Episódio 4

1380 Words
Saímos do restaurante para voltar para a empresa, a verdade é que me sinto feliz porque o negócio pôde ser fechado. Entramos no carro para iniciar o trajeto de volta. — A que horas, mando o Lucas buscá-la, senhorita? Pergunta Santiago. — Senhor, na verdade, não acho que possa ir esta noite. — Que preguiça! Então você é daquelas mulheres que gostam de se fazer de rogada, para parecer interessante. É trabalho, não confunda, não é uma saída de prazer, não precisa fazer o show. Um gesto de surpresa forma-se no meu rosto. Deus Santo, esse homem não filtra nada, as palavras saem da boca dele como sementes de abacate. — Olha, senhor, não estou fazendo nenhum show e claro que sei que isso não é prazer, mas trabalho, acontece, senhor, que a minha mãe está doente e não posso deixá-la sozinha. Por essa razão, o meu irmão fica com ela enquanto eu trabalho, e eu cuido dela à noite enquanto ele vai para a universidade. Não estou me fazendo de difícil, nem muito menos parecendo interessante, é só que nem todos temos uma vida tão perfeita quanto a sua. Essa foi a razão pela qual eu ia ne*gar desde o início, mas a você ocorreu a genial ideia de responder por mim. — Eu não tinha ideia. — Claro que não, você acha que todos vivemos no mesmo país das maravilhas, no qual você vive. Decido fechar a boca, porque não quero continuar desrespeitando-o. SANTIAGO Miro para a frente e me deparo com o olhar de reprovação de Lucas no retrovisor. Prefiro não dizer mais nada, o resto da viagem. Parece que eu fiz besteira com a Dania. DANIA Assim que o carro para em frente à entrada da empresa de navegação, desço imediatamente, não sem antes agradecer a Lucas. Subo até o andar onde trabalho, vou para minha mesa e deixo a minha cabeça cair na mesa. Não posso evitar, sinto que me desgasto cada vez que tenho um conflito com o Senhor Santiago, às vezes ele pode ser tão pedante que é verdadeiramente irritante, não sei com que tipo de mulheres ele costuma lidar, mas ele vai ter que entender que nem todas agimos da mesma forma. Que pena que um homem tão bonito e inteligente seja tão imb*ecil. Porque a César o que é de César, o homem está como receitado por especialista, mas quando abre a boca, toda a beleza se esvai. SANTIAGO — Parece que o senhor não se dá bem com a beleza, chefe. — Parece que não, Lucas. — Vê-se que ela é uma moça humilde e de família. Não é como as mulheres que você está acostumado a estar. — Sim, às vezes as atitudes dela me desconcertam. — Por quê, o senhor diz isso? — Porque ela age de forma oposta ao resto das mulheres que conheço. — Por exemplo, senhor. — Ela é linda e inteligente, mas não é como as outras, nem se insinua para mim, é direta, não anda com rodeios, não reclama nem finge ser interessante, como acabou de ver, ela não reage à minha presença, nem muito menos se inquieta com o meu olhar. — Desculpe, chefe, mas o senhor gosta dessa garota? — Claro que não, nem é o meu tipo. — É só que um homem como eu não está acostumado a ser tratado com indiferença por uma mulher. — Sim, entendo, chefe. Pois que bom que ela não é seu tipo, porque quando estão juntos parecem dois trens de carga, colidindo em alta velocidade. Só tente não fazê-la se sentir m*al, dá para ver que ela é uma boa moça. — Pelo que vejo, você vê muitas virtudes na senhorita Rinaldi, Lucas. — Ela me parece uma mulher extremamente bonita e interessante, Senhor. Talvez eu me anime um dia desses a convidá-la para sair. Responde Lucas com um sorriso radiante. Não sei por que razão, mas a resposta dele me causa certo desconforto e incômodo. Saio do carro, a caminho do meu escritório. Repentinamente, o