Isabela passou os dias seguintes em um turbilhão de emoções. A proposta absurda de Dante não saía de sua cabeça, mas a conversa que teve com Lorenzo mais tarde naquele mesmo dia fez tudo parecer ainda mais surreal.
— Por que você aceitou isso, Lorenzo? — gritou Isabela, ao entrar furiosa no escritório do irmão.
Lorenzo estava sentado, o rosto abatido, mas manteve a postura firme.
— Você acha que eu queria isso? — rebateu ele, levantando-se da cadeira. — Eu fiz o que tinha que ser feito para proteger nossa família.
— Isso não justifica jogar a sua própria irmã nos braços de um homem como Dante Valentini! — retrucou ela, os olhos brilhando de indignação.
Lorenzo passou as mãos pelos cabelos escuros, frustrado.
— Você não entende, Isabela. Ele nos deu uma escolha: ou o casamento ou a guerra. E uma guerra significaria o fim da nossa família.
— Ainda assim, você deveria ter me consultado! — exclamou ela, sentindo o peito apertado.
— Eu estava protegendo você — respondeu Lorenzo, a voz mais suave agora. — Não tinha outra saída.
Isabela respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos. Ela sabia que o irmão não tomaria uma decisão assim sem pesar as consequências, mas isso não diminuía a raiva que sentia.
— E se eu não aceitar? — perguntou ela, cruzando os braços.
Lorenzo hesitou.
— Ele não deu essa opção.
O silêncio que se seguiu foi avassalador. Isabela sentiu como se estivesse afundando em um mar de responsabilidades que não escolheu carregar.
— Isso é ridículo, Lorenzo. Você sabe o quanto eu trabalhei para ficar longe desse mundo. Sou médica, não faço parte dos seus jogos de poder!
— Eu sei — respondeu ele, a voz carregada de culpa. — E é exatamente por isso que ele escolheu você. Porque você é diferente.
Isabela virou-se, incapaz de encarar o irmão por mais tempo. Lágrimas de frustração ardiam em seus olhos, mas ela as segurou. Não daria a Lorenzo ou a Dante a satisfação de vê-la chorar.
— Eu não vou desistir de quem sou — murmurou ela, mais para si mesma do que para ele.
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Na manhã seguinte, Dante estava esperando por Isabela na entrada do hospital.
Ela bufou ao vê-lo encostado em um carro luxuoso, como se não tivesse nada melhor a fazer. Ele estava impecável, como sempre, com um terno preto que parecia feito sob medida.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou ela, cruzando os braços.
— Vim buscá-la para o nosso almoço — respondeu ele, com um sorriso controlado.
— Almoço? Não estou interessada.
— Isso não é um convite, doutora — retrucou Dante, abrindo a porta do carro para ela.
Isabela hesitou, mas o olhar firme dele deixou claro que não havia espaço para discussão. Com um suspiro, ela entrou no carro, decidida a usar a oportunidade para deixá-lo claro o quanto estava insatisfeita.
Durante o trajeto, o silêncio reinou. Dante, no entanto, parecia à vontade, enquanto Isabela se concentrava em observar a cidade pela janela.
— Você sempre foi tão quieta? — perguntou ele, quebrando o silêncio.
— Eu não tenho nada para dizer a você — respondeu ela, sem olhar para ele.
Dante sorriu.
— Gosto disso. Você é uma mulher de princípios.
Ela revirou os olhos.
— E você, um homem sem escrúpulos.
Ele riu, o som baixo e grave.
— Talvez. Mas você ainda vai aprender que, às vezes, princípios precisam ser deixados de lado para que coisas maiores sejam alcançadas.
Isabela não respondeu. Em vez disso, concentrou-se em manter sua compostura.
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O restaurante para onde Dante a levou era o auge do luxo. Isabela nunca havia estado em um lugar como aquele, e o contraste entre seu mundo e o dele a deixou desconfortável.
Sentados à mesa, Dante começou a falar, mas ela m*l ouvia. Sua mente estava focada em encontrar uma maneira de sair daquela situação.
— Está me ouvindo? — perguntou ele, inclinando-se na direção dela.
— O que você quer de mim, Dante? — perguntou ela, abruptamente.
Ele se recostou na cadeira, um sorriso enigmático nos lábios.
— Quero que você me dê uma chance.
— Uma chance? — repetiu ela, incrédula.
— Sim. Sei que você me odeia agora, mas garanto que, ao final desses três anos, verá que posso ser mais do que um monstro.
Isabela soltou uma risada seca.
— Você não faz ideia de quem eu sou ou do que quero, Dante.
Ele inclinou a cabeça, os olhos fixos nela.
— E é exatamente isso que me fascina, doutora.
Isabela sentiu o coração acelerar, mas se forçou a não demonstrar nenhuma emoção. Não daria a ele esse poder sobre ela.
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Quando Dante a deixou de volta ao hospital, Isabela saiu do carro sem dizer uma palavra. Mas, antes que pudesse entrar, ele a chamou.
— Isabela.
Ela parou e se virou lentamente.
— O que foi agora?
Ele caminhou até ela, a postura confiante como sempre.
— Apenas lembre-se: três anos passam rápido. E talvez, no final, você perceba que eu não sou tão r**m quanto pensa.
Ela estreitou os olhos, mas não respondeu. Em vez disso, virou-se e entrou no hospital, determinada a provar que Dante Valentini não teria controle sobre sua vida, por mais que ele tentasse.
No entanto, no fundo, uma parte de si não podia ignorar o fato de que ele a intrigava. E isso, para ela, era ainda mais perigoso do que qualquer ameaça que ele pudesse fazer.