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908 Words
Dante A manhã seguinte chegou como um peso, quebrando o momento que compartilhamos na noite anterior. A luz suave do sol entrou pela janela, iluminando a cama de uma maneira que só aumentava a tensão que ainda pairava no ar entre nós. Isabela estava deitada ao meu lado, seu corpo ainda relaxado, mas sua expressão mostrava uma luta interna. Ela parecia calma, mas eu sabia que algo estava fervendo por dentro. O medo, a dúvida, a confusão. Talvez até um pouco de arrependimento. Eu não podia culpar ela. Mesmo para mim, o que estávamos vivendo era uma montanha-russa emocional que parecia não ter fim. Fiquei observando a forma como ela respirava suavemente, as ondulações do seu peito subindo e descendo em um ritmo sereno. Eu queria tocá-la, mas algo me dizia que ela precisava de espaço para processar tudo o que acontecera entre nós. Minha mão, quase por conta própria, foi até o cabelo dela, afastando uma mecha que caía sobre seu rosto. A carícia foi suave, mas suficiente para fazer seus olhos se abrirem, fixando os meus com aquele olhar que sempre me desestabilizava. — Dante... — Ela disse meu nome de uma maneira que eu nunca tinha ouvido antes. Era suave, mas carregada de emoções que ela não queria expor. Eu não sabia o que ela ia dizer, mas sabia que algo grande estava prestes a acontecer. Sentia isso no ar. — Não vamos fazer isso de novo, Dante — ela falou, mas suas palavras estavam vacilantes, como se ela mesma não acreditasse totalmente nelas. Meu corpo ficou rígido, mas eu tentei manter a calma. Não queria pressioná-la, mas também não sabia como reagir a isso. Já tínhamos ultrapassado tantas barreiras juntos, que agora parecia impossível voltar atrás. Eu sabia que ela estava com medo, mas também sabia que não podia deixá-la se afastar. — Não fazer o que, Bella? — Perguntei, minha voz baixa e controlada, tentando não demonstrar a dor que aquelas palavras causaram. Ela fechou os olhos por um momento, como se estivesse pesando suas palavras. Então, quando abriu os olhos novamente, havia uma determinação ali. Mas também algo que eu não conseguia entender por completo. — Não vou me deixar levar mais por você. — Sua voz estava firme, mas havia uma fragilidade escondida. — Eu sei o que você quer, e sei que isso... nós... não é bom. Eu não sou como você, Dante. Não sou feita para viver nesse mundo. Eu podia ver a luta dela, as cicatrizes de uma vida que ela tentava esconder, o medo de se entregar a algo que ela sabia que poderia destruí-la. E, de algum modo, eu entendia. O que estávamos vivendo era como uma tempestade que poderia devastar tudo ao redor. Eu me sentei na beira da cama, os dedos passando pelo cabelo, tentando encontrar as palavras certas. — Você não entende, Bella. — Eu disse com a voz rouca. — Eu nunca quis te fazer sofrer. E sim, talvez eu seja um monstro, mas o que sinto por você é real. E, por mais que eu tente, não consigo afastar isso. Não consigo te deixar ir. Ela olhou para mim com uma mistura de raiva e tristeza, como se não soubesse o que fazer com o que eu acabara de dizer. Ela queria acreditar em mim, mas o medo parecia mais forte. — Eu não posso, Dante. Eu não posso viver assim. Você... você me arrastaria para esse mundo sujo e violento. E eu não sei se conseguiria lidar com isso. Eu sabia que ela estava certa, de certa forma. Eu nunca poderia dar a ela uma vida tranquila. Nunca poderia livrá-la do peso do meu mundo, da minha família, das minhas escolhas. Mas, ao mesmo tempo, eu não sabia como viver sem ela. — Não é sobre o que você consegue ou não, Bella. É sobre o que eu preciso. E eu preciso de você. — Aquelas palavras saíram com mais urgência do que eu planejava. Ela balançou a cabeça, parecendo desesperada. — Eu não sou como você, Dante. Eu não sou forte o suficiente para viver nesse caos. Você... você é um homem perigoso, e eu não sei se consigo seguir isso. Eu a olhei, tentando entender a profundidade do que ela estava dizendo. E, naquele momento, percebi o quanto ela estava certa. Eu não podia forçá-la a entrar nesse mundo. Não poderia levá-la a lugares dos quais ela nunca se recuperaria. O que eu tinha a oferecer não era vida, era destruição. Eu respirei fundo, a raiva e a frustração se misturando com a dor. — Talvez você tenha razão. Talvez eu seja tudo isso... um monstro. Mas eu não sei viver sem você. Não sei como deixar você ir. Ela me encarou, os olhos cheios de lágrimas, mas sem deixar que caíssem. Eu sabia que ela estava lutando com a mesma dor que eu. E, por mais que tentássemos, não havia como negar o que estávamos vivendo. Eu me aproximei dela, tomando sua mão nas minhas, e, pela primeira vez, a vi realmente ceder, mesmo que por um momento. — Não sei o que o futuro nos reserva, Bella. Mas eu não posso deixar você ir agora. Ela não respondeu imediatamente. Mas seus dedos se apertaram em minha mão, como se estivesse se entregando a algo que não podia mais controlar. Talvez, no fim das contas, o que mais importava era o que ainda estávamos dispostos a lutar.
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