Was You!

2406 Words
Era aproximadamente oito horas da noite, e eu devia estar indo ao meu trabalho, porém estava com medo demais de sair do que meu quarto, pois em todo instante me lembrava das palavras de Carter: "Me espere hoje à noite". Na porta do meu quarto estava toda protegida por vários móveis que eu consegui mover para frente dela, enquanto eu no chão próxima a cama com um canivete ao meu lado. Sentia cada batida do meu coração como se fosse sair a qualquer momento do meu corpo. Sabia que aquilo não era uma boa ideia, sabia que eu iria sofrer as consequências em dobro, mas o problema era que eu sabia perfeitamente o que ele iria fazer comigo. Não, com meu corpo. Minha v1rilha ainda estava se recuperando da outra vez. Em minha mente, a cada fôlego, culpava Kalel, porém sabia que a metade da culpa também era minha por ter deixado ele se aproximar demais de mim. Ele me enviou diversas mensagens depois que eu o deixei no corredor, e cerca de cem porcento delas eram pedidos de desculpas em forma de poema ou texto. Tirando-me dos meus devaneios, batidas soaram na porta deixando-me assustada. Em seguida, essa mesma pessoa que bateu começou a abrir a porta, pelo menos tentar abrir. — Casandra... — A voz do Carter soou suave e rouca, fazendo meus olhos marejarem. — Sabe que isso só vai lhe prejudicar, não sabe? — Meu corpo fez menção de se mover para abrir a porta e eu tive que me esforçar pra não fazer tal burrada. — Hm, será que ela não está aqui mesmo com meu aviso? — A tela do meu celular se acendeu em uma ligação dele enquanto eu dava graças a Deus por ele estar no silencioso. — Será que ela está no trabalho? — Gargalhou maliciosamente. — Que v4dia burra! — Seus passos soaram para longe da porta, mas eu não suspeitei de alívio nem nada do tipo, continuei atenta. Carter não era burro e eu sabia perfeitamente disso, a única burra da história era eu. A tela do meu celular se acendeu novamente e dessa vez fora uma mensagem do Kalel: Hey, você está bem? Espero que sim! Espero que me perdoe também! Meus olhos marejaram ao mesmo tempo que bloqueava o seu contato. — Isso tudo é sua culpa... — Sussurrei apagando o contato assim que bloqueei ele. O dia amanheceu e meus olhos se abriram percebendo que eu tinha adormecido no chão do quarto. Me sentei e cada parte do meu corpo emitiu uma sinfonia de estalos, ficando totalmente dolorido logo em seguida. Com dificuldade me levantei e movi em direção ao banheiro deixando uma trilha de roupas no caminho. Entrei debaixo do chuveiro e deixei com que a água quente relaxasse meus músculos doloridos ao mesmo tempo que escovava meus dentes debaixo do chuveiro. Ao término do banho e das minhas higienes pessoais, sequei cada parte do meu corpo retornando ao quarto. Na cama, pelo o quarto dia seguido, passei a pomada em minha v1rilha. Optei por um vestido solto e de uma cor que a maquiagem que iria passar em meu pescoço não a manchasse. Meus cabelos deixei-os soltos e nos pés, usei o habitual tênis preto que usava desde sempre pra tudo. Com a mochila nas costas e o celular em mãos desfiz toda a barricada do dia anterior. Minhas mãos pararam na maçaneta e eu inspirei e respirei várias vezes, criando coragem e ao mesmo tempo espantando o medo pra abrir a porta e sair. Meu olhar pairou na faca no chão e meu corpo se moveu até ela. Não sabia se usaria, nem queria usar ela, mas eu iria levar comigo por precaução. Sai do quarto e por mais que eu tivesse a sensação de que algo iria ocorrer comigo, deixando-me ainda mais assustada e com medo, caminhei pelo os corredores em direção ao meu campus. Faltei as aulas do dia anterior e não era uma boa faltar novamente, dois dias seguidos é igual a perda da bolsa. No exato momento em que entrei na porta, meus olhos automaticamente pairaram sobre Kalel em um canto conversando com um grupo de meninas e meninos enquanto sentado na mesa com um largo sorriso em seus lábios. Todos estavam o encarando e sorrindo de maneira boba, ele era o centro das atenções e gostava daquilo. Caminhei em passos rápidos até minha carteira percebendo que o silêncio reinou entre o grupo de Kalel, e pela a primeira vez em muito tempo, aquilo me deixou completamente desconfortável. — Eu te disse pra evitar ficar próximo dela... — Uma voz feminina soou fazendo meu coração doer. Aquilo era o que todos falavam, ainda falam, a respeito de mim e minha situação. — Ela é legal, só precisa descascar pedaço por pedaço pra chegar na boa parte! — Tentei não concentrar minha