Capítulo 2

3746 Words
Alguns chamariam isso de sorte, acaso, ou destino. Eu chamaria de azar. Justo quando decido sair do meu lado mais obscuro, isso me acontece? Mas que merda!!! Era só ter dado meia volta, Alex. Meia volta e você estaria livre. Agora estou aqui, sentado no sofá da minha sala e olhando para uma garota assustada, andando pelo cômodo e olhando cada detalhe da decoração da minha casa. Sinto que a minha escuridão aumentou só com o ato de hoje. Ela está tentando me sufocar, me oprimir, me dominar. Não, não posso me permitir viver no escuro outra vez. Não quero voltar pra lá nunca mais! Estou apavorado, com medo, tão assustado quanto a garota desconhecida na minha sala. Porque eu não fiquei em minha cama hoje? Porque eu tinha que dá uma de senhor saúde em forma e sair de casa? Eu devia ter esperado o Jordan, ele não permitia que eu fizesse essa merda. Respiro fundo. Ela se vira e olha para mim. Cabelos curtos e escuros, olhos castanhos, expressivos, b boca pequena e carnuda, com um leve corte no canto e uma marca arroxeada, quase imperceptível na maçã do seu rosto. O corpo esguio treme um pouco e ela está abraçada ao seu próprio corpo. Como  eles a chamaram mesmo? Ah, não importa! Levanto-me do sofá e a garota imediatamente fica em alerta. Sério isso? Ela está com medo de mim? p***a, eu salvei a tua vida! Suspiro contrariado e resolvo não me aproximar. _ Está com fome?_ inquiro como quem não quer nada. Ela não me responde com palavras, apenas dá um leve aceno de cabeça, dizendo que sim. Assinto. _Anita deve ter preparado algo para comer _ digo e saio da sala, indo para a cozinha, na esperança de que ela me siga. Eu paro e olho para trás. A garota ainda está lá,  parada no meio da minha sala, e olhando em minha direção. _ Você não vem? _ pergunto impaciente. Ela me olha por um tempo, eu rolo os olhos. Ela parece um bichinho do mato, acuado e assustado. A alguns dias atrás, eu adoraria me alimentar desse medo, me fazia sentir forte, imponente e eu usava desse poder sempre que sentia vontade. Balanço a cabeça afastando esses pensamentos para longe de mim e adentro a ampla cozinha, onde cinqüenta por cento das paredes é de vidro e a outra metade é de concreto e cerâmicas brancas. Os balcões em formato de L, são iluminados por pequenas lâmpadas de led. Um dos balcões comporta alguns bancos altos. Anita sorri quando me vê. _ Bom dia, senhor Alex! A corrida foi boa? _ Podia ter sido melhor. Penso carrancudo. _ Você fez isso tudo?_ ralho, olhando a mesa farta e ignorando a sua pergunta. Ela sorri, ignorando a minha rabugice. _Nao tinha ideia do que ía querer, então eu fiz de tudo um... pouco... _ Ela diz a última parte da frase pausadamente, quando nota a presença da garota atrás de mim. _ Uma menina!! _ cantarola admirada. Reviro os olhos. O que há demais em "uma menina?" _ Oi, eu sou Anita, qual o seu nome?_ Anita questiona toda amorosa. Ela me lembra a minha mãe... Uma mulher dedicada, amorosa, atenciosa. Eu a amava muito! Confesso que ainda sinto a dor de sua perda, mesmo depois de longos anos. Deus, como sinto a sua falta! Penso melancólico. Puxo a respiração e encaro a Anita ainda de olho na garota. _ Dê algo pra ela comer, Anita. Depois ela pode ir embora. _ ordeno com um tom seco, saindo da cozinha e vou para o meu quarto. Preciso tomar um banho e depois conhecer a minha nova empresa. O banho é demorado e na hora de pôr uma roupa, fico indeciso no que escolher. Quando fazia parte do bando de Cicatriz, roupas informais, só se usava em ocasiões informais. Fora isso, eu usava qualquer roupa que me deixasse a vontade. Escolho um conjunto de terno Armani de três riscas, cinza chumbo, uma camisa branca de botões e uma gravata de ceda vermelho-escuro. Me olho no espelho e gosto do que vejo. Por fim ponho um par de sapatos lustrosos, e saio do meu quarto de cabeça erguida, andando firme e sentindo orgulho de mim. Desço as escadas e encontro Danilo passando algumas instruções para os seguranças. Definitivamente não sei para que tudo isso, mas acho que ele está gostando da brincadeira