Gregório Schneider
- Vou entregar as encomendas, pelo amor de Deus, não diga nada sobre Cassandra... – Caio para na minha frente.
tínhamos acabado de chegar a Itália, a conversa que tivemos no jatinho ainda ecoava na minha cabeça. Eu precisava resolver a situação da Cassandra, porque sinceramente, eu temia que desse alguma m**** entre ela e a minha noiva.
No caso, eu não estava preocupado que Lívia sofresse alguma coisa, eu estava receoso pela vida de Cassandra.
O pai dela nunca iria me perdoar ao saber que a minha esposa matará sua filha.
Sim, a minha cabeça trabalhou tanto ao longo dessas horas de voo, que eu pensei nessa possibilidade. Porque eu conheço Lívia o suficiente para saber que ela vai odiar que outra mulher esteja interessada em mim. E tem o adendo que a minha futura esposa é também uma excelente assassina, Lívia pode não me amar, mas também não vai acertar fácil outra mulher perto de mim e que tem sentimentos. Mesmo que tudo isso fosse suposições, eu não ouvi da boca da Cassandra que ela gosta de mim, mas já estou trabalhando com as diversas possibilidades.
- Porque eu não devo falar nada? – Pergunto tenso.
Essa viagem teria que ser curta, eu não podia ficar muito tempo por causa do Caio que veio comigo.
- Você gostaria de ouvir que outro homem gosta da Lívia? Que ele é louco por ela e nem consegue esconder? – Aquela pergunta me deixou pensativo.
- Claro que não! Não se lembra o que eu fiz com Pedro? – Caio estremece no lugar.
- Não tem como esquecer quando quase se entra em guerra com um Cartel mexicano, Gregório. - Diz como se só pensar nisso fosse grave.- Cara, eu sou r**m, nunca neguei que o meu sangue é daquele desgraçado, porque eu sou igual a ele, meu limite são as mulheres, inocentes e crianças, mas eu tiro uma vida sem pensar duas vezes. O resto eu mato sem nem perder uma noite de sono. – Diz sério. – Mas o que você fez com Pedro, isso sim é ser cruel... - Diz parecendo se lembrar dos dias de tortura que fiz Pedro passar.
Memória On
“Estava atrás de Lívia a três meses, três malditos meses que ela não me respondia, Não atendi a minhas ligações e não queria falar comigo de jeito nenhum. Sempre que conseguia seu rastro, ela dava um jeito de fugir de mim, ela era boa em se esconder. Em demonstrar que eu não era importante em sua vida, mas eu não estava nem aí para aquilo, eu precisava conversar com ela.
Com o aval de Lucca, ela estava sempre em missão e fazendo ralis pelo mundo. Lívia era uma excelente corredora, pena que ela não queria conversar comigo, eu nunca iria proibir ela de viver o seu sonho.
Quando eu pensava que sabia exatamente onde ela estava, Lívia já estava em outro lugar, fazendo da droga da minha vida um verdadeiro inferno.
Acreditando que agora eu estava há um passo de distância dela, entro no México querendo finalmente resolver o meu problema, pois Lívia era minha.
Na minha máfia, quando se toma uma virgem para si, ela se torna sua para sempre, não tem essa de separação ou divórcio. O sangue nos une, Lívia é minha, mesmo que pense que foi somente uma noite de descobertas. Se era virgem, ela nunca poderia ter se entregado a mim, eu não vou ser o primeiro a descumprir tal tradição da minha máfia.
Cheguei no lugar que me informaram que ela estava, Lívia estava com seu irmão. Lucca Miller, que era para ser o próximo Dom da minha máfia, mas quis o destino que eu fosse o homem que se tornasse o chefe de uma máfia falida.
Lucca estava em trabalho, eu sabia disso, por que fui eu que contratei. Era desculpa perfeita para ter ela onde eu queria, e ter o irmão dela longe.
Quando ele saiu para ver seu alvo, um devedor que achava que podia me passar a perna, eu tentei uma aproximação com Lívia que iria correr em uma corrida ilegal da cidade.
