CAPITULO 3.
Clara Jeffers
Acordei superanimada na segunda-feira, antes de sair dei comida para Nina. Desci as escadas passando por Leon, que me acompanhou até o portão, já que o restaurante que ele trabalhava estava em reformas.
- Isso não vai te deixar sem dinheiro? - perguntei em relação ao restaurante.
- Não, eles vão continuar me pagando, o que é ótimo, já que minha grana é contada.
- Imagino...
- Clara, como é sua família?
- Se você procurar no Google Lucinda Jeffers Jonhson ou Tomás Jeffers, você vai saber bastante. - Ri.
- Eu sei das coisas que estão na internet, eu quis dizer sua relação com eles.
- Ah, eu sempre me dei bem com meus pais e meus irmãos... especialmente o Tobe.
- Tobe?
- Um dos meus irmãos. Somos muito próximos desde criança...
-Que bom que tem essa relação de cumplicidade com eles.
- E você? - perguntei sorrindo.
- Eu oque?
- Como é sua família?
- Ah, nada comparado à sua – falou – meus pais são simples e aposentados já, e tem uma floricultura, logo eu terei que assumir o local...
- Isso é fofo...- ri.
- Acha fofo? - perguntou se aproximando de mim.
- Acho... tem algum problema?
- Não, nenhum. - Respondeu colocando uma mecha solta do meu cabelo pra trás da minha orelha.
Estávamos muito perto um do outro, percebi o olhar de Leon em meus lábios, até que ouvimos uma tosse. Acabamos por nos afastar bruscamente.
- Se não sabem aqui é um lugar público do prédio.
Vi Leon revirar os olhos para Jorge, ele ia falar alguma coisa, mas o impedi.
- Não vale a pena discutir com ele. - falei baixo.
- Tem razão... vamos? Te levo até seu trabalho.
O senti passar o braço pelos meus ombros e fomos até sua moto.
Jorge Angeles
Ao ver os dois juntos, meu sangue subiu. Não suportava nenhum dos dois, e os ver juntos, me irritou muito..., mas aí lembrei de que hoje seria a reunião da promoção que o Senhor Laurents me daria, sorri. Pelo menos isso pra melhorar meu dia, porque se dependesse dos meus colegas, seria um inferno. Nisso entrei no meu carro e fui até a empresa. Ao chegar me pediram para esperar numa sala.
Clara Jeffers
Leon me deixou na frente da empresa, e me despedi dele com um beijo na bochecha. Olhei para os portões da empresa e respirei fundo...
“acho que vou na cafeteria tomar um chá, ainda faltam 20 minutos.”
Entrei no prédio da Dominicals, e desci até a cafeteria vendo More e Julian comendo um pedaço de bolo de chocolate, me aproximei dos dois me sentando ao lado deles.
- Bom dia, gente. - falei sorrindo.
- Menina que batom você tá usando???- More perguntou eufórica.
- Ah... não sei, eu comprei na MAC faz um ano.
- É lindo, bem natural, mas deixa sua boca vermelha, amei.
Vi Julian encarar alguém atrás da gente, me virei e vi Willian, e logo encarei meu amigo na minha frente. Willian passou reto, mas sem antes acenar para nós. Julian ficou vermelho, mas acenou de volta sem jeito.
“é, o Julian gosta do Willian... isso vai ser interessante.”
- Por que não falou pra gente que gosta do Willian? - More perguntou indignada.
- Shiiiiiii! - Julian fez com o dedo entre os lábios. - é que eu recém estou me assumindo, não é fácil pra mim... e ele nunca iria olhar pra mim, ele é hetero...
- Será? Ele tem cara de Bi – More falou pensativa
- Relaxa Julian, fica tranquilo, nós vamos descobrir isso...- falei e eu e More tocamos na sua mão em cima da mesa.
- Obrigado, meninas, vocês são incríveis.
- Somos mesmo, somos tuas amigas! - More se gabou e eu ri.
Vi um dos atendentes vir até mim, com um bloquinho pra anotar meu pedido.
- Bom dia, o que gostaria?
- Um chá de hortelã. - falei.
- E um brownie...- Julian pediu.
- Certo.
O atendente saiu até a cozinha e olhei para Julian.
- Você já não comeu um bolo? - perguntei.
- Sim, mas pedi o brownie pra você.
- Pra mim? - virei a cabeça pro lado.
- É...
- Por quê?
- Por ser uma amiga incrível!
Eu sorri.
- Mas e eu Julian? Não sou tua amiga? - More falou com cara de cachorrinho abandonado.
- Claro, mas quantas vezes eu te paguei almoço More?
- Ah é....
Eu caí na gargalhada, e logo os dois me acompanharam na risada.
-E aí? Pronta pra um novo dia de trabalho? - Julian perguntou bebendo um gole do seu café.
- Sim, mas eu tenho que ir à sala do senhor Laurents antes.
- Estranho, isso não é muito normal...- More falou.
- É uma coisa boa.
- OQUE???
- Segredo. - Ri – depois conto pra vocês.
O atendente chegou com o meu chá e com o brownie e os deixou na mesa. Eu tomei meu chá com calma enquanto ouviamos More falar sobre seu final de semana.