de comandar. Sorrio e sigo direto para a cozinha, parando abruptamente ao perceber que a garota ainda está na cozinha e sentada em um dos banquinhos, tomando café da manhã. Não seria nada de mais, se ela não estivesse de banho tomado, toda limpinha e vestindo um vestido branco, de alcinhas, que mostram alguns detalhes do seu corpo. Onde ela conseguiu isso e porque ainda está aqui? Olho pelo cômodo a procura de Anita. A filha da mãe não está aqui. A garota baixa os olhos quando nota a minha presença e isso me dá a chance de olhá-la mais detalhadamente. Agora limpinha, noto que tem um tom de pele clara...  Ela é linda e minhas mãos coçaram de vontade de tocá-la...  de senti-la. Em silêncio, me sento no banquinho de frente pra ela, olhando cruamente pra ela e sem hesitar. Pego uma faca de mesa e corto um pedaço do queijo caseiro, o levando a boca, em seguida tomo um gole do café quente e amargo. _ Quando pretende ir embora? _ questiono, tirando os meus olhos de cima dela e pego um pedaço do pão caseiro, dentro do cesto de vime. Ela não me responde e isso é irritante pra c****e! _ O gato comeu a sua língua? _  resmunguei impaciente. Ela ergueu o seu olhar e me encarou pela primeira vez. _ Não... não tenho pra onde ir, senhor Alex. _ p**a QUE PARIU! O grito ecoa dentro de mim. Essa p***a de "senhor Alex " não vai dá muito certo aqui! Penso. Limpo a garganta e volto o meu olhar para o meu prato. _ Não tenho nada haver com isso, menina _ ralho áspero. _ Fabiana. _Ela diz de repente. Eu a encarei perdido. _ Meu nome é Fabiana,  mas todos me chamam de Fabi. _ Assinto, mas continuo calado. A sua voz suave me perturba. Tem um ar doce,  meigo e encantador que me faz querer recuar. _ Se... se puder me arrumar um emprego. _ Sugere. _ Um lugar pra ficar... _Deixou a frase perdida no ar. Não! Não! Não e não! Alex não se atreva!! Está na cara que essa garota é chave de cadeia e você não vai querer se envolver nisso de novo. Meu subconsciente me alertou. _ Fale com Anita. Pergunte se tem alguma função pra você aqui na casa. _ O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, p***a?! O grito ensurdecedor do meu subconsciente ecoou. Puxei a respiração e saí da mesa imediatamente. Ando a passos largos para a sala sem ao menos usar de educação e dizer um bom dia para garota. _ Danilo, o carro está pronto? _ questionei com um tom muito rude. _ Sim, senhor. Jordan irá levá-lo a empresa e ficará aguardando até a hora em que precisar voltar. _Ele disse prontamente.  _ Ótimo! _ Começo a andar em direção a porta, quando ele me faz parar. _ Aqui, senhor. _ Diz me estendendo uma pasta de papel grosso. _ O que é isso? _ Alguns documentos que precisa ler no caminho. O senhor terá uma reunião de início com os funcionários. É algo que precisa ser feito, senhor. _ Bufo. _ Preciso de uma secretária que me ajude a organizar essas coisas _ retruco. _ Sim, senhor, vou providenciar uma. _ Faça isso, Danilo _ digo saindo de casa. ********* O tempo todo fico ausente durante na reunião. Meus pensamentos estão preenchidos com uma única imagem... Jasmine. Penso em como ela estaria agora, ou o que estaria fazendo, enquanto eles falam e falam e falam, eu pego meu celular e começo a digitar sem parar. Simplesmente deixo o meu coração falar mais alto. ...Como pode ser tão difícil esquecer o primeiro amor? Eu juro que essa é a minha luta de todos os dias, princesa. Não, aqueles dois tiros não me mataram, mas você conseguiu me matar por dentro. Entendo que não me ame. Entendo que nunca será minha e aceito isso. Quero que seja feliz com as suas escolhas, Jasmine e eu tentarei ser feliz com as minhas. Eu te amo, isso é  um fato e com certeza jamais deixarei de te amar. Isso quer dizer que não haverá lugar para outra mulher dentro de mim. Eu te amei, e pode não ter sido da maneira certa, mas como você mesma viu, sou capaz de dá a minha própria vida em troca da sua. Não se preoculpe, esta será a minha última mensagem pra você. Não sou perfeito, Jasmine. Talvez eu seja só um delinquente, porém, no meio do meu mundo obscuro, conheci o sentimento