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917 Words
Isabela passou os dias seguintes em um turbilhão de emoções. A proposta absurda de Dante não saía de sua cabeça, mas a conversa que teve com Lorenzo mais tarde naquele mesmo dia fez tudo parecer ainda mais surreal. — Por que você aceitou isso, Lorenzo? — gritou Isabela, ao entrar furiosa no escritório do irmão. Lorenzo estava sentado, o rosto abatido, mas manteve a postura firme. — Você acha que eu queria isso? — rebateu ele, levantando-se da cadeira. — Eu fiz o que tinha que ser feito para proteger nossa família. — Isso não justifica jogar a sua própria irmã nos braços de um homem como Dante Valentini! — retrucou ela, os olhos brilhando de indignação. Lorenzo passou as mãos pelos cabelos escuros, frustrado. — Você não entende, Isabela. Ele nos deu uma escolha: ou o casamento ou a guerra. E uma guerra significaria o fim da nossa família. — Ainda assim, você deveria ter me consultado! — exclamou ela, sentindo o peito apertado. — Eu estava protegendo você — respondeu Lorenzo, a voz mais suave agora. — Não tinha outra saída. Isabela respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos. Ela sabia que o irmão não tomaria uma decisão assim sem pesar as consequências, mas isso não diminuía a raiva que sentia. — E se eu não aceitar? — perguntou ela, cruzando os braços. Lorenzo hesitou. — Ele não deu essa opção. O silêncio que se seguiu foi avassalador. Isabela sentiu como se estivesse afundando em um mar de responsabilidades que não escolheu carregar. — Isso é ridículo, Lorenzo. Você sabe o quanto eu trabalhei para ficar longe desse mundo. Sou médica, não faço parte dos seus jogos de poder! — Eu sei — respondeu ele, a voz carregada de culpa. — E é exatamente por isso que ele escolheu você. Porque você é diferente. Isabela virou-se, incapaz de encarar o irmão por mais tempo. Lágrimas de frustração ardiam em seus olhos, mas ela as segurou. Não daria a Lorenzo ou a Dante a satisfação de vê-la chorar. — Eu não vou desistir de quem sou — murmurou ela, mais para si mesma do que para ele. --- Na manhã seguinte, Dante estava esperando por Isabela na entrada do hospital. Ela bufou ao vê-lo encostado em um carro luxuoso, como se não tivesse nada melhor a fazer. Ele estava impecável, como sempre, com um terno preto que parecia feito sob medida. — O que você está fazendo aqui? — perguntou ela, cruzando os braços. — Vim buscá-la para o nosso almoço — respondeu ele, com um sorriso controlado. — Almoço? Não estou interessada. — Isso não é um convite, doutora — retrucou Dante, abrindo a porta do carro para ela. Isabela hesitou, mas o olhar firme dele deixou claro que não havia espaço para discussão. Com um suspiro, ela entrou no carro, decidida a usar a oportunidade para deixá-lo claro o quanto estava insatisfeita. Durante o trajeto, o silêncio reinou. Dante, no entanto, parecia à vontade, enquanto Isabela se concentrava em observar a cidade pela janela. — Você sempre foi tão quieta? — perguntou ele, quebrando o silêncio. — Eu não tenho nada para dizer a você — respondeu ela, sem olhar para ele. Dante sorriu. — Gosto disso. Você é uma mulher de princípios. Ela revirou os olhos. — E você, um homem sem escrúpulos. Ele riu, o som baixo e grave. — Talvez. Mas você ainda vai aprender que, às vezes, princípios precisam ser deixados de lado para que coisas maiores sejam alcançadas. Isabela não respondeu. Em vez disso, concentrou-se em manter sua compostura. --- O restaurante para onde Dante a levou era o auge do luxo. Isabela nunca havia estado em um lugar como aquele, e o contraste entre seu mundo e o dele a deixou desconfortável. Sentados à mesa, Dante começou a falar, mas ela m*l ouvia. Sua mente estava focada em encontrar uma maneira de sair daquela situação. — Está me ouvindo? — perguntou ele, inclinando-se na direção dela. — O que você quer de mim, Dante? — perguntou ela, abruptamente. Ele se recostou na cadeira, um sorriso enigmático nos lábios. — Quero que você me dê uma chance. — Uma chance? — repetiu ela, incrédula. — Sim. Sei que você me odeia agora, mas garanto que, ao final desses três anos, verá que posso ser mais do que um monstro. Isabela soltou uma risada seca. — Você não faz ideia de quem eu sou ou do que quero, Dante. Ele inclinou a cabeça, os olhos fixos nela. — E é exatamente isso que me fascina, doutora. Isabela sentiu o coração acelerar, mas se forçou a não demonstrar nenhuma emoção. Não daria a ele esse poder sobre ela. --- Quando Dante a deixou de volta ao hospital, Isabela saiu do carro sem dizer uma palavra. Mas, antes que pudesse entrar, ele a chamou. — Isabela. Ela parou e se virou lentamente. — O que foi agora? Ele caminhou até ela, a postura confiante como sempre. — Apenas lembre-se: três anos passam rápido. E talvez, no final, você perceba que eu não sou tão r**m quanto pensa. Ela estreitou os olhos, mas não respondeu. Em vez disso, virou-se e entrou no hospital, determinada a provar que Dante Valentini não teria controle sobre sua vida, por mais que ele tentasse. No entanto, no fundo, uma parte de si não podia ignorar o fato de que ele a intrigava. E isso, para ela, era ainda mais perigoso do que qualquer ameaça que ele pudesse fazer.
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