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801 Words
O som de passos ressoava no amplo escritório de Dante Valentini. O ar estava carregado de tensão quando Lorenzo Moratti entrou pela porta, a expressão severa e o olhar carregado de fúria. Ele não pediu permissão, não esperou por um convite, apenas entrou, como se a raiva que sentia lhe desse o direito de ignorar qualquer protocolo. Dante estava sentado à mesa, calmamente revisando documentos, mas o ambiente mudou assim que Lorenzo parou em frente a ele. O líder da família Valentini ergueu os olhos, encontrando o olhar do homem que, apesar de ser um aliado recente, parecia mais um inimigo naquele momento. — Valentini. — Lorenzo começou, a voz fria e controlada. — Nós precisamos conversar. Dante apoiou as mãos sobre a mesa e inclinou levemente a cabeça. — Fale, Moratti. Estou ouvindo. Lorenzo aproximou-se mais, cruzando os braços sobre o peito. — Você me garantiu que Isabela estaria segura. Você me fez uma promessa, e eu aceitei esse acordo porque acreditei que você seria capaz de protegê-la. Mas agora vejo que fui t**o. Ela foi atacada. No hospital, no lugar onde ela deveria estar mais segura, ela precisou se esconder para não morrer. Dante estreitou os olhos, mas não interrompeu. — A minha irmã dedicou a vida inteira a ajudar as pessoas, a salvar vidas, e agora ela está correndo risco de morte por sua causa. Se você não é capaz de proteger a minha irmã, você não é o homem certo para ela. A tensão no ambiente aumentava a cada palavra, e Lorenzo parecia ciente do efeito que estava provocando. Ele deu mais um passo à frente, agora praticamente encostado na mesa de Dante. — Acho que prefiro a guerra do que ver minha irmã morrer nas mãos dos seus inimigos. Dante contraiu o maxilar, a mão fechando-se em um punho sobre a mesa. Lorenzo continuou, a voz cada vez mais incisiva. — Eu não posso afirmar essa aliança se isso significar que Isabela tenha que abrir mão da vida dela e da carreira dela como médica. Você prometeu que cuidaria dela, mas, pelo visto, não está cumprindo com a sua palavra. As palavras atingiram Dante como um golpe. Ele se levantou abruptamente, a cadeira rangendo no processo, e deu a volta na mesa até ficar frente a frente com Lorenzo. Seus olhos estavam cheios de uma fúria contida, mas sua voz era controlada, quase ameaçadora. — Ela é minha. Lorenzo ergueu as sobrancelhas, o olhar cheio de sarcasmo. — Pelo visto, você não está cuidando do que é seu. Eu garanto que a família Moratti nunca deixou Isabela se envolver nesse tipo de confusão, mas parece que o poderoso Dante Valentini está falhando como homem. Foi a gota d'água. Dante cerrou os punhos e, antes que pudesse se conter, desferiu um soco violento no rosto de Lorenzo, fazendo-o cambalear para trás. Lorenzo levou a mão ao lábio, que começava a sangrar, mas não recuou. Ele apenas riu, um som baixo e irônico, enquanto olhava para Dante. — É assim que você resolve as coisas, Valentini? Com violência? Dante ignorou a provocação e falou com firmeza, a voz baixa e gélida: — Então vamos adiantar o casamento formal. Lorenzo estreitou os olhos, confuso, mas Dante continuou sem dar tempo para interrupções. — Ela já assinou o contrato. Agora eu quero que ela venha morar na minha casa. Já que você insiste que eu não consigo cuidar dela fora daqui, vou mostrar como se protege o que é meu. Lorenzo balançou a cabeça, incrédulo. — E você sabe se isso é da vontade dela? Dante deu um passo à frente, o olhar fixo em Lorenzo, e respondeu com um tom definitivo: — Não me interessa. Eu vou cuidar do que é meu. Houve um momento de silêncio absoluto no escritório, enquanto os dois homens se encaravam. Lorenzo finalmente respirou fundo, controlando a raiva, mas não cedeu. — Você está brincando com fogo, Valentini. — E eu não tenho medo de me queimar. — Dante respondeu sem hesitar. Ele deu as costas a Lorenzo e caminhou até sua mesa, pegando o telefone. — Fale com ela. Eu vou agendar a data do casamento na igreja. Nós vamos unir as famílias da maneira correta... em dois dias. Lorenzo ficou parado por alguns instantes, observando Dante, antes de virar e sair do escritório sem dizer mais nada. Quando a porta se fechou, Dante ficou sozinho, mas sua mente estava em chamas. Ele sabia que Isabela não aceitaria facilmente, mas isso não importava. Ele estava determinado a protegê-la, mesmo que ela não entendesse seus métodos. Dante pegou um copo de uísque no bar e ficou ali por alguns instantes, encarando o líquido âmbar enquanto pensava na melhor maneira de lidar com Lorenzo e Isabela. Ele sabia que o verdadeiro desafio estava apenas começando.
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