O começo da vingança de Lívia
Lívia Miller
Eu estava em casa, sabendo que Gregório estava de volta da Itália. Pedi ao meu pai para conversar com ele e dizer que eu estava pronta para dar a resposta que ele tanto queria ouvir. Não adiantava mais fugir, não adiantava mais correr. Se era para fazê-lo pagar, eu tinha que começar a agir.
Então, tomada por uma decisão que não foi nada fácil de aceitar, falei para meu pai que era para ele voltar, que eu o informaria que sim, aceitei a droga do casamento com ele. É claro que meu pai, como sempre, propôs matá-lo, jogar o corpo para os crocodilos ou simplesmente entrar em guerra com a máfia alemã.
Eu sempre tive certeza de que meu pai faria tudo por mim, mas essa batalha era minha. Eu não queria mais fugir de Gregório, ainda mais depois que percebi que havia algo de errado. Depois de tudo o que passei e dos anos consumida pela raiva, me toquei que tinha alguma coisa errada na história.
Gregório Schneider poderia ser muita coisa, mas ele não fingiria algo que não fez. Quando ele quase matou Pedro Guerra, fez questão que eu soubesse e não temeu em nenhum momento uma represália do cartel mexicano. Na época, achei um absurdo e me senti super culpada, afinal, o homem tinha perdido a língua, as mãos e a vontade de viver por minha causa. O que me salvou — e salvou Gregório — é que o próprio pai do Pedro Guerra o odiava e não fez nada, pois achou que o que aconteceu com o militante foi pouco.
Sim, eu fiquei com Pedro Guerra para provocar ciúmes em Gregório, mas nunca desejei que acontecesse o que aconteceu.
— Vai mesmo falar com ele? — Meu pai me olhava de longe. Ele sabia que eu não fugiria da rédea e que faria Gregório se arrepender de ter feito o que fez para se casar comigo. Afinal, ele jogou muito baixo, usando o peso da máfia em uma relação que poderia ser amigável. Meu pai nunca reivindicaria o direito de ser o Dom da máfia alemã, e, no fundo, Gregório também tinha essa certeza. Ele usou isso como desculpa para me prender a ele. m*l sabe o coitado que eu posso ser muita coisa, menos i****a e manipulável.
— Não vou perder a oportunidade de tirar o brilho dos olhos dele — eu disse, decidida. — Gregório vai se arrepender de ter cutucado quem estava quieto. Eu não fui lá na Alemanha reclamar que ele tinha me usado, então agora ele terá que arcar com as consequências que ele mesmo procurou.
Meu pai me deu razão. Ele tinha um brilho nos olhos; adorava a polêmica, o drama e de fazer "macho escroto" sofrer.
— Pena que eu não sou uma mosca para ver tudo que você vai fazer com esse cara. Eu quero ver ele sofrer, e queria que Luiza também colocasse aquele tal de Daniel no lugar dele.
Meu pai ainda não engoliu o casamento de Luiza com Daniel; toda vez era uma história de briga aqui em casa. Daniel e meu pai pareciam duas crianças brigando e querendo ter a razão. Já Gregório era um puxa-saco do meu pai. Eu odiava quando ele ficava tentando agradá-lo. Ele realmente acredita que tem toda a situação em suas mãos, mas m*l sabe ele que eu já preparei o terno da sua derrota.
— Eu vou te manter informado a tarde toda, papai, pode ficar tranquilo.
Meu pai assentiu, feliz.
— Tudo que você desejar, minha filha.
Ele se virou para sair do escritório, pois, como eu disse, queria falar a sós com Gregório.
— Pai… — Ele se virou para me escutar. — Descobriu algo sobre essa tal de Cassandra? — Eu havia pedido ao meu pai para investigar a fundo essa mulher. Primeiro, porque eu não deixaria essa dúvida na minha cabeça; não estava mais interessada em deixar o que aconteceu naquela noite para trás. Agora, eu mergulharia fundo nessa história, e se Cassandra tivesse um dedo podre metido nessa desavença entre mim e Gregório, o tempo iria ficar como estava se formando fora da mansão Miller. O sol iluminava tudo, mas estava indo embora para dar lugar a nuvens pesadíssimas.
— Filha, estou averiguando as informações de forma discreta e sem fazer muito alarde. Não queremos fazer confusão e alertar quem não devemos, certo?
Eu queria saber, não estava preocupada se alguém iria descobrir.
— Ela pode ter feito intriga ou estar falando a verdade — eu disse. — Essa dúvida me mata há anos.
Meu pai suspirou.
— Por isso mesmo. Pode ser mentira ou verdade, e não queremos possibilidades, Lívia. Queremos a verdade nua e crua — eu concordei. — Até porque, se acharmos a verdade e descobrirmos que sim, Cassandra era noiva de Gregório, aí teremos um trunfo contra ele.
Meu pai sempre pensava lá na frente.
— Então está fazendo tudo na surdina? Quer pegar o seu genro no pulo?
Meu pai riu.
— Claro! Quero ter a resposta tanto quanto você, minha filha. Agora não é algo que aconteceu no passado e foi deixado para trás. Estamos falando da conselheira do seu noivo que pode ter mentido e criado toda essa confusão na sua vida desde então.
Havia essa possibilidade. Mesmo que eu nunca tenha acreditado na inocência de Gregório, na minha cabeça, como uma mulher entra no quarto de um homem e grita que é a noiva dele? Sempre fiquei cega pelas palavras de Cassandra, pela forma como ela agiu, tão convicta de que era a noiva dele e que ele a tinha traído comigo.
Eu me senti um lixo, uma destruidora de lares. Pérola Miller me educou para nunca destruir um lar, e eu jamais faria isso com outra pessoa. Não conscientemente. Só a possibilidade me deixou tão aflita que preferi virar as costas e deixar a história sumir. O grande problema é que Gregório nunca quis deixar o passado no passado, e aqui estamos nós.
Agora, e se ela realmente estiver mentindo? O que devo esperar dela ao me casar com Gregório? Pior que isso, se ela foi capaz de fazer isso antes, imagina do que ela é capaz agora?
— Lívia?
— Sim!?
— Mas uma coisa eu tenho que admitir: Cassandra nunca foi anunciada como a noiva de Gregório. Por causa do conselho, eu sempre estive de olho em todos eles. Afinal, eles poderiam me considerar um inimigo, e eu nunca deixaria eles machucarem vocês. Então, mantive olhos e ouvidos na máfia alemã.— meu pai disse, sereno. — Não posso dizer que eles não possam ter um relacionamento, mas uma relação ou um noivado precipitado? Disso eu não tenho certeza.
Eu suspirei, cansada. Era uma situação muito difícil.
— Para saber disso, eu preciso de tempo, recursos e um bom vinho — meu pai disse, tranquilo.
— Obrigada por tudo, mesmo assim, pai. Fico feliz em saber que, cedo ou tarde, vou saber o que aconteceu, mesmo que eu me sinta uma i****a no final.
Meu pai piscou e foi receber o genro.
A conversa tinha demorado, pois eu fui informada no momento em que Gregório chegou na casa. No entanto, meu pai tinha deixado clara a sua opinião sobre tudo que estava por vir. Quando Gregório entrou no escritório, naquele momento, eu soube que não conseguiria segurar minha língua por muito tempo. Por mais que eu tivesse algumas incertezas sobre o que aconteceu no passado, eu ainda iria fazê-lo pagar por ser um i****a.
Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