A ordem

324 Words
O morro estava em silêncio. Não o silêncio da paz. Mas o silêncio de quem sabe que algo grande vai cair. Gabriel entrou no salão principal com o rosto fechado, os olhos vermelhos, a mandíbula dura. Os homens dele já estavam ali. Todos de pé. Ninguém falava. Ele parou no centro. — Prestem atenção — a voz saiu grave, controlada, mas carregada de ódio contido. Alguns se entreolharam. — A Sofia… — ele respirou fundo, como se dizer o nome doesse fisicamente. — Ela não é minha irmã. Um murmúrio baixo correu pelo salão. Gabriel ergueu a mão, exigindo silêncio. — Ela é a mulher que eu amo. — afirmou. — A única. A minha. Os homens ficaram imóveis. Aquilo não era fraqueza. Era sentença. — Ela foi embora por causa de uma mentira. — continuou. — Uma mentira que destruiu nós dois. Ele andou lentamente entre eles. — Eu preciso que vocês encontrem ela. — disse, encarando cada rosto. — Onde quer que esteja. Em qualquer cidade. Em qualquer buraco. Parou. — Viva. Inteira. Sem um arranhão. A voz ficou mais baixa. Mais perigosa. — Quem localizar a Sofia e trouxer ela de volta pra mim vai ser muito bem recompensado. Dinheiro. Cargo. Proteção. O que quiser. Engoliu em seco. — Mas escutem bem… — o olhar dele escureceu. — Se alguém encostar nela sem minha ordem… se assustar, machucar ou mentir pra ela… O silêncio virou medo. — Eu apago do mapa. Sem nome. Sem enterro. Ninguém piscou. — Ela é minha mulher. — repetiu. — E eu vou trazer ela de volta. Nem que eu tenha que atravessar o inferno. Virou de costas. — Dispersa. Agora. Os homens saíram rápido, já falando em contatos, cidades, rastreios. Gabriel ficou sozinho. Passou a mão no rosto, respirando fundo. — Aguenta só mais um pouco, Sofia… — murmurou. — Eu tô indo te buscar. E dessa vez, não havia culpa que o fizesse parar.
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