesto o ajudava a se acalmar. A lembrança do perfume dela ainda parecia pairar no ar, como se insistisse em acompanhá-lo. Ele se sentou novamente na poltrona, os olhos perdidos no nada. — Preciso vê-la de novo… — disse baixinho, quase como uma oração, mais para si mesmo do que para o mundo. — Mas não posso deixar que saiba de quem eu realmente sou. A mente dele começou a trabalhar. Cada detalhe da noite passada era uma peça de um quebra-cabeça que ele precisava montar. O sorriso dela, a forma como ela falava, a risada que surgia nos momentos mais leves. Ele queria mais, precisava mais. E, ao mesmo tempo, sabia que o perigo estava ali: Patrícia não fazia ideia do mundo em que estava entrando. Cristiano sentiu algo que não sentia desde a morte da esposa: uma ansiedade boa, eletrizante, que misturava desejo e curiosidade. Ele, que controlava o morro inteiro, se via agora dominado por um sentimento que não podia manipular, que não podia mandar nem exigir. — Vou encontrá-la — murmurou, com firmeza. — Mas do meu jeito… O chefe do morro se levantou, vestindo a máscara de sempre: olhar impenetrável, postura firme, presença que fazia qualquer um tremer. Mas por dentro, algo tinha mudado. Pela primeira vez em anos, Cristiano se permitiu sentir algo que não podia controlar — e sabia que Patrícia era a única capaz de despertar esse lado dele. Ele caminhou até a varanda, olhando a cidade abaixo. O morro estava em silêncio, mas seu mundo inteiro tinha sido abalado por uma mulher. Ele fechou os punhos levemente, os olhos brilhando com intensidade. — Patrícia… — murmurou, baixinho, quase como uma promessa. — Você vai ser minha… de alguma forma. E naquela manhã, com o sol entrando pela janela e o perfume imaginário dela ainda no ar, Cristiano sentiu que a história dele com Patrícia estava apenas começando — uma história de desejo, perigo e paixão que nenhum dos dois poderia prever.
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