finalmente sou sua e vc e meu

806 Words
A caminhonete subiu o morro devagar. Não era pressa — era respeito. Quando chegaram, a notícia já tinha corrido. Não por fofoca, mas porque o clima era outro. Os homens estavam alinhados, sérios, atentos. Gabriel desceu primeiro, depois estendeu a mão pra Sofia. Ela desceu com cuidado, uma mão instintivamente protegendo a barriga, a outra firme na dele. Ele não soltou. Nunca mais soltaria. No centro do pátio, os dez seguranças que tinham rodado estrada, cidade, interior, noite e perigo estavam ali. Cansados. Machucados. Mas de cabeça erguida. Gabriel deu dois passos à frente. — Foi vocês que trouxeram a minha mulher de volta. — a voz dele saiu grave, sem grito, mas ninguém ousou respirar. — E trouxeram meu filho junto. Um deles abaixou a cabeça, em respeito. Gabriel fez um sinal. Uma mala foi colocada no chão. Depois outra. E mais outra. — Cada um de vocês vai receber o que prometi. — ele continuou. — Dinheiro limpo, casa garantida, proteção pra família de vocês. Quem quiser sair do morro, sai com a minha bênção. Quem quiser ficar, sobe de posto. Ele olhou um por um. — Mas do que isso… vocês têm minha lealdade. E a minha palavra não volta atrás. Sofia sentiu o nó na garganta apertar. Aqueles homens tinham sido ponte. Não prisão. Ponte. Ela deu um passo à frente, surpreendendo todos. — Obrigada… — disse, com a voz firme apesar da emoção. — Vocês salvaram mais do que a mim. Salvaram uma história inteira. Os homens assentiram. Alguns desviaram o olhar. Outros sorriram de canto. Gabriel voltou pra perto dela, a mão automaticamente na lombar, protetor. — Aqui ninguém mais toca em você sem permissão. — ele disse baixo, só pra ela ouvir. — Aqui ninguém mais decide por você. Esse morro vai saber quem você é… não quem pensaram que você era. Ela olhou ao redor. O lugar que antes era medo agora parecia território reconquistado. — Eu fiquei com tanto pavor de voltar… — ela confessou. — E eu fiquei pior sem você. — ele respondeu. — Me tornei aquilo que eu sempre lutei pra não ser. Mas agora… agora eu tenho motivo pra ser melhor. E mais c***l só com quem merecer. Ele se virou pros homens de novo. — Hoje ninguém trabalha. — anunciou. — Hoje é dia de respeito. Sofia entrelaçou os dedos nos dele. E, pela primeira vez desde que tudo começou, o morro inteiro sentiu: Ela não tinha voltado como menina. Ela tinha voltado como mulher. E como a única coisa capaz de domar o homem mais temido dali. Ele saiu do banho ainda com o cabelo úmido, a toalha jogada no ombro. O quarto estava em silêncio, só o som da respiração dela. Sofia estava deitada de lado, os lençóis claros cobrindo o corpo, o rosto mais sereno do que ele tinha visto em anos. Gabriel parou na beira da cama por um instante. Observou. Como se tivesse medo de tocar e aquilo desaparecer. Deitou devagar. A mão dele encontrou o rosto dela primeiro, com cuidado, como quem pede permissão. O polegar deslizou pela bochecha, limpando uma lágrima antiga que parecia ainda morar ali. — Sofia… — murmurou. Ela abriu os olhos e sorriu pequeno, aquele sorriso que sempre foi só dele. Ele se inclinou e começou a beijá-la devagar. Sem pressa. Sem fome. Era carinho, era reverência. Beijos longos, calmos, como se estivesse reaprendendo o corpo dela, como se dissesse em silêncio: agora eu fico. Ela correspondeu do mesmo jeito. As mãos dela subiram para o pescoço dele, os dedos se fechando ali como se finalmente não precisassem mais soltar. O tempo perdeu o peso. Quando tudo se acalmou e eles ficaram ali, deitados, peito com peito, Gabriel encostou a testa na dela. Os olhos dele estavam úmidos. — Agora… — ele disse baixo — você é oficialmente minha, meu amor. Não por posse. Por escolha. Por verdade. Ela sorriu, um sorriso cheio, emocionado, e os olhos brilharam. — É tudo o que eu sempre sonhei, Gabriel. — a voz saiu trêmula, mas segura. — Eu nunca consegui me entregar a ninguém. Sempre travava, sempre tinha medo… e não era defeito. Era porque não era pra ser com ninguém além de você. Ela levou a mão até o peito dele, sentindo o coração bater forte. — Eu sempre fui sua. E agora posso dizer isso sem culpa, sem medo… sem dor. Gabriel fechou os olhos, respirando fundo, como se aquele momento estivesse costurando tudo o que foi quebrado. Ele a puxou mais para perto, a mão protegendo a barriga dela, o futuro deles. — E eu vou passar o resto da minha vida provando que você nunca esteve errada em me escolher. E, pela primeira vez, não havia sombra entre eles. Só amor. E tudo o que ainda estava por vir.
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