meu humor mudou para pior. Chego ao andar da presidência e encontro Natasha. — Como foi? — Bem. Respondo de forma ríspida. — Uyyyy, que humorzinho, cunhado, você almoçou limão azedo? — Achei que a sua assistente já tivesse te posto a par. — Não, não a vi. Mas é melhor eu perguntar a ela, não vá morder e me dar raiva. Ela diz me deixando de pé no meio do corredor. — Boa tarde, Sr. Ferrara. Cumprimenta Michell ao me ver chegar. Passo direto e não respondo ao seu cumprimento. Chego ao meu escritório e caminho até o minibar para me servir um uísque, que bebo de um só gole. Que dia*bos está acontecendo com você, Santiago Ferrara? DANIA — Olá Dania. Me cumprimenta a Senhora Natasha ao chegar ao meu cubículo. — Olá, senhora. — Você estava chorando? Você vai me dizendo agora mesmo, que dia*bos aconteceu naquela reunião, porque Santiago chegou feito um ogro e agora venho aqui e te encontro chorando, Dania. O que aquele ido*ta te fez, fala agora mesmo. — Existir, senhora, isso foi o que o seu cunhado fez. — Não entendi? — Ele é um id*iota, patão, arrogante, sem consideração, energúmeno, idi*ota e i*****l de primeira linha. — Ehhh, bem. Sei que ele nasceu defeituoso, até acho que ele deve ter caído de cabeça quando era bebê, só assim se justificaria tanta estu*pidez num só corpo. Mas você ainda não me disse o que aquele idi*ota fez com você? — Ele me comprometeu, sem me consultar, a ir comemorar esta noite com os americanos e, quando tentei dizer a razão pela qual não podia ir, ele me disse para parar de me fazer de difícil e de me fazer de interessante. Então eu explodi e disse a ele que era porque eu tinha que cuidar da minha mãe e mais algumas coisas que, para falar a verdade, eu nem me lembro mais. Me senti tão indignada, senhora. Sério, esse homem acha que a vida de todo mundo é tão vã e superficial quanto a dele? — Não fique assim, definitivamente o meu cunhado não tem jeito. — O pior é que ele já me comprometeu e eu não quero decepcionar os novos clientes, mas o que eu faço? Se a minha mãe não pode ficar tanto tempo sozinha, nem o meu irmão pode faltar à universidade sem um motivo de peso. Isso sem contar que não tenho um trapo decente para vestir. Vão para um lugar chamado "La Dimora". Se só o nome soa a luxo e esplendor, não quero nem imaginar o lugar. Digo mesmo com os olhos marejados. — Conheço "La Dimora", esse clube pertence aos Ferrara, Dania. E se você for, eu cuido disso, mas você vai ser uma valentona, de morte súbita, uma mulher fatal, sabe? Santiago Ferrara quer guerra, guerra terá. Diz a senhora Natasha, enquanto pega o telefone e disca um número. — Ruiva, onde você está? — No meu escritório. Quem precisa morrer, amiga? Se você já o matou, eu levo a pá e te dou o álibi. — Hoje não tem morto, pelo menos ainda não. Mas o meu cunhado, está pagando a sua viagem para o além em prestações, já está quase pronto para o despacho final. Mas agora, a Dania precisa de uma repaginada, traga do seu guarda-roupa um par de vestidos de valentona, cores vermelho e preto, tamanho 36, sapatos altos, salto mínimo de 10 centímetros, um perfume de mulher fatal e a nova maleta de maquiagem que te dei. Nos vemos no endereço que vou te enviar, em mais ou menos uma hora. Seja pontual, Soraya. — Ai,querida, eu estava sentindo falta disso. Roupas só para ela ou também para nós? Para nos três, só que você e eu chegaremos mais tarde. Você sabe para não ofuscar a entrada da Dania. — Jajajajajajajaja. Pode deixar, bebê, te vejo em um instante. Soraya diz do outro lado do telefone. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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