Capítulo 2: A Verdade Que Todos Sabiam

1279 Words
Capítulo 2: A Verdade Que Todos Sabiam (P.O.V de Olivia) Eu caminhei em direção ao armário, pronta para trocar meu pijama. A luz da manhã se filtrava pelas cortinas, lançando um brilho enganosamente pacífico sobre tudo. Mas, ao esticar a mão para pegar um vestido novo, algo chamou a minha atenção no chão do armário. Um par de calcinhas de renda vermelha rasgadas estava encolhido no canto, exalando jasmim — o aroma característico de Clara — e manchadas com esperma que inconfundivelmente cheirava a Theodore. O meu estômago revirou. Há quanto tempo essas coisas estavam aqui? Quantas vezes ele a trouxera para o nosso quarto, para o nosso espaço sagrado? Ou será que Clara as jogara aqui para me provocar? Já que havia decidido abandonar este homem repugnante, coisas como esta não mexerão mais com o meu coração. Coloquei um par de luvas com um ar de desprezo, pronta para jogar essas coisas nojentas de volta na cara daquela v***a. Peguei a calcinha suja e desci as escadas, os meus passos tão leves que nem mesmo os servos Ômegas perceberam a minha aproximação. Eles estavam reunidos na cozinha, conversando distraídos enquanto preparavam o café da manhã. "Aquela v*******a estava naquilo de novo ontem à noite." Sussurrou um deles, esfregando pratos com força desnecessária. "Sempre que o Alfa está em casa, os seus gemidos ecoam por toda a vila." O cozinheiro concordou sabiamente. "Encontrei os seus fluidos corporais no balcão da cozinha esta manhã. Tive que limpar eles antes que alguém mais visse." "Ela é uma p**a nata." Acrescentou outro servo com nojo. "Capaz de atrair o Alfa para o seu quarto todas as noites. A pobre Luna não faz ideia do que está acontecendo debaixo do seu próprio teto." O meu sangue gelou. Todos sabiam. Cada pessoa nesta casa sabia do caso de Theodore exceto eu. Quando me avistaram parada na sala, segurando a calcinha, congelaram como veados diante dos faróis. A cozinha silenciou, exceto pelo som da água corrente. Finalmente, um servo Ômega reuniu coragem para falar, com a voz tremula. "Luna Olivia, não é hoje o Dia dos Pais e Filhos na creche? Estávamos nos perguntando por que ainda não tinha saído." Dia dos Pais e Filhos. Eu havia completamente esquecido em meio à minha névoa de traição e raiva. "Estou saindo agora." Eu disse baixinho, deixando a calcinha no balcão. "Garantam que ela volte para a dona." Eu subi correndo as escadas, vesti o primeiro vestido que encontrei e dirigi apressadamente para a Creche Filhote Carmesim. As minhas mãos tremiam no volante enquanto repetia as palavras dos servos na minha mente. Há quanto tempo eu era a piada da minha própria casa de matilha? As minhas mãos seguravam o volante tão fortemente que os meus nós dos dedos estavam brancos, mas me forcei a me concentrar. Leo precisava de mim ali. O que quer que estivesse acontecendo entre mim e Theodore, o meu filho vinha em primeiro lugar. Na entrada da creche, uma jovem professora que não reconheci me parou com um sorriso radiante. "Com licença, você está aqui para o Dia dos Pais e Filhos?" Ela perguntou alegremente. "Sim, estou aqui para Leo Redgrave. Sou a sua mãe." O sorriso da professora desvaneceu, a confusão obscurecendo as suas feições. "Mas a Luna já chegou?" O meu sangue se gelou. "Eu sou a Luna Olivia. A mãe de Leo." A professora apontou para o parque infantil, sua voz incerta. "Então quem é aquela?" Eu segui o olhar dela e senti o meu mundo desmoronar aos poucos. Clara. A Clara estava lá, brincando com o meu filho, rindo enquanto ele a perseguia ao redor dos equipamentos do parquinho. Ela estava usando um dos seus vestidos fluídos, o tipo que a fazia parecer inocente e maternal. "Luna Olivia!" Linda, a professora regular de