06

1065 Words
Eu estava de frente para o espelho, tentando me reconhecer naquela imagem refletida e tão diferente da Mary que eu conhecia. Eu não sabia o que fazer para me sentir bonita. Minha pele é pálida e minhas unhas todas quebradas e escuras. — O que deseja fazer nesse cabelo? — Aurora perguntou, passando a mão nos fios. — Não sei. — Dei de ombros. — Eu gosto dele assim. — Não mesmo — ela respondeu, torcendo o nariz. — Você vai cortar. Ela me levou até um salão de beleza, onde depois de muitas discussões, cortei meu cabelo na altura dos ombros e gostei do resultado. Meu cabelo nunca esteve tão curto e diferente. — Gostou? — Perguntei, ajeitando o cabelo novo. — Uau! — Aurora sorriu com satisfação. — Você quebraria o coração de qualquer um em um piscar de olhos. Pensei em Klaus, meu desejo é ter esse resultado sobre ele. Eu farei com o coração dele a mesma coisa que ele fez com o meu. Voltamos para sua casa e ela ligou para alguém, o mesmo confirmou que estava chegando em alguns minutos. — As bruxas da cidade estão a nosso favor. Elas querem tanto quanto nós acabar com os Mikaelson. Sabia que o seu irmão também está entre elas? — James? — Questionei surpresa. — Se faz mesmo mil anos então ele deveria estar morto. — Ele estava. As bruxas canalizaram magia dos ancestrais e trouxeram ele de volta no corpo original. — Aonde ele está? — Perguntei ansiosa. — No cemitério das bruxas, ele virá em breve. — Examinou as unhas sorrindo. — Meus amigos estão chegando para colocar o plano em ação. A campainha tocou e dois homens entraram sorrindo, me analisando cuidadosamente. — Esse é meu irmão — ela apontou para um dos homens —, Tristan. O outro é Lucien Castle. — Eu sou Mary Stuart. — Acenei com a cabeça, sorrindo sem mostrar os dentes. — É mais bonita do que eu imaginava — Lucien disse, retribuindo o sorriso. Me surpreendi com o modo como ele falou. Eu não estava acostumada a receber elogios dessa forma. — Obrigada, eu acho. — Franzi a testa. — Klaus transformou o Lucien e Elijah, Tristan — Aurora explicou. — Mas claro que eu tenho um jeito de desligar a ligação entre mim e Klaus — Lucien disse. — Não se preocupem. A campainha tocou outra vez e a porta se abriu, soprando um vento frio e revelando James. Meus olhos se arregalaram em surpresa e corri abraçá-lo. Fazia tanto tempo, sentir seu cheiro característico era aconchegante. — Você está viva — ele disse incrédulo, me abraçando forte. — E você também. — Abracei ele com força. — Vocês têm muito o que conversar. — Aurora saiu, puxando os dois homens pela mão. Sentei no sofá, ao lado de James e não consegui conter a emoção, derramando algumas lágrimas que estava segurando na frente dos outros. — Como você está? — Perguntei. — Ainda é bruxo? — Sim, sou. Ele sorriu com felicidade, então fez uma mágica estalando os dedos e fazendo as velhas janelas abrir com um rangido. — Eu sinto tanta saudade da magia. — Suspirei com tristeza. — Ela ainda está em você, eu posso sentir, só está bloqueada. — Segurou minha mão, percebendo a minha tristeza. — Sobre essa Aurora, eu não confio nela. As bruxas e os ancestrais falam sobre uma profecia que deverá se cumprir e modo como ela vai acabar não me agrada. Você sabe que isso é errado. — Eu também não confio nela, mas ela me ajudou. Então acho que lhe devo o beneficio da dúvida. — Mordi o lábio inferior, pensando com raiva em tudo o que eu passei. — E no final disso tudo aquele maldito bastardo vai implorar para ficar vivo. — Mary... — James segurou meu braço, me tirando dos pensamentos. — Sua boca... Passei o dedo em meu lábio e ele sangrava com pressão que fiz com os dentes, mas logo sarou, deixando só o gosto metálico do sangue. O lado do bom do vampirismo era a cura acelerada. — A conta vai chegar algum dia — falou calmo, tentando me convencer. — Talvez devêssemos perdoar ele, deixar nossa vingança para Deus. — Nunca! — Fechei os punhos. — Eu não esqueço e não perdoo! Deus não fez nada esses últimos mil anos e ele ainda continua causando mortes e destruição. Deus não existe, mas o meu ódio e o desejo de vingança sim. — Você está cega de ódio e raiva. — É porque não foi você quem sentiu seu coração sendo arrancado pela pessoa que mais amava. — Mary, eu acho... — Não, James! A minha decisão está tomada. — Respirei fundo. — Eu vou ter o que eu quero e se alguém quiser me parar terá que me m***r! Vi olhar decepcionado de James. Eu não sou mais aquela que ele conheceu, eu nunca mais vou ser ela e sinto muito por isso. Aquela Mary era tão boa e ingênua. — Vamos mudar de assunto. — Segurou minhas mãos. — Enquanto estava morta, o que você viu? Para mim parecia o paraíso, era um campo, como o da aldeia, porém as pessoas eram tão amigáveis e gentis. É muito clichê isso, talvez fosse um "sonho", mas foi tão real para mim. Só faltou você lá. Desviei o olhar e lembrei sem querer do que parecia um pesadelo sem fim. Meu corpo estava todo coberto por sangue pegajoso e grosso. Eu estava no escuro e havia uma enorme escada, na qual eu desci e cai na escuridão. A queda nunca tinha fim e era tão amedrontador. Minha mente estava pesada, eu não conseguia gritar ou respirar e a falta de ar foi a pior coisa, meus pulmões queriam explodir. Parecia que mesmo com todos os esforços para chegar a algum lugar, aquilo só piorava e ficava mais escuro, até no final eu era engolida totalmente pela escuridão. E esse ciclo se repetia, um após o outro, sem fim e cada vez pior. — Não lembro. — Menti, olhando para as minhas mãos. — Acho que foi parecido com o seu. James percebeu a mentira, mas não tocou mais no assunto, respeitando o meu silêncio e minha dor. Agora eu só conseguia pensar em como estava vazio e escuro, sem ter ninguém para me ajudar.
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