A música era lenta, envolvente, quase íntima demais para um evento de negócios. As luzes mais baixas transformavam o salão em algo menos formal, mais humano. Harry pousou a mão na cintura de Yara com cuidado, como se ainda estivesse se certificando de que ela estava ali de verdade. Ela descansou a mão no ombro dele, os dedos quentes atravessando o tecido do terno. Por alguns instantes, nada mais existiu. — Você está linda — ele disse, baixo, perto do ouvido dela. — Você já disse isso hoje — Yara respondeu, sorrindo de canto. — Não o suficiente. Ela riu, aquele riso que sempre desarmava qualquer rigidez nele. O corpo dela se movia com naturalidade, sem esforço, acompanhando o ritmo. Harry percebeu alguns olhares ao redor, mas, pela primeira vez naquela noite, não se incomodou. Estava

