POV ALICINHA
Eu estava completamente devastada. Samuel era minha única esperança de finalmente me sentir segura e amada e ele não passava de um traidor, alguém que me abandonou assim como meu pai fez depois de trazer a vaca da Cristina e a Agata pra morar com a gente.
Eu chorava no meio da rua mesmo, caminhando pelas ruas sem me importar com as pessoas me vendo toda encharcada de lágrimas. Caminhei tanto que chegou um momento que eu nem sabia onde estava. Só aí que meu instinto me deteve e eu percebi que a rua era deserta e mall iluminada.
– Aff, talvez seja melhor eu voltar. Que merd@, eu não quero voltar para aquela casa. – Falei comigo mesma em voz bem baixa.
Senti um m@u pressentimento. Como se alguém das sombras me observasse. Olhei ao redor e tentei me convencer de que era só coisa da minha cabeça.
Isso até eu ver a silhueta de dois homens vindo do outro lado da rua. Aí que meu coração parou por alguns segundos, subiu até a garganta e depois voltou galopando para o peito.
Antes que eu pudesse correr, uma voz grave disse:
– Se correr, é pior. Nóis atira.
Eu respirava ofegante. E não sei nem se foi isso que eu disse, mas eu falei algo:
– Então é melhor atirar, porque se tá achando que eu vou deixar vocês me estupr@rem, estão enganados.
Então apertei a bolsa ao peito e iniciei minha corrida, torcendo pra que nenhuma bala pegasse em mim.
O problema é que eles não estavam sozinhos. Havia mais homens na outra ponta e eu fui encurralada.
Eu comecei a gritar, mas foi inútil. Eles me pegaram e me arrastaram para dentro de uma Van.
– Me solta, seus fedorentos!! SOCORRO!!!!!
– Melhor a moça ficar bem queitinha.
– Quietinha? Meu bem, eu vou fazer um infern0 aqui, então é melhor met3er uma bala bem na minha testa. Eu não vou facilitar não! – Eu disse.
– Ihh, a moça é marrenta. O chefe já tá bravo, Sardinha – Disse um que tava com uma suvaqueira que só Deus. Eu quase vomitei.
– Cala boca, cara. A gente ainda deu sorte de achar uma que acho que é o que chefe quer.
Eu observava o diálogo dos dois.
– Que chefe? Que isso? Alguma brincadeira? Foi minha madrasta, não foi??
Eles se olharam confusos. A van andava em alta velocidade. Eu olhei pela janela e vi que subiam o morro em direção a favela.
– Nóis num conhece essa madrasta aí não.
– Olha aqui vocês dois, eu sou filha de desembargador – Eu disse mentindo – Meu namorado é policial civil e vai fazer picadinho de vocês. – Essa parte era meio mentira, já que Samuel não era mais meu namorado.
– É, e o que uma mina tão importante tava fazendo sozinha tarde da noite sozinha naquela rua, hein? – Disse esse tal Sardinha.
Ele tinha razão, eu era uma péssima mentirosa.
– Me solta, seu nojento.
– Caladinha. Vai ser melhor, eu tô falando. Num pensa que nóis mat@ não, moça;. Nóis tortur@, deixa dias agonizando. A gente vai cortar dedo por dedo da sua mão e jogar sal com vinagre depois…
Eu congelei. Aquilo me causou arrepios.
Então fiquei quieta mesmo, amedrontada, olhando pela janela,e vendo o asfalto sumir e as casas da favela, todas amontoadas, irem surgindo.
Eu estava definitivamente na pior fase da minha vida.