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1264 Words
POV MARY Acordei com o corpo pesado. Meus olhos se recusavam a abrir e tive que fazer esforço para mantê-los abertos. Quando finalmente consegui adaptar meus olhos a escuridão, percebi que estava em um local minúsculo, frio e confinador. Coloquei a mão em todos os cantos daquele cubículo, tentando achar alguma saída, mas foi inútil. Minha barriga se contorcia em fome e implorava para sentir o sangue entre os lábios. Sangue, pensei com estranheza. Por que eu desejo tanto sangue? Fechei os olhos e lembrei da noite em que Klaus arrancou meu coração. Parecia um sonho, mas a dor foi real demais para isso. Era como se isso tivesse acontecido ontem e só agora eu caísse na real. Coloquei a mão no peito e só senti um buraco em meu vestido, talvez fosse real, mas minha mente se recusava a acreditar. Não poderia ser real, o Klaus me amava. Involuntariamente uma lágrima caiu de meu olho, percorrendo todo meu rosto e molhando minha bochecha. Com todas as forças que encontrei, quebrei aquelas paredes de madeira que me confiavam e tive a visão de um lugar murado, cinza e escuro. — Já acordou? — Ouvi uma voz feminina. — Achei que demoraria mais um milênio — disse divertida com a situação. Olhei em volta, a procura da voz sombria daquela mulher. A vi sentada em um canto, com um vestido verde e cabelos ruivos. Não consegui ver direito seu rosto, mas senti ela sorrindo. Ela jogou uma bolsa de sangue em meu colo e finalmente saiu das sombras. Olhei para ela confusa e só depois percebi que estava sentada em um caixão velho, caindo aos pedaços. — Meu nome é Aurora, caso esteja se perguntando — respondeu a minha dúvida. — Eu sei que está faminta. Eu trouxe essa bolsa especialmente para você. Bom apetite. Sem pensar duas vezes, rasguei a bolsa com as presas e saciei minha fome, sujando ainda mais meu vestido vermelho. Como ele estava sujo, parecia que fazia anos que eu não o tirava, todo empoeirado e desbotado, com rasgos em várias partes. Sai do caixão com uma velocidade que não reconheci. Quando eu havia ficado tão rápida assim? — Meu Deus! — Aurora colocou a mão na boca. — De que século é esse vestido? Parece que você saiu de uma novela histórica de péssimo gosto. — O quê? — Olhei confusa para as minhas roupas e depois para o vestido curto dela. — Eu nem te conheço, não tem o direito de reclamar das minhas roupas quando está faltando tecido em seu vestido. — Isso é moda, meu amor. — Puxou o vestido para cima, deixando ainda mais a coxa a mostra. — Precisamos arrumar roupas novas para você, de preferência do século XXI. Foi até os portões do pequeno ambiente, fazendo menção para eu segui-la. — Eu não vou com você — disse com a testa franzida. — Até agora eu só sei que seu nome é Aurora, se é que é esse mesmo seu nome. Você nem me conhece. — Bom, seu nome é Mary do Clã Stuart, foi traída pela sua própria família e seu grande amor arrancou seu coração, estou certa? — Virou-se novamente para mim. — Agora aqui vai a minha história tão trágica como a sua: eu morri com o sangue de Rebekah Mikaelson no organismo, uma das primeiras vampiras que os originais transformaram. Após perceberem que haviam criado alguém como eles, aquela maldita família tentou me m***r. A diferença entre nós é que eles não conseguiram esmagar meu coração. Coloquei a mão no peito novamente, sentindo a mesma dor que senti naquela noite. — Eu também me senti traída e enganada — continuou —, mas ódio vira a sua razão de viver quando perde tudo o que ama, Mary. Não seria bom fazer o Klaus sentir tudo o que você sentiu? Cada dor, cada mágoa e ressentimento enchendo a mente de ódio. Eles merecem toda essa dor e muito mais... — Chega!! — Gritei com lágrimas nos olhos. — Isso não é verdade. Nada disso é verdade! — Ah, não? Então por que você engoliu aquele sangue todo com tanto prazer? Por que sua mente está repassando várias vezes o momento da sua morte? — Continuou falando sem parar, causando náuseas em meu corpo. — Isso que você está sentindo eu senti também. — Ficou em silêncio alguns minutos. — Nós estamos no século XXI, as coisas mudaram muito. Eu posso te ajudar, mas para isso terá que confiar em mim. Eu já provei que sou sua amiga, seja a minha também. Ela estendeu a mão e eu peguei, sem pensar direito no que estava fazendo. Aurora, em velocidade de vampiro, nos levou até uma casa velha longe dali. — Veste isso. — Jogou um vestido em meu colo. Coloquei, mas ficou tão curto que tive que puxá-lo para baixo. Era desconfortável para quem apenas usou vestidos pesados a vida toda. — É assim que as mulheres modernas se vestem — ela falou. — Então me diga, Aurora, por que está me ajudando? — Questionei em tom de desafio. — Eu quero vingança — respondeu com ódio em seus olhos. — E vou acabar com cada m****o daquela família, nem que eu vá até o inferno fazer um acordo com o próprio d***o para conseguir isso! — Você tem tanto ódio... — Você ainda tem o coração puro, Mary. Não sabe o que eles fizeram esses últimos mil anos. Assim como você, Klaus também me seduziu. Eu era tão apaixonada por ele até o ponto de me sacrificar, mas o amor é inferior para ele. Você sabia que ele tem uma filha? Aliás, foi com o sangue dela que eu te trouxe de volta à vida. — Uma filha? — Meu coração se despedaçou, isso significa que ele tem outra mulher. — Você tem muito o que aprender. — Balançou a cabeça rindo. Aurora contou tudo o que presenciou, todos os atos horríveis e diabólicos do Klaus e de sua família. Quando ela acabou, eu m*l reconhecia aquele homem já amei muito um dia. — Depois disso ainda existe bondade em seu coração? — Ela riu da minha expressão de dor. — Ainda ama aquele homem que já causou tanto m*l no mundo? Eles não merecem sua compaixão, Mary. Quando o Klaus arrancou seu coração ele não teve piedade. Respirei fundo, controlando a raiva que crescia cada vez mais dentro de mim. Ela estava certa. — Você vai me ajudar? — Perguntou com esperança. — Pense, "Klaus Mikaelson, o híbrido imortal morto por duas ex-namoradas". Isso daria até um filme. Seríamos adoradas pelos inimigos do Klaus, uma linhagem inteira de seus vampiros morreria, todos de uma vez. Depois partiremos para o restante daquela família suja... É só aceitar e eu posso te mostrar o que o mundo inteiro tem a oferecer. Pensei mais um pouco. Aceitar aquilo seria passar em cima de tudo o que eu acredito, e ainda mais, eu iria causar sofrimento a muitas pessoas. — Eu estou com você — respondi sem pensar mais, se eu pensasse talvez desistiria. — Eles têm que pagar por todo sofrimento causado! — Isso! — Ela saltitou rindo. — Seremos uma ótima dupla, Mary Stuart. Mas primeiro vamos ter que dar um jeito nesse cabelo seco e quebrado. Sorri em resposta, animada com a alegria dela. Eu vou fazer o Klaus sentir tudo o que eu senti, e no final vou cuspir em sua cara. Eu vou ter a minha vingança, nem que seja a última coisa que eu faça na vida.
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