Capitulo 2

1589 Words
CAPÍTULO 2                                                          Clara  Jeffers                         Estava dormindo tranquilamente, até ouvir alguém tocando guitarra muito alto. Olhei a hora, eram exatas 5:00 da manhã. Bufei, era sábado, o dia que eu costumo estar mais cansada. E eu já sabia quem estava tocando.  Levantei-me da cama, extremamente irritada, e bati com força na porta do apartamento de Jorge. Logo o mesmo abriu, vestido inteiramente de preto.  “bonitinho... Foco Clara!”  O vi me olhar com um sorrisinho malandro, o mesmo me encarava de cima a baixo.   - Te acordei foi? - falou com ironia.   - É, por acaso sabe que horas são? - respondi irritada.  - Sei, eu tenho costume de tocar guitarra todo sábado. Então vai ter que aguentar “minha querida” ... - não aguentei e dei um t**a em seu rosto.  - Não ouse me chamar assim, e outra, se tentar tocar guitarra há essa hora outra vez, eu vou falar com a síndica do prédio. Passar bem!  Dei meia volta e voltei para meu apartamento, ouvindo sua risada. Ao entrar dei um grito de frustração. Me atirei no sofá, olhando para o relógio, ainda eram, 5:30.   “Nossa, fiquei meia hora brigando com Jorge...”  Decidi ir tomar um banho. Ao entrar debaixo do chuveiro, relaxei e senti minha raiva ir embora. Aproveitei para lavar os cabelos, já que tinham pegado chuva no dia anterior. Saí do box me secando e secando meus cabelos. Me enrolei na toalha, indo até meu quarto parando em frente do meu guarda-roupa. Peguei uma jardineira azul clara com uma blusa vermelha por baixo. Penteei meu cabelo prendendo num coque trançado como sempre. Calcei um par de tênis da adidas, e fui dar comida para Nina.   A encontrei deitada na minha poltrona da sala, ao me ver a pequena gata miou.  Bom dia, fofinha, tá com fome?- perguntei e Nina miou como resposta.  Fui até o armário da cozinha pegando o saco com a ração, e colocando em seu potinho. Vi a gatinha ir comer e eu fiz algumas panquecas com Nutella, minhas preferidas, junto com uma xicara de café preto.  Liguei a tv, colocando no jornal da manhã, me sentei ali com meu café.                                                   Jorge Angeles        Depois da visitinha da minha “vizinha perfeitinha”, eu me sentei no sofá. Ela é perfeita até de manhã e isso me irrita profundamente. Fiz um café e encarei a tv imerso nos meus pensamentos... estava decidido, iria para a França no final do ano. Mas ainda iria ter que entrar em contato com meu pai, para falar sobre isso.    Olhei para o lixo da cozinha, estava praticamente cheio. Bufei, tinha que descer para colocar na composteira do prédio, que ficava num cantinho do jardim do térreo. Levantei-me do sofá sem nenhuma vontade. Parei na frente do espelho, observando meu reflexo, meu cabelo loiro estava totalmente bagunçado e estava com olheiras gigantes, por conta de que eu tinha desenhado novos modelos até as 3:00 da manhã. Suspirei cansado, as longas horas trabalhando iam valer a pena, senhor Laurents tinha conversado comigo sobre uma possível promoção. Sorri por um minuto na frente do espelho. Fui até a cozinha pegando o lixo, e destrancando a porta, desci as escadas indo até o térreo. Lá estava colocando o lixo na composteira, ouvi passos atrás de mim, vendo de canto de olho meu outro vizinho insuportável, Leon Walters, cabelos cor de fogo, ou como eu chamo no meu subconsciente “tomate”. Percebi que o mesmo me encarava com a face rígida, mas calma.  - Perdeu algo aqui? - falei cruzando os braços.  - Não. Só te acho um t**o, Clara é a pessoa mais gentil que eu já conheci, e você aí a tratando mal...  - Você não tem nada a ver com isso.  - Então gosta dela?  - Não.  Falei e dei as costas, mas o ouvi rir sarcasticamente.  - Que bom, porque eu gosto... e não iria perder essa chance por nada, dá pra ver que ela gosta de mim também.  Fechei os punhos, me irritando com aquele cara. Nisso subi até o meu apartamento. Ao abrir a porta recebi uma ligação de Lúcia, minha prima.  - Oiiieee primo!!!  - Oi, Lu...  - Que voz é essa?  - Estresse prima, estresse..., mas eaí? Como está a faculdade?  - M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A! As aulas são incríveis, até as de teoria e você sabe que eu prefiro as aulas práticas...  - Que ótimo prima, que dia você vem pra Seattle?  - Está animadinho pra me ver é? - a loira platinada vulgo minha prima brincou.  - Ter você é melhor que ver as pessoas que eu trabalho...  - Sério? Não tem nenhuma menina bonitinha por lá não? Vai que você possa me apresentar uma...- riu.   - Você não vai querer prima, uma de lá o que tem de bonita, tem de chata, ela até me deu um t**a hoje....  - Hummmmmmm, esquentadinha ela não? Qual o nome da princesa bravinha?  - Clara, Clara Jeffers...  - Espera aí...  Ouvi Lúcia digitar no computador provavelmente ao seu lado. Logo voltou ao telefone.  - Bonita, sabia que ela tem uma página sobre ela na Wikipedia? Humm, ela é de uma família rica, e a tia dela é a Carolina Jonhson, a design! E ela já ajudou na confecção de um desfile da Victoria’s Secret.. Meu deus! Agora que eu quero conhecer ela...  - É justamente por isso que eu não a suporto, ela é perfeita demais, isso me irrita...  - Amor disfarçado de ódio – deu uma gargalhada.  - Não Lúcia, chega de brincadeira.  - Tá bom, tá bom... eu chego em Seattle na sexta-feira, vai ter que me apresentar pros seus colegas, especialmente a esquentadinha.  - Você não vai parar de me encher se eu não fizer isso né?  - Nop.  - Ok, ok   - Certo, vou ir tomar um banho, tenho um encontro ao meio-dia.  - Outro? Quem dessa vez?  - Uma garota da faculdade...te falo mais pessoalmente. Tchauzinhoooo.  - Espera...  Lúcia desligou o telefone e eu bufei.  - Ela nunca aprende. - Ri de canto.                                                          Clara Jeffers      Estava deitada no sofá com Nina em cima da minha barriga, prestava atenção na Tv que exibia um filme aleatório. Fazia carinho em sua barriguinha e Nina ronronava feliz. Percebi que estava chovendo levemente na rua. Levantei-me do sofá indo até minha pequena varanda, olhei a cidade, pouco movimentada, por ser cedo nessa manhã de sábado. Ao perceber a chuva aumentar, fechei a porta de vidro que dava para a varanda e as janelas do apartamento.   Estava começando a ficar frio, e minha jardineira era muito leve para aquele tempo. Voltei ao meu quarto. Colocando uma blusa de moletom, calças legging e meias quentinhas. Me assustei ao ouvir um trovão, voltando a sala, desligando a TV.  Vi Nina deitar-se em sua cama em formato de castelinho. E eu me sentei novamente no sofá, só que com uma coberta. Fiquei encarando o teto por alguns minutos. Até ouvir o telefone tocar.  - Alô? - atendi.  - Senhorita Jeffers?  - Sim...  - Aqui é o assistente do senhor Laurents, Willian North.  - Ah olá Willian. O que gostaria de falar comigo em plena manhã de sábado?  Ouvi Willian rir.  - O senhor Laurents pediu que entrasse em contato com a Senhorita o mais cedo possível. Ele viu seu trabalho desta semana e quer lhe dar uma promoção.   - Que ótimo!  - É, é incrível mesmo... ele quer a encontrar uma hora mais cedo na segunda-feira, para discutir sobre o assunto.  - Certo, muito obrigada Willian.  - Não precisa agradecer, é meu trabalho.  Desligamos o telefone, e eu sorri satisfeita.   “Primeira semana de trabalho e já uma promoção.”  Aí eu lembrei de Tobe, meu irmão, claro que tinha o Joe, mas a esposa dele a Anna, havia ganhado gêmeas recentemente (duas meninas, Ava e July, que são as coisas mais fofas) e Joe ficou dividido entre o trabalho e a casa. Por isso nós não nos falamos tanto, só quando eu vou visitá-los.  Já Tobe, namorava a distância já que Isis, uma jovem de 26 anos, com cabelos castanhos ondulados na altura dos ombros, morava na Georgia onde fazia estágio de medicina num hospital do câncer infantil.   Disquei o telefone de Tobe, que após duas chamadas, atendeu.  - Oi, maninha, chegou bem em Seattle?  - Sim, morar aqui é ótimo - ri. - Mas tenho uma notícia.  - Eu sou o primeiro a saber?   - Obvio, você é meu irmão favorito! - respondi deitando a cabeça no braço do sofá.  - Acho bom mesmo! Mas eai? Conta!  - Recebi uma promoção.  - Nossa mana! Que incrível, parabéns!  - Obrigada mano... sabe, tô com saudades dos nossos finais de semana juntos.  - Eu também... como tá o clima aí?  - Tá caindo o mundo...  Ouvi Tobe rir...  - Aqui não tá muito diferente...  - E a mamãe e o papai?   - Estão bem. Mamãe tá ensaiando pra um espetáculo, e o pai trabalhando sem parar, ah e eles te enviaram um presente, deve chegar por amanhã de acordo com os meus cálculos...  -Que bom que estão bem... acho que eu vou cozinhar daqui a pouco, fazer uma yakisoba.  - Hummmmm, amo sua yakisoba...  - Vem me visitar então, que eu faço pra você.  - Eu vou, só eu entrar de férias.  - Vou te esperar.  Passada meia hora, desliguei o telefone me despedindo, e indo pra cozinha cozinhar, me fazia me sentir em casa, que nem nos tempos de quando éramos mais jovens e brincávamos do quintal na quadra de basquete.  
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