atenção na conversa, porém era algo completamente inevitável. — E eu não sou tão medroso quanto vocês! — Passos soaram e em segundos Kalel estava puxado a carteira ao meu lado. Ignorei-o por completamente, mas graças a minha visão periférica, contemplei seus olhos movendo cuidadosamente por cada parte do meu corpo, com uma atenção surpreendente, como se procurasse por algo fora dos eixos em mim. — Você viu minhas mensagens? — Indagou ele enfim, e diferente das outras vezes, não ouvi a alegria e a diversão em sua voz. Não era algo pra ficar feliz, porém eu fiquei feliz, pois significava paz pra mim. Pelo menos eu achei que era felicidade. Não o respondi e ele deve ter percebido que não pretendia tão cedo o responder, pois um suspiro soou de seus lábios ao mesmo tempo que passava as mãos em seus cabelos. — Você não está cansada de ser sozinha não? — Sua pergunta foi um soco em meu estômago, deixando-me completamente sem palavras e sem atitudes enquanto ele se levantava com a mochila e retornava para o seu grupinho de antes. "Porr4, claro que eu estou cansada de ser sozinha... ", pensei segurando as lágrimas que queriam descer pelo o meu rosto. Aquela era a primeira vez que alguém fazia aquela maldita pergunta pra mim. A professora adentrou a sala e começou a ministrar a sua aula. Tentei prestar atenção, porém toda ela estava procurando uma resposta para a maldita pergunta do Kalel. Ela era tão simples de se responder, tão simples que eu nem sabia por onde construir uma resposta. No final das aulas não consegui absorver nada do que foi lecionado, e era algo frustrante. Mandei mensagem pro meu chefe da boate explicando o motivo da minha ausência, ele como todos sabia o que acontecia comigo, e como todos não fazia absolutamente nada. Até tentou, mas desistiu quando viu que não adiantaria nada e que a única saída era matar Carter. Surpreendente ele compreendeu e disse que não tinha problema, pois o movimento era pouco e que, para a minha felicidade, não iria debitar do meu salário a ausência de ontem. Retornei para o meu quarto afim de estudar mais um pouco antes de entregar currículos em qualquer lugar que estivesse contratando pessoas de meio período. Meus olhos se arregalaram e meu coração começou a bater no mais puro medo quando dei de frente com Carter no início da escada. Tentei correr, mas suas mãos envolveram a minha nunca e me jogou contra a parede, mantendo-me em pé pressionada na parede. — Você estava no quarto e não me atendeu... — Ele disse com a voz calma, mas aquilo me deixou desesperada, pois era o sinal de que algo muito r**m iria acontecer logo em seguida. — Sabe a consequência e mesmo assim age de tal maneira! — M-Me desculpe... — Ofeguei começando a chorar, mas minhas palavras e meu choro não o impediram de me forçar a caminhar até o meu quarto. Tentei me soltar dele, realmente tentei, mas estava fraca por falta de comida no estômago, e ele sempre foi mais forte do que eu. — Me s-solta Carter! — Exclamei começando a me debater quando fui forçada a entrar no quarto, e jogava na cama. — P-Para! — Tentei o empurrar quando suas mãos tiraram a minha calcinha, e percebendo isso, com uma das mãos segurou as minhas acima da cabeça. Ele ficou entre as minhas pernas enquanto abria os botões de sua calça e puxava o seu p4u pra fora. Sem qualquer tipo de preparação e de lubrificação, Carter adentrou-me. Um gemido de dor soou dos meus lábios ao mesmo tempo que as lágrimas aumentavam enquanto ele sorria maliciosamente. Fechei meus olhos gemendo de dor e esperando pelo o agir de Deus em minha vida ou simplesmente alguém matar ele pra mim. Não tinha mais lágrimas pra chorar, meu corpo estava todo dolorido e de dentro da minha v1rilha sentia o seu sêmen saindo, fazendo com que eu sentisse um nojo tão grande de mim. Carter tinha ido embora, mas me deixado em posição fetal completamente nua, em meio os suspiros, levei minha mão até minha 1ntimidade, e não fiquei nada surpresa que vi meu sangue misturado com o sêmen dele, mas mesmo assim aquilo fez com que eu chorasse sem as lágrimas. Levantei-me com dificuldade, no primeiro pisar no chão, meu corpo falhou e eu desabei no chão. Não deveria, mas forcei-me a levantar e caminhar ao banheiro. Cada parte do meu b***o estava repleto de marca de mordidas e chupões, todas completamente doloridas. As novas marcas em meu pescoço se misturaram com as antigas, tornando-se algo praticamente impossível de cobrir. Um grito baixo soou dos meus lábios ao mesmo tempo que minhas