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1304 Words
O portão monumental do castelo se fechou atrás deles com um som metálico pesado que ecoou pela estrada de pedra. Por alguns segundos, apenas o ronco suave do motor do carro preenchia o silêncio da noite. Kael conduzia o veículo com tranquilidade absoluta, as mãos firmes no volante enquanto o carro descia a estrada sinuosa que cortava as montanhas. A lua iluminava parcialmente o caminho, refletindo na lataria n***a do carro, que parecia quase deslizar pelo asfalto. Dentro do veículo, o ambiente era descontraído. Muito diferente da formalidade que dominava o castelo. Darius estava relaxado no banco da frente, uma pequena garrafa de whisky girando lentamente entre seus dedos longos. O líquido âmbar refletia as luzes do painel enquanto ele observava a estrada com um sorriso preguiçoso. Marek estava encostado contra a janela, olhando para fora. A paisagem escura das florestas passava rapidamente, mas seus olhos pareciam atentos a cada detalhe. Luian ocupava o banco traseiro sozinho. Estava recostado, com uma das pernas esticada e o braço apoiado no encosto do banco. A camisa n***a ainda estava parcialmente aberta no peito, revelando parte do abdômen definido. O casaco escuro que usava parecia elegante sem esforço. Ele parecia muito mais relaxado agora. O peso da mesa real já havia desaparecido completamente de seus ombros. — Então… — disse Darius, quebrando o silêncio — sobreviver ao jantar foi tão horrível quanto eu imaginei? Luian soltou um pequeno riso. — Você não faz ideia. Kael virou o volante com suavidade enquanto o carro entrava em uma curva longa. — Seu pai fez perguntas? — Não diretamente. — Isso é pior. Luian assentiu levemente. — Cèlèna viu Lisbeth chorando. Darius ergueu as sobrancelhas. — Isso é… inconveniente. Marek virou levemente a cabeça. — O que você disse? — Que ela estava com ciúmes. Darius começou a rir. — Eu adoro quando você resolve problemas mentindo. — Eu não menti completamente. Kael comentou calmamente: — Seus pais acreditaram? Luian deu de ombros. — Por enquanto. Darius tomou um gole do whisky direto da garrafa. — Até eles perceberem que Lisbeth não vai aparecer no castelo novamente. Luian apoiou o cotovelo no encosto da porta. — Até lá já será problema do futuro. Marek murmurou: — O futuro sempre cobra. Luian sorriu. — Mas não hoje. A estrada começou a mudar. As montanhas ficaram para trás. As árvores começaram a desaparecer. No horizonte, luzes começaram a surgir. Primeiro algumas. Depois dezenas. Depois centenas. A cidade mortal se revelava lentamente. Prédios iluminados. Placas de néon. Faróis de carros cruzando avenidas. Luian se inclinou um pouco para frente no banco. A visão sempre o atraía. O mundo humano era vibrante. Desorganizado. Intenso. E isso tornava tudo mais interessante. Os humanos viviam pouco. Mas viviam como se cada noite fosse a última. E isso tornava suas emoções muito mais… deliciosas. Kael entrou na avenida principal da cidade. O trânsito era intenso. Carros modernos passavam em alta velocidade. Pessoas caminhavam pelas calçadas. Grupos de jovens riam alto. Algumas mulheres viraram a cabeça quando o carro passou lentamente. Darius percebeu imediatamente. — Já estamos sendo observados. Luian olhou pela janela. Uma garota loira na calçada diminuiu o passo enquanto o carro passava. Ela claramente estava olhando. Ele sorriu de lado. — Humanos são curiosos. Marek comentou: — Eles sentem quando algo é diferente. Kael estacionou o carro em frente a um grande prédio iluminado por luzes azuis e roxas. O letreiro brilhava intensamente. ECLIPSE Uma fila longa se estendia diante da entrada. Música pesada vibrava através das paredes do prédio. O chão parecia tremer levemente com o grave das batidas eletrônicas. Darius abriu a porta primeiro. O ar quente da cidade entrou imediatamente. Cheiro de álcool. Perfume caro. Cigarro. E excitação. — Finalmente — disse ele. Kael desligou o motor. Marek