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800 Words
Dante O silêncio entre nós era denso, como se o peso de tudo o que havíamos vivido juntos até agora estivesse pairando no ar. Isabela estava sentada na beira da cama, seus dedos brincando nervosamente com a barra da camisa que vestia — uma camisa minha, que parecia ainda mais bonita nela do que jamais foi em mim. . . Eu a observava de pé, com as mãos nos bolsos, tentando encontrar as palavras certas. Algo que pudesse quebrar a barreira que ela insistia em erguer entre nós. — Dante, você não entende. — Sua voz cortou o silêncio, e ela não levantou os olhos para me encarar. — Não é só sobre o que você faz, é sobre o que você representa. Dei um passo à frente, mas me contive. Sabia que precisava abordar isso com cuidado. — E o que eu represento para você, Bella? — perguntei, minha voz grave, mas com uma sinceridade que eu não costumava mostrar a ninguém. Ela finalmente ergueu os olhos. O olhar dela era uma mistura de raiva, dor e algo que eu ousava acreditar ser esperança. — Você representa tudo o que eu nunca quis para a minha vida. — Aquelas palavras foram como uma faca no meu peito. — Violência, controle, perigo... — Mas também represento segurança. — cortei, dando outro passo à frente. — Proteção. Alguém que faria qualquer coisa por você, que colocaria o mundo de joelhos se fosse preciso. Ela balançou a cabeça, rindo de forma amarga. — Segurança? Você acha que é seguro estar ao seu lado? Dante, sua vida é uma guerra constante. E eu... eu não sou feita para isso. Me aproximei mais, até que estivesse de pé diante dela. Me abaixei, ficando na altura de seus olhos. — Então por que você ainda está aqui, Bella? — sussurrei. — Se é tão insuportável, por que não foi embora quando teve a chance? Ela me encarou, e por um momento pensei que não responderia. Mas então, as palavras vieram, suaves, quase um sussurro. — Porque, apesar de tudo, há uma parte de mim que acredita em você. Que acredita que, por trás desse homem perigoso, existe alguém que... — Ela parou, engolindo em seco. — Que vale a pena. Minha mão alcançou o rosto dela, meus dedos deslizando gentilmente pela sua bochecha. Ela não recuou, mas também não relaxou. Era como se estivesse esperando o momento certo para correr. — Você está certa. — Admiti, a voz baixa e carregada de emoção. — Minha vida é uma bagunça. Eu sou uma bagunça. Mas você... você é a única coisa que faz sentido em meio a tudo isso. Os olhos dela ficaram marejados, mas ela se recusava a deixar as lágrimas caírem. — Não me diga essas coisas, Dante. — murmurou. — Não me faça acreditar que existe um final feliz para nós dois. Me levantei, passando uma das mãos pelos cabelos em frustração. Ela achava que estava me protegendo, mas não entendia que sua presença era o que me mantinha de pé. — Não vou te prometer um conto de fadas, Bella. — comecei, virando-me para encará-la novamente. — Mas vou prometer lutar. Por você. Por nós. Ela riu, mas o som era amargo. — Lutar? Dante, sua vida inteira é uma luta. E eu estou cansada de lutar. Sentei-me ao lado dela, tomando sua mão na minha. — Então me deixa lutar por nós dois. — falei, minha voz firme. Ela me olhou, surpresa, como se não soubesse o que fazer com aquela promessa. — Você diz isso agora, mas e quando as coisas ficarem ainda mais complicadas? Quando o peso da sua vida me esmagar? — Ela puxou a mão de volta, cruzando os braços defensivamente. — Vou te provar que sou capaz de mudar. — insisti. — Não vai ser fácil, e eu sei que vou errar. Mas, Bella, por você, eu tentaria mover montanhas. Ela abaixou a cabeça, balançando-a levemente, como se estivesse tentando processar tudo o que eu dizia. — Só não me decepcione, Dante. — murmurou. Levantei-me, puxando-a junto comigo e segurando seu rosto com ambas as mãos. — Nunca, Bella. Nunca vou decepcioná-la. O momento era tenso, mas carregado de algo que só nós dois entendíamos. Sem pensar, me inclinei e capturei seus lábios em um beijo intenso, mas suave. Ela hesitou por um segundo, antes de ceder, entregando-se ao momento. Quando nos separamos, encarei-a nos olhos. — Você é minha, Bella. Não importa o que aconteça. Ela respirou fundo, como se estivesse tentando absorver minhas palavras, e pela primeira vez, vi um leve sorriso brincar em seus lábios. — Só espero que você esteja preparado para provar isso, Dante. E naquele momento, eu soube que faria qualquer coisa para mantê-la ao meu lado. . . .
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