A aposta

1359 Words
[...] Quando Christian e Anne entraram na clínica assim que ela alimentou as meninas, o que aconteceu no estacionamento da clínica e que foi observado por ele. Anne fazia aquilo muito bem e o deixou bastante satisfeito por ver que ela estava cuidando bem das meninas. Alguns minutos depois elas estavam satisfeitas. Christian entrou na recepção, onde ele deu o seu nome e logo foram encaminhados para o ambulatório onde seria feita a coleta de sangue para o teste de DNA e demais exames. Tudo aquilo era novo para Anne, que seguia o seu futuro patrão quieta, não queria incomodá-lo e receber alguma resposta grosseira de sua parte. O homem percebeu alguns olhares diferentes para ele e Anne. Com certeza aquelas pessoas estavam o julgando por ser um homem mais velho com uma moça tão jovem e que já tinham filhos. Anne também percebeu e ao contrário de Christian, ela se incomodou. Começou a observar por onde passava e não eram somente pacientes que os olhavam com olhares julgadores, mas sim funcionários também. A enfermeira que os guiava até o ambulatório caminhava rápido e Anne a xingava mentalmente por aquilo, era difícil para ela caminhar muito rápido para alcançá-los. O homem percebeu e diminuiu sua velocidade, caminhando mais devagar, enquanto sorria de lado. — Suas perninhas curtas, não estão deixando você nos acompanhar? — Anne o encarou com raiva. — Eu já lhe pedi para não falar sobre as minhas pernas e sobre minha altura, é só isso que eu estou lhe pedindo. — Ela falou séria. A jovem não tinha nenhum problema com a sua altura, nunca reclamou por ser baixinha, no entanto, enquanto estava no orfanato tinha sido alvo de muita chacota e aquilo a incomodava, por isso não desejava que o seu chefe também agisse daquela forma. — É que não dá para resistir, elas são curtinhas mesmo e você acaba andando muito devagar. — Ela fechou os olhos por alguns segundos e suspirou, sua vontade era socar a cara dele, mas se conteve. — Se a minha altura o incomoda e estou lhe atrapalhando, eu posso deixá-lo com as meninas aqui mesmo e procurar um lugar para onde ir. Sou sozinha no mundo mesmo, estou com tudo que me pertence, não estou presa de nenhuma forma ao senhor. Aqui, o senhor está precisando mais de mim do que eu do senhor. O senhor decide o que quer: controlar sua língua e parar de falar sobre a minha altura ou ficar aqui e tomar de conta de duas bebês que em duas horas vão querer comer novamente? — Ela o ameaçou. — Está bem, eu vou tentar me controlar e não falar mais das suas pernas, senhorita Anne. — Chris não saberia cuidar das duas meninas sozinho. — Obrigada, senhor. Acho que chegamos. — Disse parando em frente ao ambulatório. — Venham, por aqui. Vamos preparar o senhor e as meninas para a coleta do material. — A enfermeira informou e saiu de perto dos dois. — Tenho certeza que elas são suas filhas. — Anne sentou-se e brincou com as meninas. — Ainda tenho minhas dúvidas. — Respondeu Christian encarando Anne. — Aposto que são. — Ele riu. — Aposta é? Você tem o que apostar? Se tiver, podemos apostar agora mesmo. — Sugeriu. — Eu não sei, acho que tem algo que eu gostaria de fazer, aprender na verdade e o senhor pode me ajudar. — Disse animada. — Então me diga o que deseja? Se ganhar eu farei. — Perguntou. — Se você for o pai delas eu quero meio dia de folga por semana, para aprender a montar e a nadar. Eu sei que você tem muitos cavalos e uma piscina imensa. Alguém da fazenda pode me ajudar a fazer isso, não, não, quem vai me ensinar vai ser o senhor, quem paga a aposta é o perdedor, então o senhor deve me ensinar. — Pediu. Christian pensou em desistir da aposta, mas apostar com ela seria divertido e vê-la tentando aprender a montar e a nadar seria um momento de muitas risadas para ele. — Ótimo! E se eu não for o pai das meninas, você será a responsável por deixá-las no orfanato e perderá o seu emprego na fazenda. — Disse sua condição, Anne o encarou com raiva, no entanto, aceitou a proposta dele. — Eu aceito! — Estendeu a mão em direção ao homem que a segurou, selando a aposta entre os dois. No momento seguinte, eles fizeram o teste de DNA e todos os outros exames que eram necessários serem feitos em recém-nascidos, em seguida as meninas passaram pela pediatra. Elas estavam bem, nenhum problema com elas e o leite que a Bete tinha comprado era o certo para elas, assim a pediatra não mudou de jeito nenhum. Depois de quase quatro horas presos naquela clínica, os dois saíram e estavam famintos. Eles não tinham comido nada, desde que saíram da fazenda e Anne já não estava aguentando mais. — Se eu passar mais meia hora sem comer nada eu vou desmaiar. — Reclamou, fazendo um pouco de drama. — Não chegarei a desmaiar, mas também necessito comer. Vamos passar em um restaurante e almoçar. — Falou colocando a bebê que ele carregava no bebê conforto e prendendo com o cinto. — Eu quero algo bem gostoso. — Falou animada. — Irei descontar do seu salário. — Alfinetou. — Faça como quiser, desde que eu esteja alimentada, eu não me importo. — Sentou-se no banco ao lado dele e colocou o cinto, esperando que Christian desse partida no automóvel. Saíram do estacionamento indo diretamente para um restaurante que ele conhecia, onde já tinha ido várias vezes quando ia à capital. — Esse lugar é chique demais, uma refeição aqui deve custar um rim. — Brincou, olhando a fachada do restaurante em tons vermelho e branco. — Verdade, vai ficar um mês ou dois sem salário. — Anne o encarou. — Que seja, na sua casa comerei de graça mesmo. — Deu de ombros. — Agora será que podemos entrar? Estou faminta. — Perguntou. — Claro, senhorita gulosa. — Anne fez uma careta em sua direção e caminhou para o interior do restaurante. A garota nunca tinha entrado em um ambiente tão requintado, sempre viveu naquele orfanato. Ela não sabia nem se estava se vestindo adequadamente para aquele ambiente. Assim que entrou, percebeu como se vestiam as mulheres que estavam ali. Novamente foram alvos de olhares julgadores, onde alguns até cochichavam entre si. Christian ignorou, não os conhecia e não devia nada a nenhum deles, e mesmo que pensassem que Anne fosse sua esposa ou namorada, era a vida deles, não deviam satisfação a ninguém e que os olhassem, aqueles olhares não eram nada para ele. Mas Anne não se sentia confortável e começou a imaginar que a olhavam daquela forma pelo jeito que estava vestida, mas não era exatamente isso, até poderia ser, mas suas roupas eram aceitáveis e mesmo sendo feitas por ela mesmo, eram exclusivas e bastante bonitas, dando a Anne um estilo diferente e único. — Senhor, estão todos olhando para nós. Devem estar pensando que trouxe uma moradora de rua para o restaurante. — Christian foi pego de surpresa e olhou ao redor. — Porque diz isso, Anne? — A ajudou com as meninas. — Talvez, eu não esteja vestida apropriadamente para este tipo de lugar. — Falou baixinho. Christian encarou os olhos verdes brilhantes dela. — Eu não vejo nenhum problema com as suas roupas e pouco importa o que estão pensando. Mas não é exatamente por causa das suas roupas esses olhares dirigidos a nós. — Falou. — Eu conheço muito bem o que significa e o que estão pensando. — Ela ficou curiosa. — E o que estão pensando? — Indagou. — Não é importante, não se preocupe. Sente-se e apenas se preocupe em se alimentar bem. — Disse. Ele não queria que ela ficasse constrangida, Anne não conhecia muito do mundo podre que ela tinha acabado de chegar e ele não seria o responsável por deixá-la constrangida ao falar que as pessoas a olhavam por pensarem que eram um casal.
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