mais puro e ele é tão forte, que duas balas não foram fcapazes de me matar, mas ele sim, matou o melhor de mim. Amo você! A. C. Olho para a mensagem por longos minutos. O nome Jasmine no cantinho da tela parece brilhar intensamente. Esse será o meu último contato com ela. Pensei e meu indicador iniciou uma guerra entre apertar ou não o botão do enter. O apertei. Pronto, lá foi o meu adeus para ela. Suspirei e em seguida liguei o meu modo empresário. _ Senhores, meu nome é Alex Fox. Sou o sócio majoritário e o atual presidente desta empresa. Andei estudando os progressos e vi que os números estão muito baixo. O senhor, Walter, não é?_ Aponto para o homem loiro e alto, sentado do meu lado direito. _ Sim, senhor. _ Vejo que é chefe da contabilidade da empresa a anos. _ Sim, senhor Fox._ exijo. _ Descupe! Sim, senhor Fox. _ Me diga, porque os números nunca subiram, senhor Walter? Ele engole em seco. _ A crise no país senhor, alguns fatores de vendas, eu acho. _ Arqueio as sobrancelhas. _ Eu acho, senhor Walter? Definitivamente não era essa a resposta que eu queria ouvir de um profissional _ rebato implacável. O homem se ajeita em sua cadeira e mexe na gravata. _ Senhor Fox... _ Está demitido, senhor Walter! _ ralho impetuoso, o encarando firmemente e sem hesitar. _ O que disse? _ O que o senhor ouviu. Quero pessoas determinadas a alavancar a minha empresa e não pessoas conformadas com a situação dela. Infelizmente o senhor não se encaixa no novo perfil da Car Whash. O senhoe pode se retirar da reunião. _ Todos olham de mim para o funcionário boqueabertos. Ele endureceu sua face, se levantou da cadeira e saiu pisando firme, saindo da sala. Implacável. Foi isso que aprendi ao longo dos meus anos de vida no mercado n***o. Praticamente metade dos funcionários da empresa foram demitidos nesta manhã, por sua incompetência e respostas dadas sem o menor sentido. Solange, uma garota que nomeei minha secretária na empresa, ficou encarregada de me trazer novos currículos para preencher os novos cargos. O dia passou rápido demais e confesso que estou adorando o meu novo emprego... Mega CEO das empresas Car Whash. O manda chuva, odono da p***a toda, e o melhor, sem me sentir m*l por isso e sem praticar o m*l a ninguém. A noite organizo alguns papéis dentro de uma pasta e saio da minha sala. Lá em baixo encontro Jordan me aguardando. O caminho é feito em silêncio e eu não gostei disso, porque a minha mente ficara povoada de pensamentos, que eu não queria ter. Jasmine... Ela me destruiu por dentro. Lembro-me da minha princesa saindo de casa arrumada, pronta para ir ao colègio e sorrio. Ela amava aquilo. Meu sorriso desapareceu quando me lembrei dela entrando todos os dias no carro daquele mauricinho, filhinho de papai! Suspiro. Ela nunca me amou e para piorar, eu nunca soube conquistá-la de verdade. Talvez eu não tenha nascido para isso, para amar ou para ser amado. Fui criado para ser sozinho. Viver sozinho, tutar sozinho. Bufo. Daria tudo o que tenho agora, só pra tê-la aqui comigo. O carro para em frente a mansão de condomínio fechado. Observo as luzes acesas, deixando a fachada da casa iluminada, por conta das paredes de vidros que a noite ficam transparentes. Respiro fundo e saio do carro, adentrando a casa elegante e confortável em seguida. Sigo direto  para as escadas, preciso de um banho relaxante e de um bom jantar. Abro a porta do quarto principal e encaro a garota estranha, fuçando dentro do meu closet. Mas o que..? _ QUE p***a VOCÊ ESTÁ FAZENDO?! _ GritEI, e ela pulou assustada para fora do armário. A garota ficou imediatamente pálida. Ela balbucia algo, mas nada sai da sua boca. Os meus olhos intimidantes não deixam a menina curiosa e amedrontada um só momento. _ FALA LOGO, c*****o!!! _ Voltei a gritar e ela estremeceu inteira. _ Dis... desculpa se... senhor A... Alex! _ gaguejou as palavras. Dei dois passos em sua direção e ela recuou, batendo as costas na porta do closet. _ Quero saber o que você está fazendo aqui no meu quarto? _ questionei-a baixo, porém não menos irritado. _ Dona