Ela se aproximou dele com aquele sorriso sapeca que sempre desmontava qualquer muralha.
— Quero beber, amor.
Gabriel pegou um combo de whisky, colocou os copos na mesa e empurrou um pra ela.
— Ô… pega leve, tá? — disse num meio-sorriso atento.
Ela riu bem sapeca , encostando o corpo no dele, voz baixa só pra ele ouvir:
— se eu der trabalho, você me leva pra sua cama e me corrige do seu jeito.
Ele travou por um segundo. O olhar escureceu, mas não foi perda de controle — foi desejo contido. Gabriel segurou o queixo dela com dois dedos, firme, carinhoso, marcando o limite e a promessa.
— Não brinca com coisa séria, Sofia. — murmurou. — quando é pra corrigir, eu faço em casa. Do meu jeito.
Ela brindou com ele, os olhos brilhando.
— Gosto quando você fala assim…
Ele bebeu um gole, sem tirar os olhos dela.
— Então bebe devagar. — disse baixo. — Hoje eu quero você inteira. Aqui comigo. Viva.
Ela se encaixou no peito dele, dançando de leve enquanto a música seguia. Não era provocação — era cumplicidade. Um sorriso, um toque, uma promessa silenciosa entre dois que já tinham perdido demais pra brincar com o que sentiam.
E ali, no meio do baile, entre risos contidos e olhares quentes, eles sabiam:
a noite era deles —
sem pressa,
sem culpa,
com tudo o que ainda estava por vir.
Ela dançava tranquila, solta no ritmo, o corpo acompanhando a música sem exagero. Os olhos fechavam às vezes, o sorriso surgia de leve — não era provocação, era liberdade recuperada.
Um homem passou por trás dela no fluxo da pista. Não encostou. Só ficou próximo demais por um segundo a mais do que o necessário.
Gabriel percebeu na hora.
Não fez cena.
Não levantou a voz.
Não precisou.
A mão dele firmou um pouco mais na cintura dela, um gesto simples, claro. Sofia sentiu e abriu os olhos, virou o rosto pra ele. Os olhares se encontraram.
— Tá tudo bem — ela disse baixo, tranquila.
— Eu sei — ele respondeu do mesmo jeito. — Tô aqui.
O homem atrás entendeu o recado sem palavra alguma. Deu dois passos pro lado. Sumiu na multidão.
Sofia voltou a dançar, agora encostada nele, as costas no peito dele, segura. Gabriel acompanhou o ritmo devagar, atento a tudo ao redor, mas com o foco inteiro nela.
— Gosto de te ver assim — ele murmurou no ouvido dela. — Viva.
Ela sorriu, recostando a cabeça no ombro dele.
— Eu também… gosto de me sentir assim de novo.
E continuaram ali, no meio do baile, sem pressa, sem tensão — só presença.
Ela dançando por ela.
Ele ali pra garantir que nada, nem ninguém, quebrasse aquele momento.
Gabriel parou por um segundo quando viu os dois policiais no canto do baile. O maxilar travou, o olhar ficou atento — trabalho, não ameaça.
Ele se inclinou até Sofia, voz baixa, firme:
— Amor, não sai daqui. Vou ali resolver um negócio e já volto.
— Tá, amor. — ela respondeu tranquila, sentando um pouco no sofá do camarote.
Gabriel foi com dois homens. Conversa curta. Dinheiro passado de mão em mão. Nenhum sorriso. Só o combinado de sempre.
Enquanto isso, um cara atravessou a linha.
Chegou perto demais.
— Nossa… — ele disse, olhando descaradamente. — Você tá ainda mais linda, Sofia. Vamos dançar.
Ela levantou os olhos devagar, sem medo.
— Você tá cavando sua cova. — respondeu calma. — Se afasta.
O cara riu, achando que era brincadeira.
— Só uma dança…
Foi quando Gabriel voltou.
Viu a cena.
Viu a proximidade.
Viu o desrespeito.
Não pensou.
Chegou rápido, puxou o homem pela camisa e o soco veio seco, certeiro. Um só. O suficiente. O cara caiu, desnorteado.
— Some. — Gabriel disse baixo, perigoso. — Agora.
Os seguranças já estavam ali. O homem foi tirado sem discussão.
Sofia se levantou,o rosto firme.
— Tudo resolvido. — ela disse, tocando o braço dele.
— Sim, amor. — respondeu, respirando fundo pra se acalmar.
Ele sentou. Sofia veio junto, sem pedir, sentou no colo dele, os braços envolvendo o pescoço, o corpo encaixado como se aquele fosse o lugar natural dela.
Gabriel passou o braço ao redor da cintura dela, firme, protetor.
— Aqui. — ele murmurou. — Fica aqui.
Ela encostou a testa na dele, sorrindo pequeno.
— Sempre.
E o recado ficou claro pra quem ainda precisava entender:
Chegar perto dela
não era coragem.
Era erro.