Fui decidido em conversar, saber porque ela fugiu, porque ela não olhou para trás depois de ter me usado a noite toda.
Que merda, não é?
Eu reclamando de ser usado e ser deixado para trás.
Não era para ser ao contrário?
A movimentação era grande, muitos carros iriam correr, muitos pilotos, mas eu procurava a minha loira que me abandonou como um colchão velho e desgastado.
Quando os meus olhos finalmente encontram os de Lívia, ela estava agarrada a Pedro Guerra, a merda de um líder de um Cartel Mexicano fureca.
Naquele momento eu deveria ter dado as costas e ido embora. Claramente ela queria me testar, provar que eu não fui nada em sua vida. Ela gritava com os gestos que não me pertencia.
Eu deveria saber que o seu ódio por mim era tanto, que ela estava usando outra pessoa para me fazer desistir.
- A fila já andou para ela chefe... – Caio diz olhando a mesma cena.
Acabei rindo sem humor, meus olhos não desviavam dela por nenhum segundo.
Lívia realmente não me conhecia, ela não fazia ideia de quem ou o quê ela despertou em mim.
- Não será uma cena como essa que vai me fazer desistir, Lívia é minha, e todos que ela tocar, vão perder as mãos e a língua. – Caio me olha chocado.
- Você sabe quem Pedro Guerra é, não sabe? – Olho para Caio. – Vai mesmo entrar em guerra com um Cartel por causa de uma mulher que não é nada sua? – Caio era meu subchefe.
Era o trabalho dele me fazer enxergar como aquilo era loucura da minha parte.
Eu não tinha nenhum compromisso com Lívia, nada além da sua virgindade ao meu favor. Eu tinha lençol com o seu DNA. Sim, eu jogaria tão baixo a esse ponto para ter a mulher que eu desejava.
— Preciso falar com ela. — Ajeito o terno.
— Acha que ela vai te receber? — Caio arqueia a sobrancelha. — Agora ela está com o dono da festa! — Caio diz o óbvio.
Eu e Lívia não tínhamos qualquer relação há muito tempo, ela me evitava a qualquer custo.
— Sou o futuro marido dela. — Digo essa frase como se fosse justificativa o suficiente.
- Você é louco Gregório... – Caio me afasta dali. – Tem que pensar com a cabeça, meu amigo. – Olho para ele. - Se fizer uma confusão aqui, vai ser morto pelos homens de Pedro, e Lívia vai se casar com ele. Agora, se você parar para pensar, será o homem inteligente que eu preciso que você seja. Vamos embora, deixar a poeira baixar, se vingar de Pedro. Você deixaria um bom aviso para não encostar mais na sua mulher. Fazer a sua máfia crescer, ser um verdadeiro lugar seguro para a sua futura rainha, e pedir a mão dela em casamento a quem não pode negar.
Foi naquele momento, que o meu melhor amigo me salvou e me deu um propósito.
Não que eu tenha escutado tudo que ele falou, porque eu visitei Pedro Guerra, fiz ele se arrepender de ter encostado na minha mulher. Hoje ele não tem as mãos, a língua, e uma das bolas.
Pedro Guerra quer ver o d***o, mas não quer estar no mesmo lugar que a Lívia."
Memória off
- O homem quer ver o demônio, menos ver a sua noiva ou a sua presença. Ele está vivo porque nem a família gosta dele, mas você tirou o dedo direito de ser homem, de viver, de querer ao menos uma morte decente. - Olho para Caio.
- Foi um aviso, ela entendeu porque nunca mais se meteu com nenhum homem, mas o tempo dela de brincar comigo acabou. - Suspiro. - Não vou falar da Cassandra, não agora, mas depois que eu me casar com a Lívia. Eu contarei que eu não quero nenhum segredo entre a gente.
Caio não concorda muito com a minha linha de raciocínio, mas não fala nada sabendo que eu não mudo de pensamento tão fácil.
Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