Olhei no meu celular e vi que tinha que subir para encontrar o senhor Laurents. Peguei o Brownie que estava envolto por um plástico e o coloquei na bolsa. Me despedi dos dois e subi pelo elevador até a sala indicada. Nisso ao parar em frente à porta e bati levemente na mesma. Ouvindo um “entre”. Entrei na sala pedindo licença.
Mas ao ver o ser na minha frente, fiz uma careta discreta.
- Olá, Clara, que bom que veio, já que os dois estão aqui, posso começar a explicar – Senhor Laurents falou sorrindo para mim e Jorge- vocês dois mostraram êxito ao confeccionar a última coleção, por isso vão dividir o cargo de meus assistentes pessoais, nisso vão continuar com o trabalho junto da equipe, mas irão junto comigo aos eventos, e ganharão mais 20 mil dólares a mais no salário. Estão de acordo?
Eu respirei fundo e encarei Jorge, que parecia me fuzilar com os olhos, mas não liguei.
“eu não me importo com esse b****a, eu vou aceitar e dar o meu melhor.”
- Estou, senhor Laurents.- falei sorrindo.
- Ótimo Clara. - Se virou para Jorge – e você Jorge?
Vi o mesmo morder o lábio de raiva e me olhar de canto de olho, eu exibia um sorriso vitorioso.
- Estou...
- Ótimo! Vocês já podem ir para o Studio. - falou e vi Willian sorrir para nós com ternura.
Saí da sala, com Jorge ao meu lado.
- Olha... já que vamos trabalhar juntos nesse cargo... que tal uma trégua? - sugeri.
Mas Jorge riu sarcástico.
- Saiba que eu não quero te ver, eu não queria você como parceira, muito menos como vizinha, EU ODEIO VOCÊ! Então fica no seu canto e não me enche.
Eu apenas assenti com a cabeça baixa, e me distanciei dele.
“É realmente ele é um babaca...”
Entrei no Studio e recebi um abraço triplo.
- Parabéns, Clara! - Lola, More e Julian falaram, me deixando bem.
- Obrigada gente.
Sorri fraco para todos, mas Julian notou meu estado, e me puxou pra um canto.
- Oque houve? Você estava tão bem agora pouco...
- Nada Julian, eu tô bem.
- Ei, não mente pra mim Clara. Fala!
- Tá bom, tá bom... ah, seu irmão me odeia né? Eu sugeri uma trégua já que vamos ter que trabalhar juntos, mas como sempre ele reagiu como um b****a.
- Ele é um b****a! Mas não liga pra ele, faz o teu trabalho que vai arrasar!
- Obrigada! - abracei Julian com força e ele me puxou para o meio das meninas.
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Ao sair para o almoço com Julian, More e Lola, paramos na frente da empresa, pesquisando um local pra almoçar. Logo senti duas mãos cobrirem meus olhos.
- Quem é? - a pessoa que eu já sabia quem era falou.
- Leon!
Me virei e vi o rapaz de cabelos pintados de vermelho fogo, me olhando sorridente.
- Oque faz aqui? - perguntei.
- Vim te entregar isso. - Me estendeu um buque de rosas vermelhas. - Meus pais mandaram da floricultura, então decidi te dar.
- Onwt, obrigada. - Eu sorri terna. - Ah esses são meus amigos, Julian, More e Lola.
- Prazer gente, sou o Leon...- Leon falou.
- Prazer. - falaram em conjunto.
- Ô Clara, que tal você ir almoçar com o bonitã... Quer dizer, com o Leon. Depois a gente te busca. - More falou e eu ri com sua trapalhada.
- Tudo bem, vamos? - perguntei.
- Claro, será uma honra almoçar com essa linda jovem...- brincou e eu ri.
Jorge Angeles
Estava saindo da empresa para almoçar, e vi mais na frente Clara e Leon saindo juntos, eu me aproximei dos meus outros colegas insuportáveis.
- Demorou pra sair hoje. - Julian falou vendo as meninas irem mais frente.
- é...
- Cara, eu acho que você tem que baixar a bola, a respeito à Clara, eu sei que você não gosta dela, mas tratar m*l só por birra, não Jorge, não
Vi meu irmão falar e ir embora, me deixando sozinho, como sempre.
“será que eu tô fazendo isso por birra ou outra coisa?”
Voltei para a empresa descendo no elevador até a cafeteria, onde vi Willian sentado almoçando um sanduiche de presunto com uma Coca-Cola. O mesmo me viu e me chamou, me aproximei e me sentei ao seu lado.
- E aí? - me cumprimentou.
- Estressado...
- Vi o jeito que tratou a Clara hoje, por que tanto ódio por ela?
- Eu realmente não sei, ela...é só perfeita demais, e isso me irrita.
- Sabe o que isso parece?
- Hum? - questionei.
- Parece amor disfarçado de ódio.
- Já me falaram isso...
- Vou te dar um conselho, tente conhecer melhor a Clara, não julgue um livro pela capa, vai que você se surpreende. - Me deu um sorriso branco.
- Certo...