Dante
Depois de um banho quente e silencioso, Isabela deitou-se na cama usando uma camisa minha, enquanto eu observava cada movimento dela. Ela parecia tão serena, mas sabia que sua mente estava fervendo, assim como a minha. O que aconteceu na cozinha foi a explosão de algo que vínhamos segurando há tempo demais. Mas, ao mesmo tempo, sabia que, para ela, isso era mais complicado do que para mim.
Sentei na beira da cama, secando o cabelo com uma toalha, e a encarei. Ela estava deitada de lado, os olhos perdidos no teto. Havia algo de vulnerável naquele olhar, mas eu também podia ver a determinação.
— Vai ficar calada assim a noite toda? — perguntei, tentando quebrar o silêncio.
Ela desviou o olhar para mim, os lábios se movendo como se fosse falar algo, mas desistindo no último segundo.
— Você não cansa de ser tão arrogante? — retrucou finalmente, com um tom mais brincalhão do que irritado.
Sorri, deixando a toalha de lado e me aproximando mais dela na cama. Apoiei uma mão ao lado de seu corpo, inclinando-me para perto.
— Não é arrogância, Bella. É confiança. Você não consegue resistir a mim.
— Confiança demais pode te fazer cair, Dante. — Ela rebateu, mas sua voz já não era tão firme.
Deslizei meus dedos pela curva do seu rosto, descendo até a linha de sua mandíbula, e a observei fechar os olhos por um breve momento. Era como se ela lutasse contra si mesma.
— Você quer parar? — perguntei, abaixando o tom da voz, que agora era quase um sussurro.
Ela abriu os olhos, me encarando com intensidade.
— Eu deveria... mas não consigo.
Não esperei mais palavras. Capturei seus lábios nos meus, aprofundando o beijo sem hesitar. Ela respondeu com a mesma fome, agarrando a frente da minha camisa e me puxando para mais perto. O calor entre nós reacendeu como uma faísca que nunca realmente se apagou.
Eu me movi, deitando ao lado dela e deixando que ela ficasse parcialmente sobre mim. Minhas mãos encontraram as curvas de seu corpo, explorando cada detalhe que já havia memorizado na cozinha. O tecido fino da camisa que ela usava era uma barreira insignificante entre nós, mas ela parecia ainda mais atraente assim, envolta em algo que era meu.
Deslizei a camisa para cima, expondo mais sua pele à medida que minha boca seguia o caminho traçado pelas minhas mãos. Seus gemidos suaves eram música para os meus ouvidos, cada som me incitando a ir mais fundo, a explorar mais.
— Você é uma droga, sabia? — Ela sussurrou contra meus lábios, os olhos brilhando de desejo e frustração.
— E você é meu vício. — Respondi, mordiscando o lóbulo da sua orelha antes de descer minha boca novamente para seu pescoço.
Ela arqueou o corpo quando minhas mãos deslizaram por suas coxas, puxando-a ainda mais para perto de mim. O peso dela sobre mim, combinado ao calor que irradiava de sua pele, era o suficiente para me deixar completamente fora de controle.
Mas então, inesperadamente, ela empurrou meu peito levemente, afastando-se um pouco. Seu olhar estava confuso, dividido entre o desejo e algo mais profundo.
— Dante, isso não pode continuar assim.
Eu me ergui um pouco, apoiando-me nos cotovelos.
— Por que não? — perguntei, sem esconder a irritação na voz. — Você sente isso tanto quanto eu, Bella.
— Porque você é perigoso. — Ela respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Soltei uma risada curta, sem humor.
— Você sabia disso desde o começo. Eu não mudei, Bella. Só estou mostrando quem realmente sou.
— E isso é o que me assusta. — Ela admitiu, desviando o olhar.
Segurei seu queixo, forçando-a a me encarar novamente.
— Você não precisa ter medo de mim. Eu nunca faria nada para te machucar.
Ela hesitou, mas algo em sua expressão suavizou.
— Você é tão confuso, Dante. Às vezes parece que só quer me usar, mas em momentos como esse... — Ela parou, mordendo o lábio, como se estivesse tentando decidir se deveria continuar.
— O que, Bella? O que você sente?
Ela suspirou, passando a mão pelo rosto como se quisesse afastar os pensamentos.
— Que talvez você não seja tão r**m quanto eu pensei.
Aquelas palavras me pegaram de surpresa. Por mais que tentasse manter meu exterior calmo e controlado, algo dentro de mim reagiu. Eu sabia que não era uma boa pessoa, mas ouvir aquilo dela... fazia eu querer ser melhor.
Inclinei-me para beijá-la novamente, mas dessa vez o gesto foi mais lento, mais profundo. Era como se estivesse tentando mostrar a ela tudo o que não conseguia dizer em palavras.
Naquele momento, nada mais importava. Nem nossas brigas, nem os perigos ao nosso redor. Era apenas ela e eu, perdidos um no outro.
E, pela primeira vez em muito tempo, senti que isso era exatamente o que eu precisava.