Aviso

1784 Words
Alejandro narrando Corro pelo condomínio às seis em ponto e sorrio ao ver a esposa do treinador Max em frente à sua casa se alongando. Minha chance perfeita: — Bom dia — digo, parando e bebendo minha água. — Bom dia, que bom saber que outra pessoa também aproveita esse espaço e treina tão cedo — ela diz sorridente, e vejo o quanto a Sol é parecida com ela. — É o lugar mais incrível que já pude ficar. Tenho que aproveitar os benefícios do serviço. Sou Alejandro, muito prazer — digo, e ela sorri ainda mais, pegando minha mão. — Eu escutei muito de você. Está em contrato com a Danger, não é? O novo lutador do meu marido — ela diz, e confirmo, começando a andar. Logo, ela me segue. — Isso mesmo. Conheci seus filhos ontem — digo, e ela ri. — E causou uma enorme confusão, não é mesmo? — ela me olha sugestiva, e dou risada sinceramente. — Talvez, mas sua filha é... um anjo com todo respeito. É a mulher mais bela que já vi em toda a minha vida. Fiquei encantado com ela e tive que me apresentar. — E meu marido e meu filho também fizeram o mesmo com você, não? — Sim, mas achei muito bonita a proteção com ela. Não me incomodei com isso. Na minha família também sou o irmão ciumento. — Então já imagina bem o que te espera, né? — Você é muito inteligente — afirmo, e ela revira os olhos. — Boa sorte, rapaz. E te espero no nosso almoço esse domingo se continuar saindo com minha filha. Se eu fosse você, traria cinco buquês de flores. Assim, pelo menos as mulheres da família estarão do seu lado. Agora os homens... boa sorte com eles — ela diz e começa a correr, me deixando para trás. Pulo com minha dancinha comemorando. Pelo menos alguém está a meu favor. Bem... pelo menos aceitou a ideia de eu tentar. Agora só falta a Solange mesmo, e já podemos casar. [...] O senhor Max chega na academia vindo diretamente a mim, e sorrio: — Senhor — o cumprimento, e ele me encara com ódio, já está de luvas e sem camisa. Acho que seu plano era me intimidar. — Para o ringue. Esse será nosso primeiro combate — ele diz, e concordo com a cabeça. — Tudo bem — sou educado e bebo água enquanto o sigo. Sei que ele já conquistou o cinturão dos melhores e diversas competições, com um histórico incrível. Apenas um quinto de todas suas lutas são derrotas sofridas. Esse cara foi meu ídolo por muito tempo. Por isso, é ainda mais incrível poder chamá-lo de sogro em breve. Mas sei que ele sempre lutou com muita raiva. É o tipo de pessoa que, se você fica falando e provocando, ele perde a linha rapidinho na luta, dando tudo de si e logo abrindo sua defesa, me permitindo atacar. O ringue é grande, cercado por cordas firmes e acolchoado. Subo e começo a me aquecer, sentindo a adrenalina percorrer meu corpo. Max me observa, seus olhos carregados de determinação e uma fúria paternal. Sei que essa luta vai ser difícil. O árbitro chama nossa atenção, explicando as regras. Nós nos cumprimentamos com um toque de luvas, e o gongo soa, marcando o início do primeiro round. Nos primeiros minutos, ambos dançamos ao redor um do outro, trocando golpes rápidos e estudando a movimentação do adversário. Max é ágil, sua experiência evidente em cada movimento. Ele lança um chute alto que bloqueio com o antebraço, contra-atacando com um soco direto que ele desvia com facilidade. — Fique longe da minha filha — ele rosna entre os dentes, enquanto nos engajamos em uma troca intensa de socos e chutes. — Minha princesa merece o melhor, Alejandro. — Concordo que ela merece o melhor — respondo, desviando de um gancho e acertando um chute lateral em sua costela. O primeiro round termina equilibrado, com ambos medindo as forças e se respeitando. No intervalo, bebo água e tento recuperar o fôlego, sentindo a tensão no ar. O segundo round começa com mais intensidade. Max avança com uma série de joelhadas e cotoveladas, me forçando a recuar e defender. Ele é forte e rápido, mas consigo encontrar aberturas, lançando chutes baixos que minam sua base. — Você não é bom o suficiente para ela! — Max grita, me empurrando contra as cordas. — É Sol quem deve me pedir para me afastar — respondo, aproveitando um momento de descuido dele para acertar um gancho de esquerda no seu queixo. Ele se recupera rápido, lançando um chute giratório que quase me acerta. Bloqueio com o antebraço e contra-ataco com um chute frontal que o faz cambalear para trás. A luta está acirrada, e ambos estamos dando o nosso melhor. No terceiro round, a exaustão começa a se mostrar. Max ainda luta com a mesma ferocidade, mas suas defesas começam a falhar. Aproveito uma brecha e lanço uma combinação rápida de socos e chutes, forçando-o a recuar. — Sol merece alguém que possa protegê-la e amá-la — digo, acertando um chute lateral que o atinge em cheio. — E quem disse que você é esse alguém? — ele rebate, lançando um soco que desvio por pouco. Aproveito a a******a e acerto um chute giratório, pegando-o