Xavier encarava os dois homens à sua frente sem nenhuma expressão. Eles estavam em um dos esconderijos seguros que usavam quando não queriam chamar atenção, e, naquele momento, ele não era o único que observava os dois homens através de uma tela. Todos estavam ali. Na noite anterior, eles não tinham conseguido fazer muita coisa, mas, agora que a festa de noivado do russo tinha passado, era hora de descobrir se o que eles tinham dito era realmente verdade.
O fato de os dois estarem sob os cuidados de Xavier já era motivo para que ficassem em alerta. O Dom da máfia Algustini não costumava recolher cães abandonados, mas aquilo tinha acontecido. A prova disso era a presença dos dois homens. Xavier odiava quando alguma mulher sofria o que a sua mãe e irmã tinham sofrido, e essa era uma das suas lutas silenciosas. Ao longo daqueles anos, ele havia levado muitos canalhas à justiça, isto é, à justiça que se encontrava na máfia, onde a honra era lavada com sangue.
— Me dê dez minutos com eles que arranco tudo o que você precisa — diz Nico, encarando a tela. — Eles não parecem ter qualquer tipo de treinamento.
— Pode ser só fachada — responde Hideo. Por incrível que pareça, o j**a não havia partido; estava curioso para saber o que a Fênix faria. Porque, mesmo que ele soubesse que Xavier, Vito, Aurélio e os outros fossem de outras máfias, eles eram Fênix de batismo, e, no território de Ricardo, todos dançavam conforme a sua música.
— Mais um motivo para que eu possa ter uma conversa com eles — Charles olha para Nico com a sobrancelha arqueada. Ele conhecia bem a "conversa" que o seu amigo costumava ter, e não era algo indolor.
— Está com muita sede ao pote, rapaz — diz Vito, rindo, com o seu canivete rodando entre os dedos.
— Só é a forma mais rápida, Vito — diz Nico, dando de ombros.
— Pode ir, Nico — diz Ricardo, que tinha ficado com os olhos na tela o tempo todo.
— Tem certeza, chefe? — pergunta Xavier ao ver o sorriso no rosto de Nico.
— Tenho. Vamos observar daqui.
Xavier sabia o que o seu chefe queria, e, com Nico lá, eles poderiam observar o comportamento dos dois homens e ver se realmente o que falariam era verdade.
— Eu vou com ele — diz Max, levantando-se e saindo pela porta com Nico.
Na tela à frente deles, eles esperavam que Nico e Max chegassem às celas. Assim que eles entram, fecham a cela atrás de si.
— Nossa! O grandão tem um braço pesado — diz um dos homens, passando a mão no rosto.
— Mais respeito. O grandão é Dom Xavier, e aquele soco não foi nada — responde Max, encostando-se em um canto da cela. Os olhos dos homens se arregalam ao olhar para eles, o que os deixa com uma pontada de dúvida.
Na cidade, não era segredo para ninguém que a Fênix dominava tudo, desde a polícia até o comércio local. Todo o submundo era controlado por Ricardo, aquele era seu território. Mas eles sabiam que, depois que Dom Xavier assumiu a máfia Algustini, o seu nome também cresceu entre as pessoas na cidade, e agora eles também o temiam. Mas o fato de as pessoas saberem disso apenas dizia que eles tinham ligação com algum grupo dentro da cidade. Os cidadãos de bem sabiam que existiam grupos que controlavam algumas coisas, mas não reconheciam nomes ou rostos.
— Dom Xavier? — pergunta o outro, encarando Max.
— Qual o nome de vocês? — pergunta Max, observando-os.
— Eu sou o Jhon — diz o mais novo — e ele é o Camilo. Somos irmãos.
— Pelo que vejo, vocês conhecem Dom Xavier. Mas quem andou falando sobre ele? — Max vê os irmãos se encararem antes de se voltarem para ele.
— Quando a nossa irmã desapareceu, buscamos com algumas pessoas sobre o homem que achávamos ter a levado. Esse homem fazia alguns trabalhos no mundo do crime.
Max encara Nico e vê que ele estava tranquilo com aquilo. Muitas pessoas faziam serviço para as máfias e outras organizações.
— Mas isso não responde à pergunta principal — diz Nico, dando um passo à frente e encarando os dois. — Como sabem sobre a Fênix? E como souberam onde estava nosso carregamento? Esse tipo de informação apenas quem trabalha na Fênix sabe. Como a conseguiram?
Os dois homens recuam diante dos olhos sombrios de Nico. Eles podiam ver que ele não estava brincando. Nico se aproxima e pega Jhon pelos cabelos, arrastando-o para perto das celas. Camilo tenta se aproximar, mas apenas um olhar de Max o faz recuar.
— Acho que vocês me devem respostas — diz Nico, retirando uma faca da cintura. — E, se mentirem para mim, vou cortar as suas línguas.
— Por favor! Solte ele! — diz Camilo, desesperado, querendo se aproximar. Mas Max não iria permitir aquilo. O objetivo deles era testá-los para saber as suas reais intenções, e era preciso colocar pressão neles para descobrir.
— Fique fora, ou vou cortar mais que a língua dele se você intervir — diz Nico, encarando Camilo.
— Vamos, rapaz, não temos o dia inteiro para perder com isso — diz Max, de forma relaxada.
— Como souberam onde estava o nosso carregamento? — pergunta Nico novamente. Os olhos de Jhon se arregalam ao sentir a lâmina fria da faca sobre o seu rosto.
— Eu falo! — diz Camilo, em desespero.
— Então fale, ou nós dois seremos o menor dos seus problemas — responde Max.
— Quando conhecemos esse cara do submundo, ele tinha dito que fazia vários trabalhos para as máfias. Ele nunca disse nome ou lugar, mas passamos a vigiar os passos dele e, depois de algumas semanas, descobrimos um lugar afastado da cidade, com alguns barracões e bem vigiado. Sabíamos que não conseguiríamos entrar lá por causa da segurança, mas, depois de observarmos bastante, soubemos que era um dos galpões da Fênix.
— Então andaram bancando os ratos, se esgueirando por onde não deviam — diz Nico, com um sorriso sombrio no rosto. — Não acho que a sua resposta esteja muito certa.
Nico pressiona a faca sobre o rosto do rapaz, fazendo um filete de sangue descer.
— Para! Por favor! — diz Camilo, com lágrimas nos olhos.
— Você vai me contar o que eu quero saber, ou vai se arrepender do dia que cruzou o nosso caminho — diz Max.