Harry estacionou do outro lado da rua, como fazia agora quase todos os dias. Não avisou que tinha chegado gostava de surpreendê-la, de vê-la sair com aquele sorriso que só aparecia quando o via. Mas o sorriso não veio. Antes mesmo de abrir a porta do carro, ele ouviu a voz alterada atravessar a calçada. — Quantas vezes eu já falei, Yara? — o chefe dela dizia, alto demais, sem se importar com os clientes ainda no bar. — Isso aqui não é sua casa! Copo quebrado de novo, pedido errado… você acha que eu tenho cara de banco? Já disse que não está no Brasil, menina! Aqui não é bagunça! Harry congelou por meio segundo. Yara estava atrás do balcão, o avental ainda amarrado, os ombros tensos. Ela não respondia apenas ouvia, o olhar baixo, os dedos apertando o pano de prato como se aquilo fosse