mãos pegavam a gilete em cima da pia que me depilava. Desmontei-a, pressionando a lâmina em meu pescoço com uma força tão grande que fez um filete de sangue verter. "Não faça isso...", a voz de Kalel soou em minha mente fazendo com que eu parasse de apertar. "Eu quero ser seu amigo e não vou desistir de você, não sou como os outros." Afastei a lâmina do meu pescoço ofegando baixo, usando toda a minha força pra não gritar ou ignorar a voz dele que continuava soando em minha mente. Meu olhar pairou no pulso, na coxa e então em minhas costelas e sem pensar muito bem, passei-a em minha pele. Não senti dor, mas sim, alívio enquanto o sangue descia pela a lateral do meu corpo. Cortei novamente percebendo que estava sorrindo, e não era de felicidade, mas sim de desespero. Aquela não podia ser a minha vida, ela não podia se basear completamente em ser abusada sexualmente, mentalmente e fisicamente quase todos os dias, em não ter amigos, em não ter ninguém comigo graças ao relacionamento abusivo que eu tinha. Tentava acreditar em Deus, mas com tudo que eu estava passando, era algo impossível. Ele tem um propósito pra mim, eu sei que tem, pois ninguém aguenta viver de tal maneira por muito tempo... E eu estava em meu limite. "Mate-o...", uma voz baixa soou em minha mente. "Vai viver melhor na cadeia do que aqui enquanto ele viver". — Hora de adiar o que venho temendo por anos! — Exclamei pra mim mesmo enquanto me olhava no espelho fixamente. — Depois eu posso tirar a minha vida, pois estarei satisfeita em o matar com minhas próprias mãos! — Gargalhei sentindo as lágrimas retornarem a descer pelo o meu rosto. O dia amanheceu e novamente eu não fui trabalhar na noite anterior, mas eu não estava me importando, pois eu seria presa em breve por matar Carter e fazer ele pagar por tudo que me causou. Não conseguia andar muito bem, cada parte do meu corpo reclamava a cada passo que eu dava. Minha v1rilha ainda sangrava, mas mesmo assim passei a maldita pomada e usei absorvente. Podia ter tentado esconder o meu pescoço, realmente podia, mas saí do quarto com uma regata e uma calça jeans folgada. Dentro do bolso estava o canivete que usaria para o matar e admirar seu último suspiro. Todos me olhavam surpresos e horrorizados enquanto eu caminhava pelo o campus e adentrava a faculdade procurando por Carter. Minha mão adentrou o bolso da minha calça, segurando o cabo do canivete assim que o encontrei, de costas, em frente a porta da sala que eu frequentava. Não hesitei e nem amedrontei quando caminhei em sua direção, eu só queria viver a minha vida em paz e ver ele pagar por tudo que me causou nesses seis anos de curso. — Casandra... — Alguém me chamou no exato momento em que tirei o canivete quando alcancei suas costas. Guardei a arma branca rapidamente enquanto Carter se virava para me encarar e eu olhava com desdém para a menina que olhava assustada meu pescoço. — A p-professora quer ver você em sua sala! Suspirei e me afastei de Carter. Ele me chamou, mas eu estava tão irada por terem interrompido o meu surto de coragem para fazer algo que desde que tudo isso contou, que nem ouvi e caminhei em direção a sala da professora. Bati duas vezes e nem esperei a sua confirmação, apenas adentrei a sala encontrando Kalel sentado em uma das cadeiras que ficava na frente da mesa da professora. Eles me olharam horrorizados, em específico Kalel, pois levantou-se de repente ao mesmo tempo que eu me sentava em uma cadeira fixando o meu olhar em minha professora com uma pitada de impaciência. — Qual o motivo de terem me chamando aqui? — Indaguei enquanto ela olhava para o Kalel e em seguida pra mim. — B-Bem, o sr. Toyosaki me disse que não estão trabalho para realizar o trabalho... — Ela disse fazendo com que meus olhos se revirassem. Via seus lábios se movendo falando horrores sobre a importância daquele trabalho e em como seria bom para eu fazer algo em grupo. Assentia com cada coisa que ela falava, mesmo sabendo que não estava ouvido e que nem fud3ndo iria ouvir e obedecer ao que ela estava falando. Por fim ela nos liberou e eu mais que rapidamente sai da sala, porém Kalel me alcançou e me impediu de continuar andando forçando-me a me virar o ver em seu rosto o quão preocupado estava. Preocupação misturado com pena e uma pitada de raiva. — O que foi isso? — Indicou para o meu pescoço. — Ele fez isso? — Ele? Carter? Não! — Exclamei soltando-me bruscamente dele. — Isso daqui foi você!
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