Anita... _ sibilou, me deixando confuso. _ Ela me pediu para organizar algumas coisas... _Chego ainda mais perto da menina. Seu cheiro... esse cheiro é envolvente demais. Engulo em seco e me perco na escuridão dos seus olhos. Assustados. Um bichinho acuado. Penso. Sem conseguir frear os meus pensamentos, elevei uma mão e toquei na ponta do seu queixo. Ela voltou a estremecer e começou a chorar. Franzi meu cenho, não conseguia entender, porque tem tanto medo de mim assim? Aproximei meu rosto do seu, e eu sinto um desejo insano de beijar-lhe a sua boca. _ Se afaste de mim _ Pediu áspera e cheia de medo, mas pude sentir um leve tremular em sua voz. Engoli em seco. _ Não me toque, por favor! _ suplicou em um fio de voz. Havia um tom de desespero em sua voz. Eu me afastei um pouco e ela saiu correndo do quarto. Que p***a foi essa? ********* É quase meia noite e eu ainda estou em minha cama, olhando os meus e-mails e analisando alguns papéis para o dia seguinte. Estou começando a gostar da minha nova vida. Estranhamente o meu antigo celular começa a tocar dentro da gaveta do criado mudo. Curioso, o pego e olho o número desconhecido por algum tempo. Penso em não atender, deixar pra lá. Não entendo porque ainda guardo esse maldito número. A única coisa que restou do meu passado obscuro. Nesse minúsculo chip, tenho dezenas de nomes de provedores do melhor material do submundo e centenas de nomes de compradores também. Além daqueles que ficaram devendo milhões em dinheiro. O telefone volta a tocar e eu atendo sem pensar duas vezes. _ Alô! _Marrento? Eu sou DJ, e tenho um recado do Cicatriz pra você. _ Sinto um gelo tomar conta do meu corpo imediatamente. Respiro fundo, sentindo o meu corpo inteiro estremecer. A coleira... Ele quer me pôr na coleira outra vez. _ Qual? _ Ele está planejando uma fuga para esse final de semana. Pediu que providenciasse um jatinho e que levasse o dinheiro dele. _ Mais uma respiração profunda.  O que eu faço? Se o ajudar, com certeza voltarei para a minha antiga vida. _ Quanto ele está te pagando por esse serviço? _ Trinta milhões. _ Bufo de modo audível. _ Pago cinqüenta, se der um fim nele pra mim. _ O homem riu do outro lado. _ Como vou saber que não está me metendo em uma enrascada? _ Me dê o número da conta DJ.  Amanhã terá vinte e cinco milhões depositado nela e quando fizer o serviço, deposito o resto. _ Ele assobia do outro lado. _ Cinqüenta milhões é muita grana, mano! _ Sim, é. Se aceitar, o dinheiro é seu. _ Considere o serviço feito, mano. _ Acesse a sua conta amanhã _ digo. Anoto seus dados bancários e faço a transferência imediatamente. Nunca mais Cicatriz. Penso. Nunca mais usarei a sua maldita coleira outra vez! Fecho os meus olhos encostando a cabeça nos travesseiros e puxo a respiração aliviado. Livre... Estou livre de verdade. Começo a guardar os materiais e ponho tudo em cima de uma escrivaninha, próximo a um dos janelões. Olho o lado de fora e observo a noite calma, o jardim está quieto e não há vento essa noite. Entro no banheiro e tomo uma ducha rápida, ponho apenas uma box preta e me jogo no colchão. Minutos depois, estou meio sonolento, quando escuto um grito alto, de puro terror e pânico. Pulo para fora da cama e saio correndo do quarto, tentandoo abrir a porta do quarto ao lado. Merda, está trancada de chave! _ Fabi?! _ Chamo por ela, mas ela não para gritar, e eu não sei o que fazer. _ Fabi abre a porta! _ grito, forçando a fechadura, porém nada acontece. Então me afasto e vou com toda pra cima da madeira branca e a porta abre bruscamente. _ NÃO!!! _Ela grita. _ NÃO TOQUE EM MIM!!! _ Engulo em seco assistindo a garota se debatendo em cima do colchão. p***a, o que está acontecendo aqui? Fabi está banhada em lágrimas e suor  e o seu rosto se cortorce, como se sentisse uma forte dor. O desespero estava estampado em cada parte do seu corpo. _ Fabi, sou eu... _Tento aproximar-me. _ NÃO! NÂO SE APROXIME!!! _ Merda, o que eu faço? _Olha pra mim. Sou eu, o Alex. Fabi, olha pra mim. _Peço, insisto, segurando firme em seus ombros. Ela aperta os olhos, e faz