Mais tarde, a noite já tinha engolido Londres. A rua em frente ao prédio da empresa estava iluminada por postes amarelados e pelo reflexo dos faróis apressados. Harry saiu do prédio com o paletó no braço, a gravata frouxa, o peso do dia inteiro ainda nos ombros. Ele caminhava distraído, a cabeça cheia de números, contratos e prazos, até que algo ou melhor, alguém chamou sua atenção. Yara estava encostada no carro dele. Os braços cruzados de forma relaxada, uma perna levemente dobrada, o cabelo solto caindo pelos ombros. Usava algo simples, mas que nela parecia sempre especial. Quando o viu, abriu aquele sorriso que desmontava qualquer cansaço. Harry parou por um segundo, como se precisasse confirmar que não estava imaginando. — Eu tô… vendo coisas? — murmurou, aproximando-se devagar.