de surpresa. Ele cambaleia, e sei que é a minha chance. Avanço com uma série de golpes, forçando-o contra as cordas. Com um último soco direto, acerto seu queixo e ele cai no chão. O árbitro interrompe a luta, declarando minha vitória. Max se levanta, respirando pesadamente, mas com um olhar de respeito. Ofereço minha mão, e ele a aperta com firmeza. — Você lutou bem, garoto. Mas lembre-se, Sol é minha princesa — ele diz, ainda com um tom protetor. — E eu farei de tudo para provar que sou digno dela — respondo, com determinação. Saio do ringue, sentindo a adrenalina ainda pulsar nas minhas veias. Sei que ganhei mais do que uma luta hoje, ganhei uma chance de provar meu valor para Sol e para sua família. Agora só falta a Sol mesmo... [...] Vejo ela sair do estúdio de dança rindo e continuo parado. Ela segue andando com uma outra garota até que, por desatenção, se bate contra meu corpo, permitindo-me segurá-la: — Alejandro? — ela questiona, sem entender minha presença, e sua amiga faz uma cara engraçada e acena, partindo. — Vim te chamar para jantar comigo — digo, e percebo que ela não parece ligar que eu ainda a seguro. — Olha, você é gatinho e tudo mais, mas... — a interrompo negando com a cabeça. — Sem "mas", por favor. Temos que nos conhecer. Vai dizer que nós dois naquela sala de dança não mexeu com você? — digo e sorrio quando ela abaixa a cabeça, sem conseguir negar. Eu vou casar com essa mulher. — Tudo bem, mas não pode ser nada muito bonito, porque estou uma bagunça — ela diz, e n**o. Ela veste um novo collant, esse é preto, e ela usa um cardigã por cima também n***o, uma meia-calça na cor de sua pele, tênis brancos e uma coisa que minha vó usava, achava que chama polaina, mas nela tudo fica bonito. — Você está perfeita — falo e a deixo se afastar para que eu tire minha jaqueta. — O que está fazendo? — ela questiona, e pego sua mochila de suas mãos, vendo o quão pesada está. — Você não vai passar frio contra mim. O que deseja comer? — Um lanche, com fritas — ela pede, e quando termina de se vestir, coloco o segundo capacete nela com cuidado. [...] Estaciono, e seu aperto continua firme contra mim. Acaricio suas mãos e retiro meu capacete: — Pode descer, minha linda — agora constrangida, ela desce. Percebo o carro que nos seguiu do estúdio parado no outro lado do estacionamento, e prefiro não comentar. São seus seguranças. Gosto de saber que ela sempre está segura, mas gostaria de um pouco mais de privacidade com ela. A guio com cuidado para dentro do restaurante, e assim que abro a porta, vejo Alberto sorrir para mim do caixa: — Meu lutador — ele diz sorridente, saindo do caixa e vindo até mim, me abraçando com alguns tapas em minhas costas. Ele é o dono desse lugar desde que cheguei ao país, bem moleque. — Sol, esse é o dono do melhor restaurante dessa cidade. A única comida mexicana verídica que você irá encontrar — faço propaganda, e ela sorri simpática, oferecendo a mão para ele que a abraça, a deixando sem graça. — Se é namorado do nosso lutador, também é da casa. A sua mesa está vazia, filho. Vão se sentar, que mando o de sempre para vocês — ele bate em meus ombros sorridente, e guio a ruiva até meu espaço de sempre. Desde quando minha família chegou a esse país, viemos comer aqui. Eu cheguei até a trabalhar um tempo de ajudante e garçom, mas meu real motivo era para ter almoço e levar algo para casa. Alberto sempre me dava a comida que sobrava no dia, e isso nos ajudou muito. Quando comecei a ganhar dinheiro nas lutas clandestinas, o Alberto me ajudava quando eu apanhava. Ele que foi me indicando as academias com olheiros e qual caminho eu tinha que fazer para ser um lutador profissional. Solange me olha curiosa, e sorrio gostando: — Pode perguntar — libero, e logo entregam minha bebida favorita, refrigerante de laranja da melhor marca do mundo, Jarritos. Sorrio agradecendo, e ela bebe antes de se indagar a falar. — Então você é meu namorado? — ela questiona, e sorrio. — Não o corrigi porque em pouco tempo isso se tornará verdade — ela ri de mim. — Faz quanto tempo que você luta? — Desde os quinze. — Legalmente? — ela questiona impressionada, e apenas rio. — Quatro anos legalmente — afirmo, e ela entende. — Ouvi dizer que você é o melhor do momento... — Talvez. Como foi seu dia hoje?_ questiono querendo focar nela — Normal, dança, trabalho... fiquei surpresa com sua presença, achei que meu pai iria te assustar_ ela admite e ri — Você é muito tentadora para eu me afastar Solange, não tenho medo de seu pai, você vale qualquer esforço — respondo e vejo ela se intimidar com minhas palavras, e logo se livrando da resposta, já que nossa comida chega. — Não é muita comida? — ela questiona, e Alberto ri. — Pode confiar, lindinha. Se bobear, ainda vão pedir mais coisas — ele diz sorridente, e agradeço começando a me servir.
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