proteção no baile

755 Words
Ela se aproximou dele com aquele sorriso sapeca que sempre desmontava qualquer muralha. — Quero beber, amor. Gabriel pegou um combo de whisky, colocou os copos na mesa e empurrou um pra ela. — Ô… pega leve, tá? — disse num meio-sorriso atento. Ela riu bem sapeca , encostando o corpo no dele, voz baixa só pra ele ouvir: — se eu der trabalho, você me leva pra sua cama e me corrige do seu jeito. Ele travou por um segundo. O olhar escureceu, mas não foi perda de controle — foi desejo contido. Gabriel segurou o queixo dela com dois dedos, firme, carinhoso, marcando o limite e a promessa. — Não brinca com coisa séria, Sofia. — murmurou. — quando é pra corrigir, eu faço em casa. Do meu jeito. Ela brindou com ele, os olhos brilhando. — Gosto quando você fala assim… Ele bebeu um gole, sem tirar os olhos dela. — Então bebe devagar. — disse baixo. — Hoje eu quero você inteira. Aqui comigo. Viva. Ela se encaixou no peito dele, dançando de leve enquanto a música seguia. Não era provocação — era cumplicidade. Um sorriso, um toque, uma promessa silenciosa entre dois que já tinham perdido demais pra brincar com o que sentiam. E ali, no meio do baile, entre risos contidos e olhares quentes, eles sabiam: a noite era deles — sem pressa, sem culpa, com tudo o que ainda estava por vir. Ela dançava tranquila, solta no ritmo, o corpo acompanhando a música sem exagero. Os olhos fechavam às vezes, o sorriso surgia de leve — não era provocação, era liberdade recuperada. Um homem passou por trás dela no fluxo da pista. Não encostou. Só ficou próximo demais por um segundo a mais do que o necessário. Gabriel percebeu na hora. Não fez cena. Não levantou a voz. Não precisou. A mão dele firmou um pouco mais na cintura dela, um gesto simples, claro. Sofia sentiu e abriu os olhos, virou o rosto pra ele. Os olhares se encontraram. — Tá tudo bem — ela disse baixo, tranquila. — Eu sei — ele respondeu do mesmo jeito. — Tô aqui. O homem atrás entendeu o recado sem palavra alguma. Deu dois passos pro lado. Sumiu na multidão. Sofia voltou a dançar, agora encostada nele, as costas no peito dele, segura. Gabriel acompanhou o ritmo devagar, atento a tudo ao redor, mas com o foco inteiro nela. — Gosto de te ver assim — ele murmurou no ouvido dela. — Viva. Ela sorriu, recostando a cabeça no ombro dele. — Eu também… gosto de me sentir assim de novo. E continuaram ali, no meio do baile, sem pressa, sem tensão — só presença. Ela dançando por ela. Ele ali pra garantir que nada, nem ninguém, quebrasse aquele momento. Gabriel parou por um segundo quando viu os dois policiais no canto do baile. O maxilar travou, o olhar ficou atento — trabalho, não ameaça. Ele se inclinou até Sofia, voz baixa, firme: — Amor, não sai daqui. Vou ali resolver um negócio e já volto. — Tá, amor. — ela respondeu tranquila, sentando um pouco no sofá do camarote. Gabriel foi com dois homens. Conversa curta. Dinheiro passado de mão em mão. Nenhum sorriso. Só o combinado de sempre. Enquanto isso, um cara atravessou a linha. Chegou perto demais. — Nossa… — ele disse, olhando descaradamente. — Você tá ainda mais linda, Sofia. Vamos dançar. Ela levantou os olhos devagar, sem medo. — Você tá cavando sua cova. — respondeu calma. — Se afasta. O cara riu, achando que era brincadeira. — Só uma dança… Foi quando Gabriel voltou. Viu a cena. Viu a proximidade. Viu o desrespeito. Não pensou. Chegou rápido, puxou o homem pela camisa e o soco veio seco, certeiro. Um só. O suficiente. O cara caiu, desnorteado. — Some. — Gabriel disse baixo, perigoso. — Agora. Os seguranças já estavam ali. O homem foi tirado sem discussão. Sofia se levantou,o rosto firme. — Tudo resolvido. — ela disse, tocando o braço dele. — Sim, amor. — respondeu, respirando fundo pra se acalmar. Ele sentou. Sofia veio junto, sem pedir, sentou no colo dele, os braços envolvendo o pescoço, o corpo encaixado como se aquele fosse o lugar natural dela. Gabriel passou o braço ao redor da cintura dela, firme, protetor. — Aqui. — ele murmurou. — Fica aqui. Ela encostou a testa na dele, sorrindo pequeno. — Sempre. E o recado ficou claro pra quem ainda precisava entender: Chegar perto dela não era coragem. Era erro.
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