saiu do carro em silêncio. Luian foi o último. Assim que ele colocou os pés na calçada… Várias pessoas na fila olharam. Era automático. Os quatro tinham presença. Darius era alto e atlético, vestindo uma jaqueta de couro escura e calça preta ajustada. Kael tinha uma elegância natural, com sua camisa branca perfeitamente ajustada ao corpo e cabelos loiros caindo até o queixo. Marek parecia quase ameaçador em roupas totalmente pretas, com um olhar silencioso e penetrante. E Luian… Luian parecia ter sido criado para aquele tipo de noite. Cabelos negros levemente bagunçados. Olhos prateados que refletiam as luzes da cidade. Camisa aberta no peito. Casaco elegante. Confiança natural em cada passo. Uma mulher na fila sussurrou para a amiga: — Meu Deus… Darius ouviu. — Acho que gostaram de nós. Luian começou a caminhar em direção à entrada. O segurança — um homem enorme de braços tatuados — começou a levantar a mão. — Senhores, a fila— Mas parou. Os olhos de Luian encontraram os dele. Foi apenas um segundo. Mas algo no olhar prateado fez o homem recuar. — Boa noite. A corda foi levantada imediatamente. Eles entraram. Dentro do clube… O ambiente era completamente diferente. Luzes cortavam a escuridão em tons de azul, roxo e vermelho. A música era alta. Batidas eletrônicas vibravam no chão. Corpos se moviam na pista de dança. Mulheres com vestidos curtos. Homens com copos nas mãos. Risos. Calor. Desejo. Darius abriu os braços. — Ah… eu adoro humanos. Kael observava as pessoas com interesse quase científico. — Tantas histórias acontecendo ao mesmo tempo. Marek caminhou direto para o bar. — Bebida primeiro. O bar era longo e iluminado por uma faixa de luz azul. Garrafas brilhavam atrás do balcão. O barman — um homem jovem de barba curta — se aproximou. — O que vai ser? Marek respondeu: — Quatro whiskys. Os copos apareceram rapidamente. Darius pegou um. Kael pegou outro. Luian observava o ambiente enquanto pegava o terceiro. Marek ficou com o último. Darius levantou o copo. — À liberdade. Kael levantou o dele. — À noite. Marek levantou o seu. — Aos erros. Luian levantou o copo por último. Seus olhos brilhavam sob a luz do bar. — À diversão. Eles beberam. O álcool desceu queimando pela garganta. A música mudou para um ritmo ainda mais pesado. A pista estava cheia agora. Mulheres dançavam com os braços no ar. Luzes piscavam. Uma garota de vestido vermelho passou perto deles. Ela diminuiu o passo. Olhou diretamente para Luian. E sorriu. Darius riu. — Isso foi rápido. Luian apenas respondeu com um olhar demorado. A garota corou levemente. Marek comentou: — Humanos são previsíveis. Darius já observava outro grupo. — A loira de vestido dourado está olhando para mim há cinco minutos. Kael seguiu o olhar. — Ela está com três amigas. — Melhor ainda. Kael foi puxado por duas garotas da pista. Darius caminhou até a loira. Marek começou a conversar com uma morena elegante no bar. E então… Uma mulher se aproximou de Luian. Alta. Vestido preto justo. Cabelos longos. Olhos escuros cheios de confiança. Ela encostou no balcão ao lado dele. — Você não é daqui. Luian virou a cabeça lentamente. — Isso é tão óbvio assim? Ela sorriu. — Homens como você chamariam atenção em qualquer lugar. — Homens como eu? Ela passou o dedo lentamente pela borda do copo dele. — Bonitos… e perigosos. Luian inclinou a cabeça. — E isso te assusta? Ela riu. — Muito pelo contrário. — Então qual é seu nome? — Verônica. Ela se aproximou um pouco mais. — E você? — Luian. Ela repetiu o nome devagar. — Luian… E sorriu. — Quer dançar? Luian terminou o whisky. Colocou o copo sobre o balcão. Se levantou. E ofereceu a mão. — Claro. Ela segurou. E o puxou para a pista. As luzes giravam. A música vibrava. Corpos dançavam próximos. E enquanto a noite avançava… Luian sentia novamente aquela sensação familiar. Liberdade. Sem promessas. Sem limites. Sem consequências. Apenas a noite. E o desejo. ---
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