não, com a cabeça. Aproximo-me ainda mais e a puxo para os meus braços. _ NÃO!! ME SOLTAAAAA!!! NÃO!!! NÃO!!! por favor!!! _ Ela luta contra mim, usa toda a sua força pra sair dos meus braços e começa a chorar outra vez. _ Shiiiiii! _ Faço o som arrastado, embalando seu corpo com o meu e tento acalmá-la. _ Está tudo bem, menina. Você está segura aqui _ sussurro. Aos poucos ela para de lutar,mas as lágrimas não param de cair. O que fizeram com ela? Deus, porque ela está assim? _ Senhor, Alex, o que houve? _ Anita entrou no quarto, quase sem ar. Deve ter vindo correndo quando ouviu os gritos. _ Traga um chá, Anita. _ pedi sem lhe dá explicações e ela assentiu, saindo do quarto em seguida. Fabi chora baixinho agora e eu acaricio seus cabelos e continuo embalando o seu corpo.  _ Estão mortos _ disse de repente, com um tom baixo demais. Um gelo tomar conta de mim ao sentir a dor das suas palavras. Quem morreu? _ Estão todos mortos _ repetiu e voltou a chorar. Sem saber o que fazer, a apertei em meus braços. _ Vai ficar todo bem _ repiti, mas ela faz não, com a cabeça. _ Todos estão mortos. Todos eles morreram... todos... _ Tornou a sussurra e dessa vez sem parar. p***a o que fizeram com essa menina? Afastei-me um pouco e fiz com que ela olhasse pra mim. O medo que encontrei em seus olhos, era de cortar o coração. _ Vai ficar tudo bem, Fabi. Não vou deixar nenhum m*l te acontecer. Está me ouvindo? Vejo a compreensão em seus olhos e eles voltam a se inundar de lágrimas. Não sei o que deu em mim, mas deixei que os meus lábios roçassem levemente nos dela. Fabi hesitou, apertou as minhas mãos na lateral do seus rosto, porém eu tentei mais uma vez e ela me permitiu beijá-la levemente. c*****o!!! _Trouxe o chá, senhor Alex. _ Anita disse, me fazendo me afastar da garota e depois da cama e deixo que Anita tome conta dela agora. Porém não saio do quarto, fico ali calado, encostado em uma parede, apenas olhando a menina se acalmar e tomar o seu chá em silêncio. _ Pode ir, senhor Alex. Vou ficar essa noite com ela. _ Anita diz. Eu devia estar aliviado por isso. Conformado até, mas não estou. Na verdade estou puto e eu nem sei o porquê. Queria ter ficado com ela naquele quarto, cuidando dela... Droga, não faça isso Alex! Não vá por este caminho. Não se envolva. ******** As sete da manhã entro em casa suado e corro escada a cima, direto para o banheiro. As corridas matinais têm me ajudado a extravasar um pouco e aos poucos, o meu passado vai ficando para trás. Sou um novo homem, vivendo uma nova vida, ampliando novos horizontes. Depois do banho, levo alguns minutos para estar pronto, para mais um dia de trabalho, digno e limpo. Aperto o botão do controle remoto e o painel gira automaticamente, revelando a imensa tv por trás dele. Mais um clic e tenho as notícias do dia. A foto do Cicatriz está estampada no noticiário e a manchete na base da tela, diz que o maior traficante do estado do Rio de Janeiro fora assassinado dentro da sua cela, enquanto alguns presos faziam um motim. Perfeito! Pensei. Mais um ponto para o meu lado n***o. As vezes penso que ele faz parte de mim e que nunca irei me livrar dessa lama, que insiste em me sujar. Desligo a tv e saio do quarto. Na cozinha, encontro Anita terminando de servir o café da manhã e Fabi está sentada em um dos banquinhos. Eu a olho, mas ela mantém seus olhos baixos o tempo todo. _ Bom dia! _ digo, porém, ela não responde. _ Bom dia, senhor Alex! _Anita diz com a empolgação de sempre. Tomo o café da manhã calado na minha e Fabi come pouco dessa vez. Termino o meu café e antes de sair da mesa e dou mais uma olhada na garota. _ Anita, quero que vá com Fabi comprar algumas coisas pra ela. Compre o que ela precisar. A minha assistente pessoal tem que estar a minha altura _ falo de repente e ela finalmente ergue os olhos para mim. Fico um tempo preso as retinas indecifráveis. Algo nela, faz o meu coração bater mais forte, ao ponto do ar querer me faltar. Respiro fundo e desvio o meu olhar, saindo do cômodo em seguida.
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