Ian A convivência tem sido um exercício de presença e silêncio. Desde que comecei a dormir na casa com mais frequência, percebo que há camadas da relação entre Matt, João e Soraia que não se revelam de imediato. Elas se insinuam nos gestos, nos olhares, nas ausências. E, às vezes, no som abafado de uma porta fechada. Naquela noite, eu estava na sala com Soraia, dobrando mantas e conversando sobre o blog. Ela falava sobre os novos leitores, sobre os comentários que recebia, sobre como a expansão do conteúdo exigia mais responsabilidade. Eu ouvia, interessado, mas distraído. Porque, do corredor, vinham sons. Matt e João estavam no quarto. A porta estava fechada, mas não trancada. E os sons eram claros: risos baixos, murmúrios, o ranger da cama. Era i********e. Era sexo. E eu não estava lá