Leo, veio correndo com pânico nos olhos. Ela lançou um olhar de advertência para a nova professora e rapidamente a levou para longe. "Estou tão feliz que você pôde vir. Por favor, entre." Mas eu já estava me movendo em direção ao parquinho, em direção ao meu filho que ria nos braços da amante de seu pai. "Leo!" Eu chamei, a minha voz ecoando pelo pátio. O meu menino se virou, os seus cabelos escuros captando a luz do sol. Mas quando viu que eu estava de mãos vazias, o seu rosto imediatamente se contorceu em um bico. "Cadê a torta de veado?" Ele exigiu, as suas pequenas mãos apoiadas nos quadris em um gesto que dolorosamente me lembrou Theodore. "Você prometeu ontem que traria hoje!" A minha mente ficou em branco. Em meio ao caos de descobrir o caso de Theodore, eu havia esquecido completamente. "Me desculpe, querido. Esqueci, mas posso—" "Vá comprar agora!" Leo gritou, o seu rosto pequeno vermelho de raiva. "Clara estava falando sobre isso há dias! Ela realmente quer experimentar!" Clara deu um passo à frente com uma expressão perfeitamente ensaiada de compreensão. "Oh, Leo, está tudo bem. Eu posso ir comprar mais tarde." "Não!" Leo cortou imperiosamente. "Mamãe tem tempo. A famosa padaria na zona neutra tem uma espera de três horas, mas a Mamãe não tem nada importante para fazer." Ele me olhou com a crueldade casual que apenas as crianças são capazes. "Ela ama me servir de qualquer jeito. Ela ficaria triste se não pudesse me servir—foi para isso que ela nasceu." As palavras me atingiram como um t**a físico. O meu próprio filho, o meu menino precioso que eu quase morri trazendo a este mundo, estava falando comigo como se eu fosse uma serviçal. Como se eu existisse apenas para sua conveniência. Eu engoli a minha raiva e forcei um sorriso. "Você tem razão, meu amor. Me desculpe por esquecer. Eu não esquecerei amanhã." Leo respondeu impacientemente, nem mesmo olhando para mim. "É bom que você não esqueça." Cada palavra era como uma faca de prata deslizando entre as minhas costelas. Este era o meu filho, o filhote que carreguei por nove meses, o filhote prematuro que cuidei com noites sem dormir e preocupação interminável. Quando ele nasceu muito cedo e muito pequeno, m*l saí do seu lado. Regulei cada aspecto da sua vida para garantir que ele crescesse forte e saudável, sacrificando as minhas próprias necessidades pelas dele. Para garantir que ele crescesse saudável, fui extremamente meticulosa com a sua vida. Não permiti que ele tocasse em junk food e impus uma rotina rigorosa para refeições, sono e brincadeiras. Cada decisão que tomei foi para o seu bem-estar. Há seis meses, fiquei gravemente doente com um misterioso problema que me deixou de cama por semanas. Foi quando Theodore contratou Clara para vir à matilha como babá de Leo. Nunca imaginei que, após apenas seis meses com ela, o meu filho a preferisse completamente à sua própria mãe. O apito do treinador ecoou pelo parquinho. "Atenção, pais e filhotes! É hora da nossa corrida de três pernas. Cada equipe precisa de um pai e uma criança." O meu coração saltou de esperança. Esta era minha chance de reconectar com Leo, de mostrar a ele que eu também poderia ser divertida e brincalhona. "Leo!" Eu disse excitada, me aproximando dele. "Vamos ser parceiros! Será divertido—" Mas sem nem olhar de onde estava sentado na grama, Leo amarrou a própria perna na de Clara com a corda fornecida. "Clara é mais adequada para esse jogo." Me ajoelhei ao lado dele e segurei a sua mão pequena. "Leo, eu sou a sua mãe! Quero brincar com você!" Ele me sacudiu violentamente, o seu rosto se contorcendo de irritação. "Mamãe, você é tão irritante! Na verdade, não preciso que você seja a minha mãe!"
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD