Cristiano chegou em casa, o carro estacionando suavemente na garagem. Patrícia já estava lá, sentada no sofá, a expressão preocupada misturada a curiosidade.
— Tá tudo bem, amor? — perguntou ela, ainda sentindo o coração acelerado.
— Sim, princesa — respondeu ele, com um sorriso rápido, tentando acalmar a tensão que ainda pulsava em suas veias.
Ela franziu a testa, olhando para ele com atenção.
— Ele sempre precisa de você assim? — perguntou, tentando entender um pouco da vida dele, mas sem saber detalhes.
— Só às vezes — disse ele, sustentando a mentira com naturalidade, o tom firme mas tranquilo.
Ela respirou fundo, desviando o olhar por um instante, e disse, baixinho:
— Eu ouvi falar que esse tal de Dogão é muito c***l e perigoso…
Cristiano apenas sorriu levemente, a expressão séria e ao mesmo tempo protetora.
— Ele é… só quando necessário — respondeu, com cuidado, deixando a curiosidade dela no ar, mas sem revelar nada.
Patrícia permaneceu em silêncio por alguns segundos, refletindo sobre as palavras dele, mas decidiu não insistir. Então, disse com leveza, tentando mudar o clima:
— Então me leva em casa, pra você voltar logo pra ele e não ter problemas, tá?
Cristiano olhou para ela, segurando a mão dela por um instante, a expressão firme e protetora:
— Tá… vamos.
Ela sorriu, confiando nele, sem saber que o homem à sua frente era muito mais do que apenas alguém que cuidava dela. O mistério sobre Dogão permanecia, e a tensão entre eles se misturava ao cuidado e à química que crescia a cada momento.
Enquanto saíam, o silêncio confortável entre eles falava mais do que qualquer conversa. Cristiano sabia que, não importava o que acontecesse, ele sempre estaria ali para protegê-la — e Patrícia, mesmo sem saber todos os segredos dele, sentia que podia confiar totalmente.
Mais tarde Cristiano estava sozinho em um canto do morro, observando a movimentação e garantindo que tudo estivesse sob controle. O som distante do samba ecoava pelos becos, mas naquele momento, sua mente estava em outro lugar.
Seu braço direito, amigo de longa data, aproximou-se, apoiando-se no corrimão:
— E aí, cara… o que você vai fazer? Tá apaixonado pela mulher, né?
Cristiano suspirou, encostando-se na parede e fechando os olhos por um instante.
— Cara… eu tô… — começou, a voz carregada de sinceridade — Gosto muito dela. Ela me faz bem, me faz feliz. Nunca pensei que depois da Lívia eu fosse encontrar uma mulher que mexesse comigo tanto quanto hoje.
O amigo arqueou uma sobrancelha, atento.
— Mas? — perguntou.
— Mas eu não tive coragem de contar pra ela que eu sou dono do morro — disse Cristiano, apertando os punhos, a tensão tomando conta — e… eu tive que trabalhar pra ela, pelo menos até certo ponto.
— Meu Deus do céu… — murmurou o amigo, surpreso — você sabe que…
— Eu sei — interrompeu Cristiano rapidamente — Se eu ficar ocultando, pode parecer que eu tô sendo covarde, que eu tô escondendo alguma coisa… Mas é justamente pra proteger ela.
Ele respirou fundo, lembrando do passado doloroso.
— Depois do que aconteceu com a Lívia… se alguém descobrir que Patrícia é minha mulher, que ela é minha, vão atrás dela. Não tiveram pena da Lívia, mesmo ela estando grávida… você acha que vão ter pena da Patrícia? Não vão. Eu tenho que protegê-la.
O amigo de Cristiano ficou em silêncio por um momento, compreendendo a intensidade do que ele sentia.
— Por isso que eu só vejo ela na minha casa ou na casa dela — continuou Cristiano, a voz firme mas cheia de emoção — e só falo o necessário. Sempre com cuidado. Sempre atento. Quando tenho que sair em público, sempre estou de óbito escuro, sempre acompanhado de dois homens… tudo pra garantir que nada aconteça com ela.
Ele fechou os olhos novamente, respirando fundo, sentindo o peso de tudo.
— Eu… — disse baixinho — eu não posso perder ela, não agora. Não depois de tudo que passei.
O braço direito dele colocou a mão no ombro de Cristiano, firme e compreensivo.
— Cara… você tá certo. Protege ela do jeito que for necessário. E pelo que eu tô vendo, você não tá escondendo nada de covardia, não… você tá protegendo quem você ama de verdade.
Cristiano assentiu lentamente, a expressão dura mas o coração mais leve. Patrícia não sabia de metade disso, mas ele faria de tudo para que ela ficasse segura — e para que ninguém jamais pudesse machucá-la.