o cafe

943 Words
O dia parecia comum no morro, mas para Cristiano nada estava comum. Ele caminhava pelo seu escritório, os dedos batendo levemente na mesa de madeira, a mente ocupada em pensar em Patrícia. Cada detalhe da noite anterior retornava como uma chama: o sorriso dela, o jeito como falava, a risada leve que ecoava na memória dele. Ele sabia que precisava agir com cuidado. Não podia se revelar, não ainda. Patrícia não tinha ideia de quem ele realmente era — um dos grandões, o chefe absoluto do morro. Ela pensava que ele era apenas mais um homem atraente, envolvente, mas nada perigoso demais. E ele pretendia manter assim, pelo menos até saber se podia confiar nela. — Preciso vê-la de novo… — murmurou, sozinho, olhando pela janela. — Sem revelar quem sou. Ela não pode fugir. O plano começou a tomar forma na cabeça dele. Uma mensagem enviada de um número que ela ainda não conhecia. Um convite para um café, casual, sem pressão. Ele precisava conquistá-la com conversa, presença, atenção — nada de força, nada de imposição. Ela precisava escolher estar perto dele por vontade própria. Enquanto isso, Patrícia estava no trabalho, tentando se concentrar, mas o pensamento de Cristiano ainda a acompanhava. Lembrava da noite, da intensidade do beijo, do calor do corpo dele, do jeito que a conversa fluía naturalmente, como se eles se conhecessem há anos. Ela sorriu sozinha, sem perceber que a lembrança também a deixava ansiosa. No final da tarde, Cristiano enviou a mensagem. Curta, direta, mas com um toque de humor para quebrar a formalidade: "Oi, Patrícia. Café amanhã? Quero continuar nossa conversa de ontem." Ela olhou para o celular, hesitou por um instante, mas respondeu com leveza: "Oi… tá bom, amanhã. A gente combina horário." Ele sorriu, baixando o celular. Pequenos detalhes poderiam fazer a diferença: o jeito de escrever, o tom da voz na conversa, os olhares durante o encontro. Ele sabia que tinha que ser paciente, observador, calculista — mesmo sendo impossível ignorar a ansiedade de vê-la novamente. O café estava quase vazio, o cheiro de café fresco misturado com o aroma suave de pão recém-saído do forno. Patrícia sentou-se, ainda sorrindo com aquele nervosismo bom que só Cristiano conseguia despertar nela. Ele entrou, o olhar firme, presença imponente, mas mantendo a calma. Cada passo dele parecia medido, mas ainda assim carregava aquela força magnética que não podia ser ignorada. — Bom te ver de novo — disse ele, sentando-se à mesa, sem invadir o espaço dela, mas deixando a presença dominadora sentir-se inteira. — Igualmente — respondeu Patrícia, os dedos brincando com a xícara de café. — Confesso que não esperava que me procurasse… — Achei que a conversa de ontem merecia continuidade — disse Cristiano, com aquele sorriso leve, quase provocador. — Só conversa, nada mais… por enquanto. Patrícia riu, sentindo-se relaxada, mas ao mesmo tempo, sentindo aquela tensão que não sabia explicar. Ele tinha uma aura que fazia tudo parecer perigoso e seguro ao mesmo tempo. Conversaram sobre coisas triviais no início — trabalho, família, música — mas aos poucos, a conversa começou a se tornar mais pessoal, mais próxima. Os olhares se encontravam com frequência, demorados, cheios de intenções. Cada gesto, cada risada, cada inclinar da cabeça parecia carregar um significado oculto. Cristiano notava cada detalhe: o jeito que ela mordia o lábio ao falar, o brilho nos olhos dela quando sorria. Patrícia, por sua vez, sentia o calor do olhar dele percorrendo cada gesto seu, e a presença dele fazia seu coração acelerar sem que pudesse evitar. Em um momento, ele se inclinou levemente, aproximando-se sem pressa: — Você tem um sorriso que… — começou, mas parou, deixando a frase no ar. Ela olhou para ele, um sorriso tímido surgindo nos lábios, e disse: — Que… o quê? — Que é impossível de ignorar — completou ele, baixando a voz, quase um sussurro, mas suficiente para que ela sentisse o calor da sua respiração. O silêncio tomou conta da mesa por alguns segundos. Um silêncio carregado de expectativa, de desejo contido. Patrícia sentiu a mão dele se aproximar lentamente da dela, sem toque ainda, mas como se já tivesse marcado território em sua mente. — Cristiano… — ela murmurou, quase sem querer, o próprio nome soando estranho e familiar ao mesmo tempo. Ele apenas sorriu, inclinando-se mais, deixando os rostos próximos, o cheiro dele, o perfume dela, a tensão do momento quase elétrica. E então, sem hesitar, ele a puxou levemente, aproximando os lábios dela dos seus. O beijo não foi apenas físico. Foi intenso, carregado de toda a noite anterior, de toda a atração acumulada, de todo o fascínio que ele sentia por ela. Um beijo que dizia mais do que palavras poderiam expressar — desejo, fascínio, perigo e curiosidade tudo misturado. Patrícia correspondeu, sentindo a força dele, mas também a delicadeza, a maneira como cada movimento era calculado para não assustá-la, mas para prendê-la ali, ao lado dele. O café, o mundo, o morro inteiro desapareceu por alguns segundos. Só existiam eles dois, o calor do beijo, a química impossível de ignorar. Quando finalmente se afastaram, respirando pesadamente, os olhos deles se encontraram novamente, carregados de intensidade. — Eu… — começou Patrícia, sem conseguir completar a frase. — Eu sei — respondeu Cristiano, baixinho, com aquele olhar firme, mas gentil. — Mas vamos devagar. Ela sorriu, corada, sentindo o coração disparado. Pela primeira vez em anos, ela sentiu-se completamente viva, completamente ligada a alguém que era ao mesmo tempo fascinante e perigoso. E Cristiano, observando cada gesto dela, sabia que aquela noite, aquele beijo, era apenas o início de algo muito maior, intenso e impossível de ignorar.
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