verdades que machucan

1152 Words
O coração de Patrícia batia descompassado. Ela acelerou o passo, quase correndo, os olhos procurando qualquer lugar aberto, qualquer movimento, qualquer segurança. Mas antes que conseguisse chegar… O carro parou bruscamente ao lado dela. A porta abriu. — Entra. Agora. Um dos homens desceu, a voz fria, o olhar perigoso. — Não! — Patrícia recuou, o pânico tomando conta — Me deixa! Ele avançou, segurando o braço dela com força. — Fica quieta! — ME SOLTA! — ela gritou, tentando se livrar, o desespero crescendo. Foi quando— O som de um carro freando forte cortou a rua. Antes mesmo que o homem entendesse o que estava acontecendo… Cristiano desceu. O olhar dele estava irreconhecível. Frio. Mortal. — Solta ela. A voz saiu baixa. Mas carregada de uma fúria absurda. O homem virou, debochando: — E quem é você pra— Ele nem terminou. Cristiano avançou com tudo. Um golpe direto. Seco. Violento. O homem caiu no chão. O outro tentou reagir, mas já era tarde. Os homens de Cristiano chegaram junto, dominando a situação em segundos. Tudo rápido. Brutal. Preciso. Silêncio. Só a respiração ofegante de Patrícia… e o olhar dela… chocado. --- Cristiano se aproximou dela devagar. — Você tá bem? — perguntou, a voz ainda firme, mas agora carregada de preocupação. Patrícia recuou um passo. Os olhos marejados. O corpo tremendo. — O que… foi isso? — a voz saiu falha — Quem eram eles? Ele ficou em silêncio. — Cristiano… — ela insistiu, agora mais nervosa — Por que eles estavam atrás de mim?! Silêncio. Mais pesado ainda. Ela começou a juntar as peças. O jeito que ele chegou. Os homens. A forma como tudo aconteceu rápido demais. Ela balançou a cabeça, respirando rápido: — Quem é você… de verdade? Cristiano passou a mão no rosto, tenso. Sabia que aquele momento ia chegar. Só não queria que fosse assim. — Patrícia… — começou, tentando se aproximar. — NÃO! — ela recuou mais um passo — Não chega perto! Os olhos dela estavam cheios de medo agora. Não só pelo que aconteceu… Mas por ele. — Me fala a verdade! — a voz dela saiu mais alta, desesperada — Quem é você?! Cristiano fechou os olhos por um segundo. Respirou fundo. E então olhou pra ela. Sem máscara. Sem mentira. — Eu sou o cara que manda naquele morro. Silêncio absoluto. O mundo pareceu parar. — O… quê? — ela sussurrou, sem acreditar. — Eu sou o Dogão. As palavras caíram como uma bomba. Patrícia ficou parada. Sem reação. Sem ar. — Não… — ela balançou a cabeça lentamente — Não… você mentiu pra mim… esse tempo todo? — Eu fiz isso pra te proteger — disse ele, firme, mas com dor na voz — Eu não podia te envolver nisso! — MAS EU JÁ TÔ ENVOLVIDA! — ela gritou, as lágrimas descendo — OLHA O QUE ACONTECEU! Cristiano ficou em silêncio. Sem resposta. Porque ela estava certa. Ela respirava pesado, tentando se recompor, o coração destruído entre medo, raiva e decepção. — Você disse que cuidava de mim… — a voz saiu baixa, quebrada — mas foi você que trouxe isso pra minha vida. Aquela frase… atingiu ele direto. Fundo. Ele deu um passo pra frente, mais calmo agora: — Eu nunca vou deixar nada acontecer com você. Ela olhou pra ele. Dessa vez… diferente. — Você já deixou. Silêncio. Pesado. Doloroso. E pela primeira vez… Cristiano não tinha controle da situação. O silêncio entre eles era pesado. Patrícia ainda estava parada, o corpo tremendo, os olhos marejados, tentando processar tudo o que tinha acabado de ouvir. Cristiano respirou fundo, segurando a própria emoção, mas mantendo a postura firme. — Vem… entra no carro — disse ele, com a voz mais baixa agora, tentando não assustá-la mais — Eu vou te deixar em casa… e lá a gente conversa melhor. Ela hesitou. Olhou pra ele. Depois pro carro. Depois pros homens dele ao redor. Nada daquilo parecia mais seguro como antes. Mas ela também não tinha forças pra discutir ali, no meio da rua, com o coração ainda disparado. Sem dizer nada, apenas assentiu de leve. Cristiano abriu a porta pra ela. Ela entrou. Dessa vez… sem aquele olhar leve de antes. Sem confiança. Sem entrega. --- O caminho até a casa dela foi em silêncio. Um silêncio desconfortável. Pesado. Cristiano dirigia com o olhar fixo na estrada, mas por dentro estava em guerra. E Patrícia… olhava pela janela, tentando entender como o homem que cuidou dela, que esteve ao lado dela… era o mesmo homem que comandava tudo aquilo. --- Quando chegaram, ele desceu primeiro e abriu a porta pra ela. Ela saiu devagar, ainda abalada. Entraram na casa. Assim que a porta se fechou… ela se virou pra ele. — Agora você vai me explicar tudo. A voz dela não era mais doce. Era firme. Machucada. Cristiano passou a mão pelo rosto, andando de um lado pro outro, tentando organizar os pensamentos. — Eu não te contei porque… — começou ele — Porque você mentiu! — ela interrompeu, a voz falhando — Você mentiu pra mim o tempo todo! — Eu escondi — corrigiu ele, firme — Tem diferença. Ela riu, sem humor nenhum. — Sério, Cristiano? Você acha mesmo que isso muda alguma coisa? Ele parou na frente dela. — Muda. Porque eu fiz isso pra te proteger. — PROTEGER?! — ela elevou a voz — Eles quase me sequestraram! O silêncio caiu pesado de novo. Cristiano fechou os olhos por um segundo. — E eu cheguei antes. Ela balançou a cabeça, desacreditada. — Você não tá entendendo… — disse ela, a voz mais baixa agora, mas cheia de dor — Eu não sei quem você é. Eu não sei com quem eu tava me envolvendo. Aquilo atingiu ele. Fundo. — Você sabe sim — disse ele, mais calmo — Eu sou o mesmo cara que cuidou de você quando você tava doente. O mesmo que ficou do seu lado a noite toda. O mesmo que… — Mas também é o cara que manda em tudo aquilo! — ela cortou, os olhos cheios de lágrima — O cara que todo mundo tem medo! Ele ficou em silêncio. Porque não dava pra negar. — Isso faz parte de mim — disse ele, por fim — Mas não é tudo que eu sou. Ela respirou fundo, tentando se controlar. — E eu? — perguntou ela, mais vulnerável agora — Onde que eu entro nisso tudo? Cristiano se aproximou um pouco mais, com cuidado. — Você entra… como a única coisa que eu quero manter longe desse mundo. Os olhos dela encheram ainda mais de lágrimas. — Mas já não tá longe… — disse ela, quase num sussurro — Eu já tô dentro disso agora… por sua causa. Silêncio. Pesado. Doloroso. Ele sabia. Ela também. E nada do que ele dissesse agora ia apagar o que tinha acontecido.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD