O morro estava em silêncio.
Não o silêncio da paz.
Mas o silêncio de quem sabe que algo grande vai cair.
Gabriel entrou no salão principal com o rosto fechado, os olhos vermelhos, a mandíbula dura.
Os homens dele já estavam ali. Todos de pé. Ninguém falava.
Ele parou no centro.
— Prestem atenção — a voz saiu grave, controlada, mas carregada de ódio contido.
Alguns se entreolharam.
— A Sofia… — ele respirou fundo, como se dizer o nome doesse fisicamente. — Ela não é minha irmã.
Um murmúrio baixo correu pelo salão.
Gabriel ergueu a mão, exigindo silêncio.
— Ela é a mulher que eu amo. — afirmou. — A única. A minha.
Os homens ficaram imóveis. Aquilo não era fraqueza. Era sentença.
— Ela foi embora por causa de uma mentira. — continuou. — Uma mentira que destruiu nós dois.
Ele andou lentamente entre eles.
— Eu preciso que vocês encontrem ela. — disse, encarando cada rosto. — Onde quer que esteja. Em qualquer cidade. Em qualquer buraco.
Parou.
— Viva. Inteira. Sem um arranhão.
A voz ficou mais baixa. Mais perigosa.
— Quem localizar a Sofia e trouxer ela de volta pra mim vai ser muito bem recompensado. Dinheiro. Cargo. Proteção. O que quiser.
Engoliu em seco.
— Mas escutem bem… — o olhar dele escureceu. — Se alguém encostar nela sem minha ordem… se assustar, machucar ou mentir pra ela…
O silêncio virou medo.
— Eu apago do mapa. Sem nome. Sem enterro.
Ninguém piscou.
— Ela é minha mulher. — repetiu. — E eu vou trazer ela de volta. Nem que eu tenha que atravessar o inferno.
Virou de costas.
— Dispersa. Agora.
Os homens saíram rápido, já falando em contatos, cidades, rastreios.
Gabriel ficou sozinho.
Passou a mão no rosto, respirando fundo.
— Aguenta só mais um pouco, Sofia… — murmurou. — Eu tô indo te buscar.
E dessa vez,
não havia culpa que o fizesse parar.