A sobremesa chegou como uma tentação compartilhada: um bolo vulcão de chocolate ainda fumegante, o chocolate escorrendo lentamente quando o garçom afundou a colher ao lado da bola de sorvete de baunilha. — Uma sobremesa só — Yara comentou, já puxando a colher para perto. — Pra manter a ilusão de controle. — Ilusão sendo a palavra-chave — Harry respondeu, mas aproximou a própria colher da dela. Eles começaram aquele ritual silencioso e íntimo de dividir: uma colher para ele, outra para ela, às vezes duas seguidas quando um dos dois fingia distração. — Você sempre faz essa cara quando come doce — Harry observou. — Como se o mundo tivesse ficado um pouco mais aceitável. — É porque fica — ela respondeu, lambendo distraidamente o chocolate da colher. — Especialmente quando é dividido. Ele

